Um cheirinho a mudanças

Tenho alguns posts em rascunho, uns dias de férias a caminho e acho que tudo junto vai resultar em novidades no blog. Por enquato fica um cheirinho mínimo do que tem sido o início das mudanças!

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Há plantas!

Tenho para mim que uma casa só adquire o estatuto de lar quando inclui plantas. Essa casa pode não ter móveis, eletrodomésticos, pode até não ter mais do que o chão para sentar, mas com flores e verdes torna-se logo um bocadinho mais pessoal, mais meu, mais aconchegante.

A minha casa nova está cheia de produtos de limpeza e lá pelo meio, há também, verdes e flores!

Casa comprada!

Está comprada. E eu estou tão feliz. É assim como que um projeto concluído, melhor do que o fim de uma tese. Se o fim da tese é um alívio, um deixem-me fugir que nunca mais me apanham por estas andanças (ainda que a opinião mude mais tarde), isto é um fim com sabor a começo.

Os últimos tempos têm sido sempre assim, com a adrenalina no topo, com muitas coisas a começar. Com muitos projetos bons, desafiantes e grandes em mãos, com muitas coisas que combinam comigo e que me fazem crescer. Esqueçam a altura porque a verdade é que tenho crescido a um ritmo de muitos centímetros por semana.

Tem sido tudo um grande desafio. Com o Pedro à distância, tudo é resolvido comigo, tudo passa por mim. E se não é a situação ideal para mim, também não o é para ele que queria estar por cá, ajudar e viver mais de perto tudo isto. Mas não consigo deixar que as coisas esperem, não consigo e não faz sentido dessa forma. Então, hoje, depois da escritura, descrevi tudo o que me lembrei. Desde a quem estava, onde estava, ao tempo que demorou e ao que foi falado. A descrição foi tão pormenorizada que não há como que a ideia seja só virtual, tornou-se quase palpável e isso é bom.

Depois fui deixar um bonito ramo de flores, que me foi gentilmente oferecido, ao apartamento para que não ficasse tão vazio. E, sabem, está cada vez menos vazio. Pelo menos na minha imaginação.

Meios e fins

Daqui a pouco vou assinar papéis, muitos papéis. Daqui a pouco esses papéis serão lidos e é o tipo de situação em que os fins justificam os meios. Quero muito comprar a casa, mas os papéis que falam de hipotecas e crédito à habitação dão cabo de mim. Fico ansiosa ao lê-los, sinto-me pura e profundamente roubada, enganada, aldrabada. Não há nada de bom ali escrito, não há nada bom em escrever que se paga um determinado valor quando no final das contas esse valor é muito mais elevado. Ler isso e assinar, concordando com o que está lá escrito, quando não concordo, quando não combina comigo aborrece-me. Começo a ficar com calor, a hiperventilar.

Ao ponto de ontem me ter recusado a reler os documentos. Confiei em quem os leu, em quem os reviu e não reli. A única forma de concluir o processo é assinar e eu assinei, contra todos os meus instintos.

Daqui a pouco vão ler e ou começo a assobiar para o ar, sorrindo e acenando, como se nada se passasse comigo, ou hiperventilo. Juro que não compreendo como é que, em certa altura, toda a gente pedia créditos de forma leviana. Não compreendo.

Em loop

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Domingo à noite, sentada na cama de pernas cobertas e o computador por cima. Trabalho um bocadinho mais para tentar que a semana flua melhor. Os planos saem furados quando, ao contrário do meu normal sono pesado, fico uma hora acordada, a meio da noite, porque o meu cérebro ficou preso ao computador. Tenta continuar a escrever, tirar nabos da púcara, desvendar o que não se desvenda a dormir. Acho que é disto que falam quando descrevem insónias.

Ligo o telemóvel e saltito entre o Instagram e o Pinterest. São as fotografias de casas bonitas que invadem as minhas redes sociais que me distraem. Depois de pousar o telemóvel, são as técnicas de meditação que me devolvem o sono. A semana começa duas horas depois, num loop infernal.

