Santo Burga: descoberto num cartão

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Sabem aquela publicidade em forma de cartões de visita que se deixa nos cafés e noutros sítio por onde passam muitas pessoas? Esses mesmo, que têm lugar junto aos telefones públicos na pré-história e para as quais ninguém olha. Bem, aparte de eu ainda usar telefones públicos meia-dúzia de vezes por ano, no outro dia fui a um restaurante graças a um desses cartões.

Chama-se Santo Burga e fica em Leça da Palmeira, em frente à praia. A minha descoberta foi feita na véspera do Pedro regressar ao trabalho, no mesmo dia em que íamos ao IKEA. Gostei do nome, pedi recomendações sobre o sítio e ficou decidido.

Surpreendo-me sempre com a vista para o farol que por ali há e como raras vezes lá vou, fico sempre encantada com a beleza do lugar. Além disso, o céu estava com um azul diferente, bonito, de noite de verão. Era quarta feira, chegamos ao restaurante às 21h e esperamos para sentar. Não aceitam reservas e não deverão ter lugar sentado para 50 pessoas.

Ainda à espera, pedimos as entradas. Não me recordo no nome, mas do sabor não me esqueci. Era qualquer coisa em pão com cogumelos frescos, rúcula e queijo Brie. Também me recordo do que o Pedro disse ao provar. “Este queijo é bom!”, que para quem não o conhece é um grande elogio (ele diz que não gosta de nenhum queijo e só come quando quente e com sabores suaves). Tinham-nos ganho neste momento.

Bebemos uma cerveja minhota que me fez lembrar a que bebia no bar manhoso junto à residência onde morei em Brno. Era muito boa. E um Mojito que tinha açúcar demais, mas quanto a Mojitos sou muito crítica. Os hambúrgueres não eram muito bons para pessoas que fizeram uma cirurgia ortognática há dois meses e pouco porque eram enormes e subentendiam-se serem comidos sem talheres. Os ingredientes eram de ótima qualidade. Eu, que não sou a maior fã de carnes e de queijos da serra, adorei o hambúrguer que os continha.

Isto só prova que um bom design, mesmo em cartões de visita, continuam a ser uma boa forma de publicidade. E, neste caso, foi uma excelente aposta e uma excelente descoberta.

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Fumadores vs. Açucardores

Quero fruuuta!

Segunda é um bom dia por uma razão: há muitos dias para trabalhar, para ter a sensação de objetivos cumpridos e para mudar coisas que fazemos erradas. Por tudo isto, leiam os parágrafos abaixo e não sejam como eu, fáxabor.

Nunca hei-de ser capaz de deixar o açúcar pela mesma razão que um fumador não para o tabaco. Falam-nos daquela pausa no trabalho, o momento em que saem para relaxar por um pouco, o momento em que o stress não tem espaço.

Sinto o mesmo. Parar o trabalho por uns minutos, sair do escritório e entrar numa das milhentas pastelarias que o rodeiam. Provar uma iguaria nova. Durante uns minutos paro. Os músculos relaxam, não há tensões, a cabeça liberta-se e só há espaço para mim e para o meu doce. Os meus preferidos levam ovos e amêndoa. E com esses é ainda mais perfeito. Como se no momento em que saboreio, o resto do mundo não importasse, o stress não existisse e os assuntos pendentes não extrapolassem do computador.

Nota: o meu sugaraholic já teve melhores dias e tenho como plano para 2018 definar as minhas receitas com pouco e mesmo sem açúcar. Wait for it!

Já posso comer e QUERO SUSHI

Um mês e meio depois da cirurgia fiz uma radiografia e fui a uma consulta com o cirurgião. Novidades boas? Claro! Já tenho ordem para comer quase tudo (mais um mesito para coisas mais duras, tipo côdeas de broa e bifes). Mas aquilo que mais me anda a arreliar é o sushi. Tem me apetecido, mas comer sushi engolido, sem mastigar e sem misturar os sabores todinhos na boca não dá. Portanto, pessoas, isto é tudo o que me vai na cabeça:

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“Cérebro de Gorda”?

