A Caixa Multibanco Roubou-me!

Adoro a expressão “Saúde Financeira”. É tal e qual como com a nossa saúde (pessoal). Temos sempre de encontrar um equilíbrio entre o bem estar físico, o bem estar mental e, consequentemente, um equilíbrio entre o exercício que fazemos, os alimentos corretos para o corpo e os corretos para a alma. E nunca esquecendo as análises de rotina que ajudam a avaliar o que não se vê ou se sente com precisão. Nas finanças os balanços e análises são essenciais para percebermos onde andamos, prevenir que descambemos, poupar quando está pior do que devia, guardar quando sobra. Temos também de saber que os imprevistos, as doenças das finanças, acontecem. Há que reconhecê-lo e trabalhar na prevenção.

Vou contar-vos uma das minhas histórias. Aconteceu quando chegávamos a Atenas de Santorini e encaixa-se aqui na perfeição.

Antes de mais, viajar como nós o fazemos, de viagem e dormida marcadas, um ou dois pontos que queremos muito cobrir e o resto no lugar se vê (apenas com a regra de que dormir é para fracos) é tão bom como assustador. E pode correr maravilhosamente bem, como pode calhar gastarmos um pouco mais do que o necessário.

E mais: na generalidade das vezes eu confio nas pessoas e nos sistemas. Antes dos 18 anos já tinha feito uma viagem com amigos, comprei as viagens na internet e reservei tudo sozinha. Nessa mesma viagem fomos assaltados e, depois disso, tudo me parece normal. As compras online são o meu dia a dia e não me assusto minimamente com a hipótese de me burlarem. Como não? Uso quase sempre as mesmas plataformas que funcionam com outros milhares de pessoas. Porque haveria de falhar comigo? Outras vezes é mais o “se falhar comigo, é pura aleatoriedade e, à partida, não será culpa minha”. Bem, mesmo assim, nunca pensei que ao levantar dinheiro num multibanco algo corresse mal.

Estávamos dentro do barco, prestes a atracar quando nos dirigimos para a saída. Tínhamos decidido levantar dinheiro antes de sair do barco e foi o que fizemos. Mas, com os solavancos do barco, correu qualquer coisa errada com a caixa multibanco, que fez o procedimento todo certinho, só não abriu a porta das notas. Não deu erro algum e o dinheiro saiu imediatamente da nossa conta. Disse ao Pedro para esperar junto da máquina e fui reclamar.

Primeiro, apareceu-me o chefe da tripulação que disse que não podia fazer nada. Retorqui que então não saía do barco. Não saía sem o meu dinheiro (qual peixeira!). Não era uma coisa muito simpática a fazer dado que estávamos ali quase há meio dia e que era quase meia noite. Com a falta de resolução dirigi-me à receção, onde um rapaz, bem grego e despreocupado, disse que não podia fazer nada. Repeti que não saía dali sem o meu dinheiro, que já tinha tentado ligar para a assistência do banco e não consegui falar com ninguém. E o tal rapaz, bem mal educado, respondeu-me que não podia fazer nada. Passei-me.

– Então mas isto acontece no vosso barco e não pode fazernada????
– O barco não é meu.
– Comoooo? Se trabalha para a empresa que possui os barcos, está a representá-los.
-(…)
– Se não tem forma de me dar o dinheiro, escreva-me alguma coisa de como isto aconteceu aqui, com data e hora.
– Não posso fazer nada.
– Como não pode fazer nada? Não saio daqui sem o meu dinheiro.

Entretanto o primeiro senhor voltou para tentar solucionar a situação. Percebeu que estava a ser bem educada, mas que não me vergaria com facilidade. Então, colocou a voz e, num tom calmo, repetiu que não podiam fazer nada. Explicou que só o banco é que pode abrir, que àquela hora ninguém iria lá e que o melhor a fazer seria mesmo ir para casa e ligar de manhã. Estávamos possuídos. Como assim, sem dinheiro? Nem sequer íamos levantar 20 ou 30 euros. Eram 200. Duzentos!

Dormimos sobre o assunto e na manhã seguinte ligamos novamente para a assistência, em teoria, 24 horas. Disseram que tinha de ser o nosso banco a pedir o reembolso, que tinham formas de confirmar se realmente acontecera. Eu só pensava que ao ligarem o barco de manhã, a caixa multibanco ia funcionar e alguém ganharia 200 euros à nossa custa. Enviamos um email ao nosso gestor de conta austríaco. Fomos a três balcões do banco e, no terceiro, depois de uns valentes minutos de espera, a sentença: isso só por telefone.

