A vida é mais bonita com Maçãs

Nunca imaginei que me poderia divertir tanto com maçãs. Há dois anos todos éramos incapazes de te imaginar pequenino, com pouco mais de meio ano, a comer bananas à dentada. Depois, a engolir mirtilos à velocidade com que a máquina da roupa a torce. Esta foi, a par da fruta, uma das tuas maiores paixões. Ver a máquina a rodar, com o mesmo encanto que tens por ventoinhas, por chaves em fechaduras, por rodas e almofadas fora do sofá. Batias palminhas e tudo quando te surpreendias com a maravilha de descobrir coisas novas. Agora, pequeno menino, pouco ou nada bebé, que corres muito rápido, és decidido e já nem precisas de ajuda para ligar o YouTube, vê se começas a falar. Mas mantém essa paixão por fruta e por maçãs vermelhas gigantes. É tão bom ver o mundo pelos teus olhos!

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Camas, três

Dou por mim a dormir em três camas diferentes numa semana. Sinto-as todas como minhas, em três casas, mas todas minhas. Sentir-me igualmente bem nas três demonstra a minha facilidade em viver em qualquer lugar. Ou pelo menos em qualquer lugar com uma cama gigante. Isso ou um distúrbio qualquer de apego e anti sossego.

Autárquicas vistas de longe*

Tem muito que se lhe diga, isto de seguir as eleições Autárquicas no meio dos Alpes. Consegui ser puramente analítico pela primeira vez na vida no que toca a eleições, talvez porque a minha condição de emigrante não me permite votar antecipadamente e o trabalho me impedia de me deslocar a Portugal.

Devorei todas as notícias, vi todos os vídeos e debates e li (com contentamento diga-se, uma vez que as ideias para o concelho começam a florescer) todos os programas eleitorais.

Como em todas as boas eleições, houve resultados que não esperava. Contudo, como esses têm mais que dizer, vou começar por falar daqueles que não me surpreenderam.

OS ESPERADOS

Paramos: mais umas eleições, mais uma maioria absoluta para a lista encabeçada por Manuel Dias. Uma lista com pessoas conhecidas, com espírito associativo, trabalho demonstrado e os pés bem assentes na terra quanto ao que se pode, ou não fazer. Ideias megalómanas de incubadoras de start-ups numa freguesia envelhecida (mesmo que muito ativa socialmente), não foram páreo para o pragmatismo e honestidade dos Independentes de Paramos.

Anta e Guetim: um concelho um pouco desconhecido para mim em termos políticos. Vitória mais do que esperada de Nuno Oliveira, um candidato, que à semelhança do supracitado Manuel Dias, é um homem do povo, da Igreja e que fez um excelente trabalho na dinamização da freguesia. A partir de agora voto lá, o que vai implicar um pouco mais de leitura sobre esta realidade.

Espinho: a Junta de Freguesia de Espinho será encabeçada por Alves Ribeiro. Depois de imensos anos de Rui Torres, com candidatos desconhecidos e pouco interessantes para o panorama municipal, ganhou o homem com o nome mais conhecido. Faz juz à família: idónea, com valores e de renome. Os resultados resultam numa vitória, mas sem maioria, o que vai levar à necessidade de acordos ou, em último caso, repetição de eleições.

OS INESPERADOS

Silvalde: O PS volta ao seu maior bastião na concelhia. É a realidade que melhor conheço. Foi, contudo, uma vitória para mim inesperada. José Teixeira não era um candidato com um passado fácil em Silvalde, depois de ter feito parte de Juntas e do Conselho Desportivo. Fez a sua campanha por entre os pingos da chuva, sem darmos muito por ele, mas fê-la bem. Falar ao coração socialista de Silvalde é coisa fácil para quem sempre foi uma das caras do PS na freguesia e no concelho. Ganhou, com um PS renovado, mas sem maioria. Terá que negociar com o PSD do Tozé e o SIM do “Quim da Loura”. Foi uma bonita campanha, ao contrário das passadas, com muito respeito e elevação. Caso Joaquim Costa tivesse continuado no PSD teria sido mais uma maioria, mas mostrou bem o quão respeitado e em boa conta é tido na freguesia. Creio que o PSD merecia mais um mandato pelo trabalho que fez e por ter o melhor dos candidatos.

