Há dois meses em casa

Uma casa nova é sempre um entusiasmo novo. Pensa-se no que se gosta, no que é mais funcional, onde se quer gastar dinheiro e onde não nos importamos de poupar. Lá em casa já temos tudo o que precisamos há dois meses. Entretanto topamos um ou outro ponto menos funcional e já andamos a planear alterações. Dominamos uma série de artes desconhecidas até então: desde a aplicação de candeeiros, aos  furos na parede e em madeira, ou mesmo como é que se abre um casquilho de uma lâmpada.

É pena não restar muito tempo livre para mais. Há uma ou duas paredes a pintar, um quarto cheio de tralha por arrumar e muito por otimizar. Mas falta o tempo. Não dá para saltar as tarefas básicas de roupa, comida e limpeza. E isso é uma verdadeira chatice e consumo de tempo. Enfim, adultez!

Há vontade de encher paredes de ilustrações e fotografia. Temos algumas coisas pensadas, mas falta a ação. Deixo-vos um pequenino vídeo dos locais onde passamos mais tempo e onde, nitidamente falta muita vida e alguns móveis. Mas lá chegaremos!

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Dias frios

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Sair de casa e não ter muita luz, as mãos sentem um fresquinho e guardam-se nos bolsos. Gosto tanto desta sensação! É o prenúncio de um dia como eu gosto.

Gosto da roupa de inverno. Os casacos quentes e longos, as malhas, as meias-calças opacas, as saias de tecidos grossos, os cachecóis. Adoro as gavetas das luvas, dos gorros e dos lenços. Ficam bonitas e fofinhas. Gosto de ver os vidros molhados, as mantas no sofá. Quase que até já gosto de guarda-chuvas, desde que transparentes!

Eu sei que são poucos os que compreendem o fascínio. Não há muitos que durmam mal com o calor. Eu durmo e é um dos meus maiores tormentos. Trabalho menos. Não sou grande fã de t-shirts e menos ainda de tops com alças, só uso sandálias se tiver as unhas arranjadas. Além do calor em si, é a logística do verão que me incómoda. Ora se sai de casa encasacado e se anda com o dito na mão para que não aconteça uma metamorfose para larva, tal é o pegajoso da pele; ora decidimos deixá-lo em casa e acaba-se o dia a bater o dente.

É por este flagelo que temo o aquecimento global. Não é o degelo dos glaciares nem a alteração da agricultura que mexe comigo. O que não gosto é do verão em maio a outubro. Podia ser sempre fevereiro! Sempre, aninho inteiro. Ai, ai, seria a minha praia.

Mais Óscares

Amiguinhos, faltam 19 dias para os Óscares e eu só assisti a 3 filmezitos. Decidir voltar ao exercício físico, ver os nomeados para os Óscares e encaixar todas as outras coisas é complicado. O blog, pobrezinho, tem ficado para aqui ao abandono, mais ou menos como o mundo em dia de Carnaval. Saí de casa às 8 e não havia carros nem pessoas. Foi tão estranho que olhei para o relógio de forma a garantir que não tinha acordado uma hora mais cedo.

Falando do que interessa, fui ver o The Post e gostei. Ora, não é assim muito surpreendente… nem a fofinha da Meryl, nem a fotografia ou a banda sonora. A história é boa, mas não é nova. A Meryl faz um papel para a idade dela e fá-lo bem feito, mas só isso. Ela já tem lugar cativo nas nomeações e é por isso que lá está. Vá, deixando a má língua de parte, a emoção que se sente a meio do filme agarra até ao final e o final românticó-fofinho deixa-nos encantados.

No que toca a pragmatismo, não há inovação e encaixa no que se diz por aí: os nomeados para o Óscar estão quase todos nesta categoria: bonzinho. Mais: qual é a cena dos cinemas NOS pararem o filme a meio? Como assim? Temos todos bexiga de formiga que não aguentamos duas horas sentados e sossegados? Já não me lembrava deste estigma da coisa, prefiro a UCI. E a ideia de adicionarem M&Ms às pipocas? Omigóóód! É criminoooso!

