Formatamos (demasiado) os instintos

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Fotografia captada da varanda durante o primeiro nevão de 2017.

Gosto de crianças. Da velocidade com que confiam, esquecem e mudam de estado de espírito. Gosto de como comunicam com facilidade, como não pensam muito.

Gosto de ver a forma como o meu sobrinho se recusa a falar, mas faz-nos perceber tudo o que quer, não quer, gosta e não gosta. Gosto de quando uma bola na cara e uma hemorragia no nariz conseguem tanto ser um drama e um nada, quase ao mesmo tempo. Gosto particularmente do quanto uma criança não sabe que uma hemorragia no nariz não tem problema e a vive com intensidade, a mesma com que volta a brincar com a bola do trauma. Gosto acima de tudo da transparência.

Também gosto da inteligência que a adultez nos traz, da perspicácia. Gosto das ferramentas que, quando bem usadas, nos fazem triunfar. Mas não há nada pior do que o amuo orgulhoso, do que uma chantagem emocional prolongada, do que a falta de transparência no que toca a coscuvilhice. E nas crianças é tudo mais simples, mais ingénuo, melhor para a humanidade e menos complicado.

Deixemos os instintos acompanharem-nos pela vida. Formatemo-nos menos, sejamos acima de tudo e em tudo na vida mais transparentes. Se juntarmos o sal que é a inteligência, seremos todos um bocadinho mais felizes.

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Séries RTP

Sou fã do esforço feito pela RTP no sentido de pôr Portugal na lista de países com séries produzidas por si mesmo. Começou em 2016 com a terrível “Terapia”, mas tem vindo a melhorar. Houve um qualquer acidente de percurso em que os autores do “Ministério do Tempo” pararam as gravações por não serem pagos e a RTP tirou a série do ar.

Atualmente, bato palminhas a “Madre Paula”. Mísera em cenários como é normal, mas com uma história brutal por trás. Particularmente no que toca à parte real da história, que não é completamente verdade. De qualquer forma, pensar que a única rainha austríaca que por cá habitou passou por uma cena destas, pode bem ter deixado moça na opinião dos austríacos quanto aos portugueses.

Entretanto já começou uma outra série que procura relatar os tempos modernos, o 2016 e as suas redes sociais, viver da e na internet é o foco da série. Mas as minhas expectativas estão elevadíssimas quanto a 1986, a série escrita pelo Markl que começará no próximo mês. As referências políticas, as roupas, os cabelos. Parece tudo tão distante e foi exatamente antes de eu nascer.

Os episódios de Madre Paula podem ser encontrados aqui.

Os Problemas das Lojas Online

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Esta vida moderna de corre-corre, em que não se trabalha ao pé de casa, não há horários muito bem definidos, trabalha-se muito e os serviços só abrem em horário laboral são salvos pelos telemóveis e pela internet. Resolvem-se muitas burocracias à distância e até dinheiro se gasta dessa forma. Faço compras online de tudo e mais alguma coisa: roupa, cosméticos, acessórios, dispositivos eletrónicos, livros, presentes e até comida e outras necessidades do dia a dia. Além disso, escolhi as casas onde morei pela internet, compro e planeio viagens dessa forma, a mesma como giro o dinheiro e controlo as contas. No fundo, até uma existência online paralela e diferente da minha, através das redes sociais, existe. No entanto, não são tudo rosas e há problemas básicos com que me deparo diariamente.

1. Métodos de pagamento

Eu não gosto de usar o cartão de crédito em compras online, principalmente quando faço a primeira compra numa determinada loja. Felizmente, há outros Serviços, em que os meus favoritos são o sofort – uma ligação direta ao balcão online do banco, fazendo uma transferência direta e sem comprovativos, mas que não é possível com bancos portugueses – e o MBnet. O paypal podia ser uma boa opção também, mas implica uma ativação chata, da qual desisti quando não podia usar de imediato e tinha 9562 passos até concluir o processo.

Resultado, quando as lojas aceitam MBnet, corre tudo muito bem. Na maioria dos casos, isso acontece, mas depois há os outros que por um motivo que me é alheio, distinguem o cartão de crédito do MBnet. Isto faz algum sentido!? Felizmente acontece poucas vezes, mas ontem foi o caso e estou beeem aborrecida. Queria encomendar cosméticos de um site inglês, mas só aceitam cartão de crédito como método de pagamento e o MBnet não passa. Porquê?!

2. Serviços pós-venda

Um flagelo. Quantas vezes precisamos de alterar uma encomenda acabadinha de fazer e não há remédio? Contactamos o apoio ao cliente e respondem-nos dias depois, quando a encomenda defeituosa já chegou a casa? Geralmente compensam-nos com um vale qualquer que não compens coisa nenhuma, mas enfim. Há uns meses precisava de um voo para o mesmo dia, a internet não o deixava fazer, liguei para o apoio ao cliente da TAP, disponível, em teoria, 24h, não atenderam e devolveram-me a chamada 10 dias depois! Isso ou quando enviamos encomendas via CTT que é sempre um totobola se vão direitas ao destino, se ficam uma semana paradas algures ou se dão primeiro a volta ao mundo.

É verdade que há sempre os bons serviços. Assim de repente destaco a Prozis que me entrega as compras no dia seguinte à encomenda, mesmo que a faça tarde, sendo possível cancelar mesmo depois de pagar. Ou uma parafarmácia online com produtos ortodônticos, que atende o telefone e altera a encomenda se necessário.

3. As pessoas mentem mais à distância

A semana que passou foi particularmente rica neste tipo de situações, mas é história para vos contar mais tarde. A verdade é que tratar de burocracias sem as olhar na cara de quem as trata é muito mais tramado. Assim mais ou menos como o que acontece por essa internet fora. Escrever ou dizer ao telefone barbaridades, mentiras e palavras mal medidas e mal interpretadas é tão mais simples! Quando se trata de assuntos sérios, dá asas a uma série de problemas e é, para mim, uma das maiores dificuldades de resolver tudo à distância.