O gestor de conta confirmou que já lhe aconteceram casos semelhantes anterioremente. O chato é que já passou um mês e nada de duzentos euros! No entanto, é daquelas coisas nas quais não temos culpa e temos de manter a possibilidade em mente sem acharmos que fomos roubados ou aldrabados.

IMG_20170630_002143Esta fotografia foi tirada logo a seguir ao sucedido. Estão a imaginar-me com aquele ar de crianças a reclamar dinheiro e a ameaçar não sair do banco, não estão?

Comprar e não Alugar

É a loucura! Decidimos comprar casa e há um sem fim de coisas para contar sobre o tema.
Acompanhem, às segundas em julho, as diferentes crónicas. Tudo sobre o tema poderá ser encontrado AQUI.

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“Mas que loucura!” é a reação de uma grande das pessoas da minha faixa etária quando anuncio que vou comprar uma casa em vez de continuar no maravilhoso mundo do aluguer. É uma loucura consciente e há boas razões para fazê-lo.

1. Motivos Emocionais

A casa onde moramos não é só o lugar onde dormimos, cozinhamos e tratamos de todas as coisas chatas do dia a dia que são implicadas na sobrevivência, é o lugar onde vivemos. Viver implica criar afetividade com pessoas e com coisas. Uma afetividade material, quando de forma saudável, não é errada. Faz-nos querer cuidar, preocupar e traz-nos sensações boas. Alugar uma casa na perspetiva de que seja temporário só porque se tem medo de mudar de ideias, de afinal querer mudar de cidade ou de estar cheia daqueles metros quadrados, no meu ponto de vista, significa uma coisa: falta de compromisso. Se alguma coisa corre mal, é sempre possível vender, há sempre soluções. Não podem ser essas as razões na casa de partida.

2. Construção de Património

Se em números brutos o investimento numa casa comprada é maior, o que há a dizer quando, um dia, o senhorio quiser terminar o contrato de arrendamento e todo o dinheiro gasto não se traduzir em mais nada? Comprar é investir dinheiro que, à partida, valoriza. É um investimento que um dia estará pago e pode resultar numa alojamento para o resto da vida, ou num imóvel a ser vendido na troca por outro.

3. É meu e sou eu quem Manda

Na casa alugada há uma série de direitos e de deveres. Normalmente favorecem o arrendatário, mas e se eu não quiser responder a ninguém? Há lá coisa mais chata do que perder a chave de casa e ter de o reportar ao senhorio? Ou haver queixinhas na reunião de condomínio a terceiros sobre o barulho da festa lá em casa? Ah, é bem chato e desconfortável. Prefiro mil vezes que seja meu e pronto.

Agora vou até ali resolver umas mil e trezentas coisas chatas que esta coisa gira de comprar casa implica. Há mais para a semana!

 

Saúde Financeira parte do Dinheiro a Entrar

Enquanto não consigo terminar a publicação da rúbrica “Cérebro de Gorda”, deixem-me saltar já para a “Saúde Financeira”. Vou falar-vos sobre a loucura das minhas últimas duas semanas, sobre trabalho e sobre preconceitos quanto a trabalho. Sabiam que a base de uma saúde financeira está na entrada de dinheiro? Parece lógico? Às vezes não é.

Quinta-feira, 7 de julho
Hoje foi o dia. Foi o dia de explicar a um chefe que por aqui já não era o caminho. E ao contrário do que imaginava sentir, ao contrário do alívio, satisfação, pujança para o que aí vem, só sou capaz de me sentir um farrapo. Uma louca, uma pessoa sem noção da realidade, do quanto é difícil arranjar trabalho e na área que se estudou. Simplesmente porque o caminho já não é por ali. Mesmo que eu tenha ideias sem fim, ideias concretas, ideias que encaixam umas nas outras na perfeição. Mesmo com toda a consciência e racionalidade da decisão, isto abala uma série de estereótipos que estão tão enraizados ao ponto de me fazerem duvidar de mim mesma.

Terça-feira, 12 de julho
Estou no aeroporto de Zurique. É quase meia noite, o meu voo era há uma semana atrás e eu preciso de chegar amanhã a Portugal. Na semana passada, depois de me sentir um farrapo, numa agência de trabalhos temporários, candidatei-me a meia dúzia de posições. Quando estava no autocarro para cá, ligaram-me para que fosse a uma formação na quinta, o trabalho começa na sexta. Tenho de passar também num café que estão à procura de pessoal. Não sei o que sairá daqui. Mas tenho de chegar amanhã e que fique com o trabalho. A minha consciência precisa de escapes de compensação para o dinheirão que me vai custar a viagem de volta.

