Cirurgia Ortognática | A semana depois

Foi há três meses e sinto-me 95% recuperada. Devo dizer que a única semana realmente difícil foi a primeira. E, mesmo assim, ao rever as imagens, tenho uma boa disposição impressionante. Principalmente naquele primeiro trecho em que ainda estou sob o efeito da anestesia.

Entretanto, ando num ritmo louco, o meu computador estava a precisar de uma limpeza e só agora consegui pôr tudo em ordem e juntar os pequenos vídeos da primeira semana. E mesmo assim dediquei tempo a preparar o vídeo. Porquê? Porque antes da cirurgia fui preparando o percurso para que o número de visitas fosse limitado, mas sei que há por aí curiosos e, no youtube, pessoas que se preparam para uma cirurgia destas.

Quanto às visitas, sempre que recebia visitas era difícil. Esforçava-me, cansava-me e passava as horas seguintes deitada a recuperar. Foi uma decisão sensata ficar no meu canto sem pessoas em redor a perguntarem-me coisas que não podia deixar de responder. Não por educação, era mesmo porque não sei estar calada.

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Já posso comer e QUERO SUSHI

Um mês e meio depois da cirurgia fiz uma radiografia e fui a uma consulta com o cirurgião. Novidades boas? Claro! Já tenho ordem para comer quase tudo (mais um mesito para coisas mais duras, tipo côdeas de broa e bifes). Mas aquilo que mais me anda a arreliar é o sushi. Tem me apetecido, mas comer sushi engolido, sem mastigar e sem misturar os sabores todinhos na boca não dá. Portanto, pessoas, isto é tudo o que me vai na cabeça:

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Cirurgia Ortognática | O mês antes

Antes da cirurgia procurei toda a informação que encontrei na internet sobre o tema, sobre a preparação, sobre a cirurgia propriamente dita, antes e depois, alimentação e tudo o que possam imaginar. Encontrei de tudo: informação ótima que me permitiu consciencializar do processo, informação muito ambígua e verdadeiro lixo. A verdade é que nestes processos tudo depende do caso e das variáveis em causa. De pessoa para pessoa, médico para médico, cuidado para cuidado, tudo faz variar.

Uma semana depois posso dizer-vos que está a correr tudo às mil maravilhas e que me pareço um exemplo de um bom caso. Então, e à falta deste tipo de informação em Português  (DE PORTUGAL), decidi gravar tudo numa série de quatro ou cinco vídeos que partilharei ao longo dos próximos meses.

Hoje, deixo o primeiro, gravado durante o mês anterior à cirurgia.

Se houver sugestões ou questões, escrevam um comentário, que terei em consideração.

 

O quinto e o sexto dias 

Ontem foi um dia bom. Senti-me consideravelmente melhor e saí de casa por várias horas. Já não tenho a cara tão enorme e a pressão do edema sobre a pele tolera-se muito bem. No entanto, hoje, que parei com o anti-inflamatório, a coisa regrediu e tenho muita dificuldade em falar. Já enjoei todas as papas e continuo a sonhar um um hambúrguer. Não há internet e ligaram-me agora dos recursos humanos de uma empresa. Deixei uma boa primeira impressão maravilhosa ao falar sem dizer qualquer “p”. Está a ser um dia mesmo em grande!

Ter a boca fechada é…

Dois dias a comer e já não aguento papas de fruta, confirmo que odeio todo o tipo de papas pré-feitas para bebé e chega de bolacha Maria triturada com cenas.

Venha um hamburguer de vaca com cogumelos, cebola frita e muito queijo derretido, um croissant misto prensado e banhado a manteiga, um hamburguer de frango, abacate e manteiga de amendoim. Quero batatas fritas em rodelas e batata doce no forno. Também não me importava de enfardar muito sushi, podem ser mesmo só peças de maki de salmão e muito molho de soja, mas como  ainda não me esqueci do sushi de há uma semana ainda passava bem sem ele. O hamburguer é que está mesmo a fazer-me falta.

72 horas

Este blog está enfadonho, tal e qual eu. Não há outro assunto e nem o meu corpo o permite. O cirurgião diz que por esta altura se atinge o topo do edema, o ponto máximo de balão. Passei o dia em puro desconforto. Talvez seja igual ao de ontem, mas parece-me pior, sempre pior. Sempre mais desagradável, sempre sem disponibilidade física ou mental para muito mais. Pensar por um bocadinho deixa-me exausta. A minha rotina passa por comer, lavar a boca, a pele, hidratar os lábios, aplicar gelo, descansar um bocadinho e recomeçar tudo outra vez, num total de 4 ou 5 vezes por dia. É isto. Tento ver uma série e adormeço pelo meio. Ah, haja uma definição para tédio e encaixa perfeitamente nesta descrição!

Se pensar a longo prazo costuma ajudar, desta vez não passa de uma miragem. A Grécia, a 19 dias de distância, parece uma loucura. Pensar em águas vulcânicas e na Acrópole é equivalente a imaginar-me com a minha cara normal. É algo indefinido no tempo. Algo que 72 horas de cama deturparam.

Bem, que o cirurgião tenha razão e que de amanhã adiante a clareza (e já agora a drenagem) abunde!

48 horas depois

Já estou em casa e já enchi o bucho: papa de bolacha, banana e laranja, sopa e leite com chocolate e açúcar. Não sinto um quarto do lábio e o restante está completamente dormente, ainda assim já sou capaz de beber líquidos por copos sem desperdícios. Já reconheço a posição de boca fechada e acho que em poucos dias sentir-me-ei mais civilizada. Afinal de contas, as noções que temos do corpo são sucessivos hábitos.

Ainda que já tenha energia e a cada hora note melhorias, questiono esta loucura. Não fosse a questão funcional da minha boca e nunca me teria metido por estes caminhos. Mais uma vez, o hábito, fazia reconhecer-me como era, sem dramas. Sem questões estéticas de fundo. E assusta-me a brutalidade de uma intervenção destas por motivos meramente estéticos.

Não acho que seja errado, nem correto. Acho é que interfere demasiado com uma vida para ser levado de forma suave. Assusta-me que este pós-operatório não seja dramático quando não há muito mais a fazer do que aguardar que o peixe balão que se instala nas nossas caras desapareça e leve consigo todo o desconforto.

Dizerem-me que está bem, que vou ficar mais bonita, que isto e que aquilo não me move, não me motiva, não me faz achar que vale o que quer que seja. Muito menos que valha o esforço de dormir de barriga para cima. Ou o problema é mesmo que há 48 horas que não durmo devidamente e parece-me tudo errado.