Sete da manhã, ouço qualquer cois a tocar e, gradualmente, entendo que terei de acordar, olho para o telemóvel e defino que me vou levantar dali a x minutos ou porque é o limite para não me atrasar (muito), ou porque perfaz minutos certos, 20, 30 ou 40. Enfio a roupa que penso durante os minutos em que me mantenho dentada, passo um pente no cabelo e praguejo por ter lavado o cabelo e não o ter penteado. Escovo os dentes, enfio as sapatilhas e odeio a fraca qualidade com que a Adidas me tem presenteado. Tenho de começar a encaixar o pequno-almoço que raramente acontece. Pego na mochila, na lancheira, nas chaves e defino o melhor trajeto e o melhor estacionamento ao sair de casa. Não falha. Corro, saltito e cambaleio até ao comboio.

Trabalhar na baixa do Porto é tão bom, tão bom que em 40 minutos saio do carro e chego ao trabalho. O dia de trabalho voa, invariavelmente. E depois voo eu para um segundo espécie-de-trabalho. Depois de tudo isto, à noite, há sempre o que tratar. Ou o dentista, ou outra coisa qualquer relativa à casa. Dali a nada o despertador toca outra vez e só ao domingo de manhã me deixo dormir, descontrair, ficar na cama o tempo que me apetecer.

Como dizia, é um loop infernal. Mas é o loop infernal que combina mais comigo, mais do que a bela e calma vida que tinha na Áustria.

Voltei ao exercício e passei-me!

DSC_0307 - CopySetembro, querido Setembro. Mês de regressos, reinícios, novos desafios e novos desejos, um ano novo, muitas vezes mais produtivo que janeiro. Para mim, depois de um mês de adaptação a novas rotinas, planeei voltar ao exercício. Escolhi um lugar que não me obriga a pagar mensalidades, menos ainda fidelizações e onde não tenho “malta da Zumba” que só quer dançar em vez de querer fazer exercício à séria. Queria fazer Cross-Training uma vez por semana. Caminho o mínimo necessário para a saúde no dia a dia, falta-me só complementar com um treino de força. Esta semana fiz o meu primeiro treino e tenho várias coisas a dizer sobre o tema.

1. Mulheres em soutien
É uma moda que ainda não compreendo. Por que raio é que hoje em dia a malta só faz exercício em soutien? Quais brasileiras a fazer exercício na praia! Na Tugalândia, é dentro e fora de portas, com um nevão ou um tufão, sempre em soutien para que se vejam os abdominais. Talvez seja uma técnica de engate e eu é que ainda não atingi. Tenho de ficar atenta, talvez as mulheres que treinam de soutien sejam as solteiras. De qualquer forma, é uma maneira nada inteligente de chamar à atenção.

Ainda dentro deste assunto da aparência, quando é que passou a ser moda usar maquilhagem e roupas caras para suarmos?  É muito parvo, por sinal. No final de um treino ninguém cheira bem e a base que está na cara, com o suor tem um efeito adverso: não fica bonito e parece muito mal. Ou então, mais uma vez, sou eu que estou desenquadrada.

A verdade é que já ninguém treina com t-shirts com publicidade. Pelo menos nenhuma mulher além de mim. Já ninguém treina de t-shirt e ponto. Top é vestuário de exercício, t-shirt não. E reparem, eu até estou magra, podia ir de top ou soutien, mostrar como estou em forma e sambar para as inimigas. Até treinei durante muito tempo em fato de banho, mas mostrar a barriga ao mundo com um frio do caraças lá fora nunca foi bem a minha cena.

2. Gemidos e exageros
Chegados àquela parte do treino em que se usam pesos, é ver a malta a enlouquecer. Eu, pessoa privada de músculo na atualidade, sei que o dia seguinte vai ser doloroso, mesmo que carregue um só quilo. Por isso, vou, entre as pingas da chuva, procurar o menor peso que exista na prateleira e sou invariavelmente questionada se não quero um peso um bocadinho maior.