4. Nem sempre ser o que parece

Após a segurança, a não possibilidade de experimentar um produto, é a razão que faz com que não se compre pela internet. É aborrecido quando o tamanho ou o modelo de uma peça de roupa não está de acordo com o que imaginamos ao vê-la na loja online, num blog ou no youtube. O mesmo acontece quando se compram frescos. Sempre que possível, a carne, o peixe, os legumes e a fruta são comprados in loco e não pela loja online. Já a roupa raramente compro em lojas físicas. O mesmo com os telemóveis e os livros quando em promoção.

Conclusão: há sempre prós e contras nisto das compras online. Mas continuo achar que o tempo ganho torna qualquer contratempo um mal menor.

Em loop

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Domingo à noite, sentada na cama de pernas cobertas e o computador por cima. Trabalho um bocadinho mais para tentar que a semana flua melhor. Os planos saem furados quando, ao contrário do meu normal sono pesado, fico uma hora acordada, a meio da noite, porque o meu cérebro ficou preso ao computador. Tenta continuar a escrever, tirar nabos da púcara, desvendar o que não se desvenda a dormir. Acho que é disto que falam quando descrevem insónias.

Ligo o telemóvel e saltito entre o Instagram e o Pinterest. São as fotografias de casas bonitas que invadem as minhas redes sociais que me distraem. Depois de pousar o telemóvel, são as técnicas de meditação que me devolvem o sono. A semana começa duas horas depois, num loop infernal.

Sete da manhã, ouço qualquer cois a tocar e, gradualmente, entendo que terei de acordar, olho para o telemóvel e defino que me vou levantar dali a x minutos ou porque é o limite para não me atrasar (muito), ou porque perfaz minutos certos, 20, 30 ou 40. Enfio a roupa que penso durante os minutos em que me mantenho dentada, passo um pente no cabelo e praguejo por ter lavado o cabelo e não o ter penteado. Escovo os dentes, enfio as sapatilhas e odeio a fraca qualidade com que a Adidas me tem presenteado. Tenho de começar a encaixar o pequno-almoço que raramente acontece. Pego na mochila, na lancheira, nas chaves e defino o melhor trajeto e o melhor estacionamento ao sair de casa. Não falha. Corro, saltito e cambaleio até ao comboio.

Trabalhar na baixa do Porto é tão bom, tão bom que em 40 minutos saio do carro e chego ao trabalho. O dia de trabalho voa, invariavelmente. E depois voo eu para um segundo espécie-de-trabalho. Depois de tudo isto, à noite, há sempre o que tratar. Ou o dentista, ou outra coisa qualquer relativa à casa. Dali a nada o despertador toca outra vez e só ao domingo de manhã me deixo dormir, descontrair, ficar na cama o tempo que me apetecer.

Como dizia, é um loop infernal. Mas é o loop infernal que combina mais comigo, mais do que a bela e calma vida que tinha na Áustria.

Realidades diferentes

É quarta feira, queria escrever-vos sobre a loucura dos meus dias para que ficassem a compreender a dificuldade de fazer uma publicação por dia. Mas ainda não foi hoje. Hoje não tenho tempo, nem disponibilidade mental para escrever qualquer coisinha com o mínimo de qualidade, de forma rápida e eficiente. Por isso, deixo-vos um vídeo. É um dos canais que tenho seguido ultimamente, quando preciso de uma pausa. O youtuber em causa viaja pelo mundo a fotografar, particularmente casas. E, dessa forma, encontra pessoas muito interessantes, com ideias e realidades com que, muito provavelmente, nunca nos deparamos. Preparem-se para abrir essas mentes conservadoras e aproveitem!

Minimalismo e Japoneses

Com a possiblidade (vai ser uma realidade, mas estou numa fase cética) de vir a ter uma casa num futuro próximo, tenho visto muitas imagens e vídeos sobre o tema. Entre as mil correntes, opções e opiniões, o minimalismo é uma das mais fortes atualmente.

A realidade é que a maior parte dos casos que se lêem por esta internet fora de minimalismo, não passam de uma prevalência de branco entre um consumismo igualmente exagerado.

O verdadeiro minimalismo acontece em casas onde dificilmente alguém se imagina a morar, até o terem de fazer. Defino como o limite do minimalismo o que é possível ter dentro de uma casa japonesa no centro de uma grande cidade.

Espreitem o vídeo abaixo ou outros semelhantes que encontram no Youtube.

Cirurgia Ortognática | A semana depois

Foi há três meses e sinto-me 95% recuperada. Devo dizer que a única semana realmente difícil foi a primeira. E, mesmo assim, ao rever as imagens, tenho uma boa disposição impressionante. Principalmente naquele primeiro trecho em que ainda estou sob o efeito da anestesia.

Entretanto, ando num ritmo louco, o meu computador estava a precisar de uma limpeza e só agora consegui pôr tudo em ordem e juntar os pequenos vídeos da primeira semana. E mesmo assim dediquei tempo a preparar o vídeo. Porquê? Porque antes da cirurgia fui preparando o percurso para que o número de visitas fosse limitado, mas sei que há por aí curiosos e, no youtube, pessoas que se preparam para uma cirurgia destas.

Quanto às visitas, sempre que recebia visitas era difícil. Esforçava-me, cansava-me e passava as horas seguintes deitada a recuperar. Foi uma decisão sensata ficar no meu canto sem pessoas em redor a perguntarem-me coisas que não podia deixar de responder. Não por educação, era mesmo porque não sei estar calada.