A 22 de agosto

Há um ano estava na última paragem das férias de verão, estava em Amarante, com a minha amiga Xana. Há dois anos estava também em passeio, estava em Sintra, onde comi queijadas e travesseiros e onde comprei em excesso para fazer a família feliz, mas deixei a felicidade no intercidades. 30 euros de felicidade no intercidades. Há três anos não me lembro que férias fiz ou em que altura foram, mas lembro-me que estava feliz da vida. Tinha vindo de erasmus com uma mala cheia de histórias, de viagens e de sonhos concretizados, tinha acabado a minha licenciatura depois de um ano bom, louco e alucinado. Há quatro anos estava a caminho de Santiago de Compostela, estávamos quatro ainda. Não sei se é verdade, mas a recordação que guardo é que éramos muito felizes, mesmo no meio do nada, mesmo a dormir entre dezenas de pessoas, mesmo a sair para caminhas antes das seis horas da manhã, mesmo longe dos amores que acabavam e começavam. Há cinco anos chegava das Jornadas Mundiais da Juventude, chegava cheia de memórias, de certezas e de incertezas, guardo muitas coisas dessa experiência, boas e más, mas guardo e isso é sempre sinal de história. Neste dia preparava-me para uma conversa derradeira de uma história que me fazia sonhar e comer gelados na gelataria que acabou ao mesmo tempo que aquela história, há seis anos atrás, uns meses antes daquele dia e daquela noite em Paris.

Podia continuar por aqui fora. Lembro-me de mais uns quantos verões de histórias. Duns quantos 22 de agosto de aventuras. Mas posso dizer-vos que, tal como em todos os anteriores 22 de agosto, este é o melhor de todos. Moro na Áustria, tenho o meu primeiro emprego oficial, moro num apartamento com a melhor vista de Innsbruck e tenho a história de amor mais bonita. Além disto, hoje a 22 de agosto, o meu blog tem um novo rumo e um novo nome.

Eu não acho que tenha deixado de ser demasiado feliz para ser normal, mas a vida de um adulto nunca é só assim, inclui muitos ses, arrasta uma bagagem cada vez maior e estava na altura de dar um rumo mais correto à coisa. Aqui, escrevo, geralmente, sobre o lado feliz dos meus dias e do lado feliz de tudo o que há de torto nos meus dias. E isso, esse lado feliz do lado do torto é a cereja no topo do bolo para que tudo se encaminhe no caminho certo e para que não entremos em depressões com a rotina e as chatices do dia a dia. No entanto, eu sou mais pessoa de mirtilos e menos de cerejas. As cerejas são bem vindas, mas os mirtilos não têm caroços, comem-se de uma só vez, sem empatar; têm um sabor menos doce, mais característico, e quem gosta deles, adora-os, quem não gosta, eles não se importam. E é esse mirtilo, seletivo, que não é para todos, que eu quero no topo dos meus bolos todos os dias.

P.S. – Quando era miúda, o meu pai jogava para um sorteio na papelaria onde comprava o jornal todos os dias. Quando era eu a escolher, o 22 não me falhava. O 22 são dois cisnes, sabiam?

 

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