Fica o trailer:

 

O temporizador e a lavandaria

Morar num T1 é giro, fácil de arrumar e mais provável de não ser necessário um berro para comunicar de uma ponta da casa para a outra. Mas, há um grande mas. A tralha que inevitavelmente se acumula entre cozinha, escritório e lavandaria co-habita com o lugar onde se pára para um bocadinho de lazer.

Agora já não é nada assim. Já não tenho o estendal escarrapachado em plena sala, que também é cozinha e escritório. Agora, está cada coisa no seu lugar e o caos da roupa fica na lavandaria. Enfia-se tudo para lá e pronto, assunto resolvido.

Por outro lado, é péssimo para comunicar (às vezes nem com bons berros a coisa vai lá) e para limpar, uffff, a tarefa é bem árdua! Mas não pensemos nisso. Até porque há outras facilidades. Há espaço para caixotes que separam a roupa e facilitam as lavagens. Espaço para detergentes, roupas lavadas e dobradas e mesmo para as outras, sem dobrar. O estendal arruma-se junto ao teto e voilá, o espaço multiplica-se. Adoro a lavandaria.

Nos últimos dias tenho-a adorado ainda mais. Decidi experimentar a o temporizador da máquina de lavar roupa. Como não temos tarifa bi-diária no plano de eletricidade, achava um bocado inútil. Mas não é. Pondo a máquina a lavar de forma a terminar na altura em que chego a casa, não há preguiça, cansaço ou maleita que me possa desculpar. Não há “ooohhh, já não há tempo para lavar”, nem “estou tão cansada”. A roupa está lavada e não pode ficar noite adentro encolhida e molhada. E sabem que mais? É mesmo eficiente! Obriga-me a apanhar a roupa do estendal. Depois, como não vai ficar para ali ao monte, a dobrá-la. E estou, FINALMENTE, credo, quase sem roupa por lavar. Haja milagre, milagrezinho!

Já disse que adoro a lavandaria? E que o temporizador da máquina é a melhor invenção do século?

Transformar um candeeiro de teto

Há uma regra básica de decoração que está por esta internet fora: nunca comprar um ambiente completo. Isto é, se nos apaixonarmos pela decoração de um espaço numa loja, nunca devemos dizer que é para desmontar, embrulhar e entregar tudo. Porquê? Antes demais porque as áreas de um desses espaços nunca são as mesmas do que as da nossa casa. Depois porque a decoração deve dizer alguma coisa aos donos da casa e isso só se consegue com muita paciência, tempo e dedicação. Quando esta regra é trespassada, o resultado é, geralmente, não se gostar muito daquilo onde gastamos dinheiro, mais ou menos como se fosse a casa de outra pessoa qualquer.

Lá em casa as paredes ainda estão muito vazias. Ainda não há quadros nas paredes, nem prateleiras, nem o diabo a sete em ideias que tenho na cabeça. O melhor de tudo é que quando as vou pôr em prática tenho novas ideias, percebo que fazem muito mais sentido e me fazem gostar ainda mais do espaço.

Capturar

Tinha este candeeiro da Conforama na casa de banho e adorava. Mas havia um problema: o teto, em gesso, já tinha levado com outros candeeiros e estava bem esburacado. O candeeiro novo não disfarçava as mazelas e só pintando chegaríamos a bom porto. De planos para pinturas estamos nós cheio. Por isso, compramos uma solução mais simples e barata.

Mas restava um candeeiro giro, giro. Foi aí que me cruzei com uma imagem que me fez saber exatamente o que iria fazer com ele: ia transformá-lo num candeeiro para a mesinha de cabeceira.

A luz para as laterais da cama estava planeada ficar fixa às paredes ou vir do teto. A segunda opção ficou por terra quando demos conta da trabalheira da coisa. Enquanto que a primeira opção estava só a ser adiada.

Compramos uma lâmpada bonita com luz quente, um cabo com interruptor e pronto a ligar à corrente, encaixamos a coisa num casquilho (e a maravilha de compreender o funcionamento do casquilho?) e voilá!

