A idade e o discernimento

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Numa semana algures em setembro, chegava a Campanhã e via o ar furioso da maioria dos passageiros ao encarar o caos do dia do comboio do caloiro.

Para quem desconhece, é o dia em que os caloiros do Porto vão todos a uma outra cidade académica. A CP tinha tudo muito bem estruturado para que fosse possível uma circulação normal, mas ainda assim, eram oito da manhã e aquela malta cantava que se fartava e ocupava muito espaço. Compreendo o desagrado, mas só conseguia achar aquilo giro. Se é giro de se viver, é mais giro e muito confortável ver de fora, depois de ter passado por tudo.

Por outro lado, ter noção do discernimento e inteligência que os anos trazem, é o melhor de tudo. Ressalve-se, cantar e ocupar espaço às 8 da manhã como caloiro continua a parecer-me muito bem, mas ouvir malta mais velha, de cerveja na mão, bem de manhazinha, a dizer:

– Até estou bem, bebi pouco durante a noite,

já só me parece ridículo. Isso sim, faz-me ver o quanto aquelas pessoas, pelo menos depois da faculdade, irão perceber que álcool durante a noite toda só faz sentido se for de qualidade. Coisa que nunca acontece porque a carteira não permite, convenhamos. Depois da faculdade, ou nos apercebemos que álcool não é para nós, ou preferimo-lo de forma mais moderada, mais social. Quero acreditar que já ninguém faz a parvoíce de beber com o único propósito de se embebedar. Lembro-me de metade da residência onde morei em Erasmus comprar um litro de vodka por 3 euros e bebê-la antes de sair para dançar. A quantidade de neurónios afogados na percentagem de alcoól que lhes corria no sangue, não permitia anteceder a ressaca que se seguia e faziam isto por meses a fio. Acredito que essa malta virou toda gente normal e alcoolicamente consciente. Se não virou, são alcoólicos puros e caminham fortemente para um cancro qualquer.

Por isso, maltinha, o meu conselho é que continuem a queimar neurónios com poucas horas de sono. Os dias são maiores, dá para estudar, cantar e fazer mais um monte de coisas fabulosas (para o currículo e para a vida). Já com a falta de critérios no que toca a álcool não é fixe, nem saudável. Vão por mim e racionalizem a coisa. 8h da manhã com cerveja é só degradante. 

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