É uma das minhas expressões favoritas e diz imenso sobre mim. Não só adoro cozinhar sobremesas (porque é que em inglês e em alemão existe um verbo para “cozinhar sobremesas” e em português não? Será que posso criar a expressão? Bakear? Bachear? Bolosear?), como sou compulsiva com doces. E assim do nada, no meu blog de Erasmus, a expressão “Cérebro de Gorda” chegou e veio para ficar.

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Querem saber tooooda a história por trás? Querem? Querem? Se não querem, não me interessa nada, eu conto na mesma! Então é o seguinte: quem me conhece bem ou acompanha as minhas redes sociais há algum tempo, saberá que tenho um cérebro com instintos tão virados para o açúcar e para umas quantas outras coisas que deverisa ser evitado numa alimentação saudável, que poderia bem ser obesa.

Não sou obesa e não acho que tenha nada de gordo, neste momento. Tenho 50kg e se não ganho um quilo ou dois, corro o risco de não me deixarem doar sangue. Coisa que, por acaso, não faz sentido nenhum.  Tenho menos de um metro e sessenta e o parâmetro do peso é igual para qualquer pessoa, mesmo que tenha mais 20 cm do que eu. Nos últimos anos, tenho tido a doação de sangue como motivação para não baixar o peso. Um mês antes da dádiva costumo ver o peso que tenho e regular a alimentação para que não fuja muito ao desejado. Nada que seja difícil porque tenho muita facilidade em mantê-lo e até, com um pequeno esforço, em emagrecer. É isso mesmo, sou uma sortuda! Mesmo que procure, instintivamente, toda uma compensação emocional na comida, o meu metabolismo é incansável.

É verdade que quando cheguei de Erasmus estava com mais 5 ou 6kg do que agora. Mas, pessoas, a vida de um estudante de Erasmus não é muito saudável. As minhas tentativas de exercício acabavam, na maioria das vezes, em contemplações à vida e à natureza no cimo do monte, as minhas horas de dormir eram mais diurnas do que noturnas, passava horas alapada a ver séries, a conversar, a petiscar qualquer coisa e, quando trabalhava, o chocolate acompanhava-me sempre. Eu não tinha aulas, só trabalhava no quarto. Não sei se estão a ver o tamanho da desgraça, mas era capaz de comer uma daquelas barras gigantes de Milka caramelo, essas mesmo, bem enjoativas, em menos de duas horas. Juntando a isto, o facto das minhas colegas de casa não serem as pessoas mais limpas na cozinha e, com isso, a certa altura, comia uma ou duas pizzas por dia (a cantina era em frente à residência e as pizzas médias rondavam os 3 euros), como é que eu não engordei mais, essa é a pergunta!

Hoje em dia já não me deixo levar com a mesma facilidade, mas, mesmo assim, a compulsividade com que sou capaz de comer uma tablete de chocolate ou um pacote de amêndoas poderiam bem fazer-me descambar. Mas não fazem e ainda que eu me esforce pela minha saúde, em alturas de mudança, lá enfardo uma ou duas tabletes de chocolate por semana.

O meu cérebro de gorda tem amadurecido e tem-se deixado contagiar pelo meu lado racional. Isso é nítido no Instagram. Já não há apenas bolos e chocolates, há também comidinhas saudáveis, substitutos ao açúcar, bolos com uma adição reduzida de açúcar refinado e uma tentativa de habituação do meu paladar a sabores mais salgados. Tenho, inclusive, feito progressos. Resta-me continuar a lutar e, talvez um dia, o meu “Cérebro de Gorda” passará a sê-lo de forma completamente saudável. Sim, porque nem me importava de ser compulsiva com comida se o fosse de forma saudável. Além disso, sem picos de açúcar, a fome e a necessidade de comidas calóricas são menores. Mas isto já era tema para outro texto.

É esta a história do meu “cérebro de gorda”. Espero que não haja mais cérebros destes por aí!