E pronto. Está assim bonito… pelo menos para nós que somos um bocadito loucos. 😏

Óscares 2018 a fervilhar

Coisas boas de estar em Portugal? Ir muito mais vezes ao cinema! E nada melhor do que os Óscares a caminho para motivar as idas ao cinema. 

Há uma semana aproveitamos a promoção da yorn das terças e fomos ver o filme sobre o Churchill, Darkest Hour, A Hora mais Negra. Não me admira a nomeação do Gary Oldman para melhor ator, um papelão! Já para melhor filme… ah, não, não, nada disso. A certa altura estava a ver as horas, a dizer para mim mesma que no dia a seguir teria de acordar cedo e que estava para ali, àquelas horas e longe da minha cama.  O filme rondava muito a personagem, pouco a história e é muito mais ou menos para ser nomeado como melhor filme.

Já o Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, nesse não tinha horas. Foi na sexta feira. Saí do trabalho, nem fui a casa e evitei cair no erro de me auto recriminar, pensando no caos que estava instalado, na roupa que, sacana, não sai sozinha do estendal e no pó que nasce por geração espontânea. Não, nada, disso, nada de trabalhar mais em casa do que me divertir, principalmente, fora dela. Sem auto-juízos de valor, fomos ao cinema e valeu por uns quantos filmes de tão bom que foi.

Se a premissa do filme dá ares da coisa ser assim muito para o americana. É o tipo de histórias que só acontece por lá e está presente o tipo de mentalidade que aqui não se alimenta. A premissa faz-me lembrar aquele tipo de documentários ao estilo Making a Murderer, para os quais eu não tenho paciência. Mas a verdade é que o Pedro queria ver e a nomeação tornava-o atrativo.

Resultado? O filme é do caraças! A história base é o menor dos destaques. Há esse drama como base, sim, mas o jogo de emoções, que fazem gargalhar durante um drama, faz o filme. É daqueles filmes que incomoda e de onde se sai sem uma descrição na ponta da língua. Merece o Óscar, caneco! A Frances McDormand merece o Óscar!

Ai, ai! Não dá para tirar uns dias de férias só para limpar os filmezitos todos, não? 

Onde anda a cabeça?

O carpinteiro já cá veio terminar o trabalho e os 5 bolbos que plantei estão a dar trevos de quatro folhas. Ah, sensação boa de etapa terminada.

Falta só pôr as roupas que por aí andam em ordem e está tudo bonitinho, limpinho e no seu lugar. Os planos para a noite são simples: cozinhar, roupas e um pouco de trabalho. Ao chegar à cozinha há água a espreitar de um canto. Não podia ser coisa boa. Arrastei o frigorífico, vi a inundação que para ali ia. Limpei. Percebi a fome que tinha e decidi encomendar uma pizza. Pus a roupa mais urgente na máquina de secar e continuei a limpar. Percebi que havia água até à outra ponta da cozinha. Deixo cair uma moldura que se parte. Desespero. Abro a porta para a pizza e enfardo-a a mil à hora. Tomo um banho, faço com que o varão da cortina caia, caio eu ao tentar colocá-lo e desisto. Lavo os dentes, sento-me ao computador e percebo as horas. Decido dormir com tudo como está, assim mesmo.

Há roupas em cima da mesa, mantas por dobrar, águas por limpar e lixos por levar. Mas não faz mal, preciso de começar a semana sem sono e acordar sozinha.

Bem,  a verdade é que sairei tarde para o trabalho, deixarei o carro em Gaia e sigo de metro. Ao final do dia, vou fazer a rotina normal de regresso. Metro e comboio. Ficarei sem bateria no telemóvel e irei aperceber-me que deixei o carro em Gaia, acabarei por decidir apanhar um táxi para não me atrasar no destino.

É um estado de meio abananada, enfim. Há dias em que a minha cabeça não acorda em cima dos meus ombros. Deve andar por aí nos ombros de alguém sem trabalho. É literalmente um desses dias. A minha esperança é que se tenha cansado do passeio e esteja de regresso.