Quarta-feira, 13 de julho
Estou de direta. Consegui comprar uma viagem mas já não consigo passar hoje no café. Estou muito cansada e não consigo deixar de me sentir ridícula com o erro da viagem. Tenho muitos euros desperdiçados esta noite e tenho de os compensar DÊ POR ONDE DER.

Quinta-feira, 14 de julho
Já fui à formação e o trabalho começa MESMO amanhã. É um trabalho de promoção/comercial, em que falo sobre colchões. A coisa até calhou na altura certa. Uma pessoa pensa em comprar uma casa e daí nascem umas mil e quinhentas necessidades de informação. O colchão é, sem dúvida, uma delas e eu estou uma pró! E, melhor, pagam bem para xuxu! Estar oito horas DE PÉ é que não dá muito jeito. Ainda vou comprar meias de descanso que tenho uma circulação de velha de 87 anos, sapatinhos pretos e blusas brancas. As camisas só as uso com casacos de malha porque ora pareço grávida e fazem fole nas costas, ora abrem nas mamas. Além de me sentir a bela da empregada de mesa. E as t-shirts brancas parecem pijama ou roupa interior.

Sexta-feira, 15 de julho
Não me queixo do trabalho. Foi mais fácil de o arranjar do que estalar os dedos. É bem pago, não inclui pressão e não tenho de impingir nada a ninguém. Mesmo assim, eu sou pessoa que gosta de trabalhar e é psicologicamente mais cansativo atender cinco pessoas em oito horas e estar de pé do que trabalhar durante 12 horas.

Segunda feira, 18 de julho
Se bem me lembro, a ideia de trabalhar era coisa para conciliar com a possibilidade de estudar e estas 40 horas de quarta a domingo não o são. Além disso, já percebi que o trabalho é muito cansativo de tão calmo que é. De Esmoriz a S. Félix há uns 10 supermercados… comecemos por Esmoriz.

Terça-feira, 19 de julho
Olha, ligaram-me do primeiro supermercado onde fui. Tenho entrevista amanhã.

Quarta-feira, 20 de julho
Os meus pés já estão habituados a estar de pé e já nem nas últimas horas doem. Tão bom! A meta atual é fazer este trabalho até ao final do mês. Faltam 9 dias! A entrevista correu tão bem, tão bem que se não ficar é porque apareceu alguém com 25 anos de experiência em caixas de supermercado. Antes da entrevista o gerente já sabia que me queria e o que queria que eu fizesse. Vamos lá rezar!

Quinta-feira, 21 de julho
O trabalho é meu e é perfeito. Aos fins de semana para poder conciliar todos os meus outros 3658 planos. Uhuhuhuh! Bem-vinda ao mundo das caixas de supermercado!!!!!

Ter saúde financeira é, antes de mais, ter dinheiro a entrar. E isso é com trabalho. Não me lixem com ser frustrante não arranjar trabalho na área, com ser impossível arranjar trabalho neste país aos 20s. E, muito menos, me venham com “isto não são trabalhos para ti”! Oi? Eu não tenho a maior propensão para vendas, não impinjo ou engano, de forma alguma, alguém. E em 4 dias de trabalho vendi 4 colchões. Quando queremos a sério e nos esforçamos, sem desculpas, é possível. A inteligência não se vê pelos anos que estudamos, vê-se pela atitude, pela forma de estar, pela forma como se encaram as decisões. Sabem, podia até estar confortavelmente na Áustria a trabalhar por uns meses, viver a minha vida pacata com a varanda mais bonita sob Innsbruck. Mas e depois em janeiro? Vinha para cá e ficava a contar carneirinhos? O trabalho arranja-se de julho a setembro e se assim é, venha ele!

Entradas

É a loucura! Decidimos comprar casa e há um sem fim de coisas para contar sobre o tema.
Acompanhem, às segundas, as diferentes crónicas. Tudo sobre o tema poderá ser encontrado AQUI.

Um dia destes tenho de contar tudo o que aconteceu na última semana. Foi uma volta de qualquer coisa como 180 graus, qualquer coisa como se um mês inteirinho se tivesse passado condensado numa só semana. Agora imaginem como é que isso se traduz em cansaço, em má alimentação e ainda recomeçar o exercício depois da cirurgia. Tenho escrito muito pouco e, em modo meditativo, vou colecionando fotografias do Pinterest e do Instagram. Ideias para a casa nova. As da Entrada são, sem dúvida, as minhas favoritas!