O oposto de mim é a malta que geme a levantar pesos, qual Serena Williams no ténis. Pegam no que lhes apareça à frente com mais 20kg daquilo que são capazes de pegar e morrem à primeira elevação. Não consigo achar isso saudável. O músculo é estimulado, sim senhora, mas e as articulações? Os pobres joelhos e ombros que, quando não bem acompanhados por músculos capazes de sustentar o peso, levam com carga e inflamam?

Exercício, sim, esforço, também. Mas exagero, não!!!

3. Competição
É neste ponto que me perdem e me fazem duvidar se estou no sítio certo. “Demoraste não sei quantos minutos e tu não sei quantos mais x”. Não. Eu não vou a nenhuma competição de halterofilismo, ok? Preocupo-me muito com a minha saúde e esforço-me para torná-la promissora. Mas acredito que para isso é necessário bom senso, não competição. Superação e competição são patamares diferentes.

No fundo, eu procuro o espírito da malta do Yoga no Crossfit, não se arranja?

4. Apagão cerebral
Depois do treino estava tão cansada que até apresentava sinais de fadiga. Acho que o meu cérebro estava pouco oxigenado, ao ponto de não me deixar pensar. Foi então que me ligaram com uma proposta. E eu, pessoa sempre com tempo, aceitei. Foi falta de oxigenação cerebral, de outra forma não teria sido levada tanto pelo coração. 

Acho que deve ser do ambiente. Todo este distúrbio mental que leva pessoas, aparentemente sãs, a usar soutiens para fazer exercício, tanto quanto roupas caras, abusam da capacidade saudável do corpo e competem para ver quem é mais rápido a levantar peso, afetou-me. E eu ocupei mais 6 horas da minha semana de forma deliberada.  

Quanto a esta história dos ginásios e dos cromos lá observados leiam esta sátira sobre as camisolas caveadas.

 

O momento em que prefiro um Apartamento

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Quando eu penso que os planos e tentativas iniciais foram no sentido de construir ou reconstruir uma casa maravilhosa com um jardinzinho em pleno Espinho, sinto um misto de sensações que se prendem entre o “gostava tanto” e o “Deus nos livre e guarde”. Se fazer uma decisão informada de uma cozinha se parece com uma travessia no deserto, imaginem-me a procurar o bom, bonito e barato entre o mundo das portas, das torneiras, das janelas, das tintas, dos revestimentos e do diabo a sete!

Felizmente estou bem resolvida com a decisão e não passo a vida a dizer que o que eu gostava mesmo era de uma casa, mas isto foi o que se arranjou. Não há nada pior do que lamentar decisões por anos a fio. O apartamento que escolhemos deixa-me realizada o suficiente e tem muito potencial de otimização. Tenho a certeza que vamos tirar partido do melhor potencial dele.

Bem, mas não são tudo rosas. O problema está no entretanto, no momento atual, em que ainda não tem nada dentro e temos de construir o tal “melhor dele”. Felizmente não tenho de fazer paredes e, felizmente, não precisa de ser tudo feito ou refeito para nos encaixarmos lá. Mas há janelas por arranjar, paredes e portas por pintar. Não há uma boa cozinha, há móveis ultrapassados, fios perdidos por cantos, espelhos de tomadas de diferentes formatos. E isto, só isto, que vai ser feito com tempo e connosco a morar por lá, já vai ser o cabo dos trabalhos.

Não dá para passar à frente esta fase inicial? Assim como que um teletransporte temporal? Ou então espacial para trazer o Pedro até cá e não fazer tudito sozinha? É que se mandar fazer um sofá e uma cama foi fácil “faça tudo desta cor, linhas retas e com estas dimensões”, tomar decisões sobre a cozinha é o fim do mundo – materiais interiores, exteriores, configuações, espaço para isto e para aquilo, fácil de limpar, aparentemente sempre arrumado, funcionalidade maximizada.

Mas assim que os móveis começarem a co-habitar comigo eu conto as histórias todas, conto como ter um apartamento tem vantagens (até para mim) e mostro como só faço boas escolhas!!