Câmara Municipal de Espinho: Espero não estar a induzir o leitor em erro. A vitória de Pinto Moreira era mais do que esperada. A boa votação de Nuno Lacerda também (especialmente tendo em conta o panorama nacional). O que eu não esperava era que Leonor Fonseca não conseguisse nenhum mandato para a CME. Como eu lhe disse há uns tempos atrás, a Leonor é a pessoa certa, no momento errado. Fiquei com a sensação que houve alguma precipitação (pressões externas?) para se candidatar e uma campanha muito concentrada no Bairro Piscatório e Espinho, poucas vezes nas freguesias. Sem um aparelho partidário por trás, teria conseguido uma melhor votação. Esperava que conseguisse um mandato, contudo. E se o tivesse conseguido, Leonor seria mais importante ainda para o equilíbrio concelhio do que se fosse presidente. Sem ela no executivo, o PSD tem maioria e vamos ter mais quatro anos do mesmo (interprete o leitor este “mesmo” de uma forma puramente neutra, não me cabe a mim ou a este texto o trabalho de julgar). Com ela, teríamos um equilíbrio de forças, sendo a Leonor o sétimo elemento e, muito provavelmente, o elemento de desempate democrático de ideais na nossa Câmara. E todos sabemos o quanto estamos a precisar disso. Curiosamente, o candidato com quem partilho mais ideias talvez seja Delfim Sousa. Gozei um pouco com o seu estilo e com as suas (icónicas) fotografias de campanha, mas mostrou uma sensibilidade para os problemas logísticos e naturais da cidade que mais nenhum candidato viu. Estragou, contudo, o seu programa ao achar que em Espinho se faz política como numa grande cidade, dando mais ênfase ao show-off do que às ideias ou a fazer-se conhecido. Espinho é pequenino, sabemos bem o que queremos e em quem estamos a votar e tiramos a pinta a intrujices.

Como nota final, gostava de deixar um desafio. Todos sabemos que, em Espinho, os aparelhos partidários mandam. Irão sempre abafar as ideias diversas dos mais pequenos partidos ou movimentos. Que as Leonores, os Delfins e os Blocos desta vida pensem em juntar-se num movimento democrático e tentem conseguir mais representatividade. Talvez assim as vozes de todos sejam ouvidas. Mas eu sei que não dá, há muito testo e pouco tacho.

*a autoria não é minha, mas aqui fica uma opinião, agora que os ânimos acalmaram, os vencedores tentam pôr mãos na obra e os vencidos recatam-se por mais uns tempos.

É o fim do desafio

Sara Maria, no expoente da sua loucura, propõe-se a 30 textos em 30 dias. Não aconteceu, foram só 25. Mas é a vida e a minha tem sido uma loucura tremenda. Ando a saltitar entre dois trabalhos e uma casa com assuntos e móveis para tratar. Em Setembro houve uma guerra grande para se escriturar a casa dentro dos prazos acordados. Aconteceu mas trouxe muito stress e embora eu nem seja de stressar muito, desta vez não houve espaço para calmas. Foi o mês de decidir a cozinha, de pedir a eletricidade e a água e de abrir a época de visitas ao IKEA. Já temos um sofá azul e uma cama maravilhosa. Já temos mais uma catrefada de coisas emprestadadas e já me perdi de amores pela Zara Home. Já tive um monte de gente lá em casa a carregar coisas até ao quinto andar, oferecendo cerveja em troca. Já montei móveis e também já os desmontei por não gostar. Já dormi uma sesta na minha futura cama e gosto cada vez mais da casa nova.

E assim foi, o fim de setembro chegou e em outubro quero pintar paredes, euzinha, a loucura. Quero escolher móveis e montá-los. Há roupas de inverno para ir arrumando, muitas janelas para limpar, um carpinteiro para arranjar. Vou tirar umas pequenas férias, tentar que sejam puras férias com o mínimo de internet à mistura e, se o tempo ajudar, com direito a visitar um lugar que ando há muito a sonhar.

E o blog? Bem, o blog vai estar um pouquinho à deriva. Vou garantir um post semanal, mas o restante acontecerá ao ritmo que bem me apetecer. Em novembro regresso em força, prometo!

Outono

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Gosto de eleger o outono como a minha estação do ano preferida. Não falo do novo outono, do calor que faz no outono com cheiro a aquecimento global. Falo, pelo contrário, deste fresco que pede casacos. Deste nevoeiro que torna as manhãs mais frescas, as correrias para o comboio menos exaustivas e o corpo mais leve para trabalhar. Já disse que adoro casacos? De malha, quentes, para a chuva ou para a neve. casacos de muitas cores, casacos de muitos tecidos. O outono traz botas fofinhas, traz cores inigualáveis, traz o infinito das gotas de água de quando em vez.

Havia cozinha, mas já não há

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Havia uma cozinha no apartamento que compramos. Mas era preta e brilhante, o que significa que ia passar a vida nojenta e cheia de dedadas. Acreditem, eu conheço-me. Essa cozinha parecia nova e bonitinha, mas tinha um balcão em contra placado coberto por plástico, já meio partido. Tinha ainda uma coisa fantástica, um mau acabamento no canto em que os móveis terminavam. Sobrava espaço e até se via a canalização do exaustor.

Conclusão: a dita cozinha foi para o OLX ainda no dia da escritura. Dois dias depois estava vendida, graças à minha irmã-rainha-do-OLX, e os atuais donos já a foram buscar. Assim, fácil e rápido! Ficamos todos felizes: eles com uma cozinha barata, nós com mais uns trocos.

Já disse que adoro o OLX?