Os mealheiros (também) servem para cobrir burrices

Durante este mês, às quintas, vamos ter pequenas crónicas sobre finanças (podem ser encontradas AQUI). 

Já comprei dezenas de voos e algum dia haveria de acontecer. A frequência com que viajo de avião faz com que pareça mais uma viagenzinha banal, sem grande logística, sem grandes preocupações. No último mês fiz a mala cinco vezes, passei por 5 países e não há como tudo isto não pareça um bocadinho fácil e banal.

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Quando comprei o último voo, encontrei preços em conta, demorei a confirmar e tive que recomeçar o processo. Fi-lo de forma pouco cuidadosa, certamente. Embora eu tenha a certeza que não, que confirmei tudo e blablabla. E assim continuei os meus dias alegremente. No dia do suposto voo, pus-me a caminho do aeroporto. Uma viagem extremamente bonita por entre os Alpes verdinhos, cheios de ovelhas e vacas a pastar. Na estação de comboios apanhei o primeiro comboio para o aeroporto de forma muito tranquila, sem qualquer problema, como se fizesse aquilo todos os dias.

No aeroporto ainda jantei antes de procurar um lugar para dormir e de fazer o check in. Eu sei que as pessoas normais fazem o check in com mais antecedência, mas é como vos digo, já faz parte da rotina, não há grandes dúvidas ou grandes medos. Na aplicação da TAP inseri o número da reserva que insistentemente resultava em erro. Mas que raio! Foi aí que fui ao email e deparei-me com a verdadeira data. Não podia acreditar. Tinha mesmo comprado um voo para uma data que já passara.

Entrei em modo pânicó-resolução-de-problemas. Acalmei o pânico, pensei como poderia pagar a viagem e tratei de usar os 120 minutos de internet gratuitos do aeroporto. Os preços eram caros, mas teria de ser. Escolhi um voo, inseri os dados, mas ups! Não me deixavam comprar um voo com menos de 24 horas de antecedência online. Como não??? Porque raio me tinham deixado chegar ao final do processo de compra???? Peguei nas tralhas todas e fui procurar um balcão de venda de bilhetes. Não encontrei. Perguntei nas informações. Eram 23h e os suíços não trabalham a essas horas, nem mesmo nos serviços de sobrevivência do aeroporto. Teria de esperar pelas 6h, mesmo que o voo que eu queria fosse às seis e qualquer coisa.

Tentei manter a calma e encontrar um lugar para dormir. O lugar encontrei, um sofá e um lugar para carregar o computador e o telemóvel. Já a calma não foi tão bem conseguida. Uma sensação de burrice extrema apoderou-se de mim. Acho que o pior era mesmo o desperdício de dinheiro. Uns minutos depois passou-me e decidi aproveitar para escrever mais uma história. Bem, na verdade sem isto deixava de ter graça, não é verdade?

No final da contas, a situação resolveu-se comigo de direta a comprar uma viagem às 4h30 da manhã para voar ao meio dia. Continuei aborrecida com a situação, mas aceitei e lembrei-me que existe um mealheiro que serve para estes gastos inesperados e até parvos!

Arrumar enquanto se Vive numa casa

É a loucura! Decidimos comprar casa e há um sem fim de coisas para contar sobre o tema.
Acompanhem, às segundas, as diferentes crónicas. Tudo sobre o tema poderá ser encontrado AQUI.

Há uma coisa que me assusta quando penso em comprar uma casa com uma área maior a 50 metros quadrados. Adivinham qual é? A arrumação.

Eu sei que é a última coisa em que se pensa. Ao comprar-se uma casa pensa-se na luz, na eficiência energética, nos armários para arrumação (ou acumulação, vá!), na bela decoração que lá se pode criar, nas vistas, nas varandas, no diabo a sete. E eu, pessoa desarrumada por natureza e irritada com o conceito que privilegia a beleza em vez da função, posso dizer-vos que se há coisa em que reparo mal entro numa casa é se a entrada é propícia ao acumular de sapatos, malas, casacos e tralhas várias que, do meu ponto de vista, devem estar numa entrada. Mais, eu acho que na entrada deve haver uma área onde não se passa a não ser para entrar e sair de casa. É nessa área que devem co-habitar todos os sapatos da casa, um banco para trocar de calçado e um cabide onde possam ser penduradas cruzetas e guarda chuvas entre outras tralhas várias. Mesmo antes de um espelho e de um aparador.

Aposto que há por aí quem me considere insane, maluquinha da cabeça, mas enfim, são ideias. E as minhas, que facilitam o circular de pessoas e coisas pelo resto da casa, são sempre funcionais. Para que não se chegue a um ponto de não retorno, a uma rotina e a uma acumulação de móveis que não facilitam outra coisa se não a escravidão total pela casa.

Ser escrava da casa é coisa que não me veio inscrita nos genes. Varrer mais do que uma vez por semana? Trocar lençóis semanalmente mesmo que estejam limpérrimos só para encher a máquina mais vezes? Reparar no pó quando a luz do sol entra em casa? Não. Não quero e reclamo se há alguém que tenta entrar nessa espiral de loucura, de vassalagem, de extremo rigor.

Gosto de casas vividas, um bocadinho desarrumadas. Uns grãos de pó e umas migalhas não levam a doenças e o tempo de pegar na vassoura e no apanhador, varrer, apanhar, pôr no lixo, arrumar tudo e voltar para o sofá, significa meio episódio de House of Cards por ver, ou meia dúzia de páginas por ler, ou ainda uma partida de um jogo qualquer por nos divertir.

Se já sinto isto num T1, imaginem num Tmuitos. Sintetizei, por isso, os meus (nossos) hábitos de arrumação, mantendo a sanidade mental. O tempo será um pouquinho mais extenso do que habitual, mas ainda assim reduzido ao necessário. Que tal, escravos da casa? Acabei de ser classificada como a pior dona de casa da história? E vocês ainda não sabem que por minha parte raramente se faz a cama. Mesmo que a cama seja só um edredon dentro de uma capa. Isso, daqueles que não caem direitinhos e que têm um aspeto bem desarrumado. Eu adoro assim!

Manter casa

Poupar Dinheiro com Informação e Resiliência

Durante este mês, às quintas, vamos ter pequenas crónicas sobre finanças (podem ser encontradas AQUI). Não é que eu seja uma expert no assunto, mas tenho-me esforçado por aprender e, com a história da casa, tenho forçosamente aprendido algumas ideias práticas que todos deveríamos aplicar. 

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A primeira é muito simples:

Não se conformem, perguntem e negoceiem.

Com a compra de uma casa aos 25 anos, um crédito à habitação vem mais ou menos subentendido. Os bancos têm todos simulações online e há uma série de comparadores entre bancos. Na minha opinião, os simuladores dizem pouco porque a falta de um contrato efetivo (ou, alternativamente, de um fiador) e pormenores que só com o banco é possível negociar, alteram todas as circunstâncias.

No nosso caso, eu sabia com que banco queria trabalhar (sigo a máxima de que todos os bancos nos roubam um bocadinho e o banco do estado é o que rouba de forma mais controlada, que cai com maior dificuldade e isto seria assunto para outro post). Mas esse banco não tinha representação no país onde trabalhamos e, por isso, teríamos de traduzir todos os documentos e autenticá-los no consulado.

Não parecia nada do outro mundo. O consulado deu-me uma lista dos tradutores a quem reconheciam assinatura, eu contactei-os e informaram-nos dos preços. Era qualquer coisa como 1,5€ e 2€ por linha. Façam as contas a 10 páginas de letras pequeninas de um só documento. A coisa começou a ficar feia aqui.

Simultaneamente fiz uma simulação noutro banco que, não sendo o banco do estado, é o banco europeu mais estável. Esse banco facilitou-me todo o processo, não precisava de traduções, não precisava de rigorosamente nada, mesmo residindo fora do país, e apresentava-me condições muito semelhantes às do banco anterior. Não mudei de ideias quanto ao banco com quem preferia trabalhar, mas abriu-me portas para pressionar.

Li tudo o que me pareceram informações úteis, troquei muitos emails com o gestor de conta, fiz três ou quatro visitas ao banco, mostrei-me informada quanto a tudo o que era preciso para o crédito, quanto às problemáticas que a concorrência não me apresentava e, finalmente, pressionei: queria trabalhar com eles, mas não iria gastar o valor do custo das traduções.

Aqui mexeram os cordelinhos mais rápido e voilá: conseguiram que um comercial que vive na Alemanha fizesse todo o trabalho de tradução. Disponibilizei-me a ir a Estugarda ou Frankfurt, mas o comercial vinha a Munique, a duas horas de Innsbruck. Encontramo-nos com ele e foi fácil. Muito fácil. Quase demasiado fácil. 45 minutos a ler e assinar papéis e daqui para a frente vai tudo avançar suavemente, tal e qual como se estivéssemos em Portugal.

Conclusão: tempo e dinheiro poupados graças à informação e à resiliência.