Tzaziki e Manteiga de Amendoim na mesma refeição

Depois da Grécia, temos muita vontade de cozinhar alguns dos sabores que por lá provamos. Começamos pelo Tzaziki e combinamos com sabores que começaram a fazer parte do nosso cardápio desde que moramos na Áustria. E mais ainda em 2017.

Sabiam que desde o ínicio do ano que ainda não compramos o utilizamos óleo? Não fritamos batatas, portanto. Nem nada que não fosse feito em óleo mais saudáveis.

Deixo-vos a receita.

Tzaziki:
2 (ou 300g) iogurtes gregos
meio pepino
1 dente de alho
2 ou 3 gotas de limão
salsa a gosto

Depois é só misturar tudo, numa trituradora ou ingrediente a ingrediente. A primeira opção garante que os ingredientes fiquem mais pequeninos e não se distingam. É uma questão de gosto. Depois é só reservar no frigorífico durante, pelo menos, 30 minutos.

Batata doce, frango:
3 ou 4 batatas grandes
4 bifes de frango
manteiga de amendoim
sal
chalota (ou pimenta preta)
azeite
alho
(os últimos ingredientes são a gosto)

A batata pode (ou não) ser descascada e cortada a gosto (rodelas ou palitos). Depois tempera-se com sal, chalota e azeite, mistura-se bem e distribui-se em tabuleiros, levando ao forno durante 30 ou 40 minutos a 180ºC. O frango é temperado com sal, limão e azeite e, posteriormente, grilhado na gordura preferida. Depois é só barrar a manteiga de amendoim e servir tudo.

Pipocas saudáveis

Se há coisa difícil quando se tenta manter uma dieta saudável é aquela fome que surge entre refeições. Os lanches são do mais tramado para uma dieta equilibrada… há quem ataque enchidos e salgados, há quem ataque doces. Os iogurtes e a fruta são a última coisa que apetece quando estamos esfomeados entre refeições. Foi por isso que me lembrei de, um dia, há uns valentes meses, satisfazer o meu cérebro de gorda com pipocas sem açúcar ou sal! O milho é nutritivo, não tem gorduras das más, nem açúcar do mau. Restava-me transformá-lo da melhor maneira. No início a guerra era ao açúcar, por isso decidi manter o óleo que utilizava. Agora fiz uma nova experiencia. Podem espreitar no vídeo!

Só duas coisinhas: esta edição está manhosa, mas é o que se arranja; porque raio sou tão queque a falar?

 

Conquistas no ano velho #1

Há um sem número de assuntos que queremos ver melhor resolvidos em cada ano novo. Eu nao me lembro se fiz a típica lista para entrar de pé direito neste grandioso 2016. Talvez tenha feito e, nesse caso, tal e qual como é habitual nao faco ideia onde foram escritos ou quais eram. Entao decidi inverter o processo: vou escrever sobre todo o esforco que pus em alguns assuntos que mudaram, melhoraram e me fazem sentir muito orgulhosa.

O primeiro é a alimentacao. Devem recordar-se que há dois anos atrás, os meus amigos mais próximos juntaram-se e ofereceram-me quilos de chocolate, num forcing incrível para que nao desistisse da tese. Eles sao os maiores e conseguiram. Os chocolates que me ofereceram consolaram-me durante os sete meses seguintes e eu terminei a tese, tal como o mestrado. Sao os maiores, todos eles e todos os dias mais!

No entanto, uma pessoa acaba o mestrado e mete-se por umas quantas aventuras, comeca a ver doencas e dores que já mais apareceram, comeca a perceber que a adolescencia já lá vai e que se nao pomos maos à obra, nao chegamos à velhice. Até cáries me apareceram pela primeira vez na vida, vejam lá! Entäo, neste ano, com mais tempo para mim própria, com mais tempo para pensar e repensar coisas, cortei mais de 90% do chocolate e, particularmente o acucar, no que como. Bebi dois refrigerantes nos ultimos 11 meses, o chá passou a ser sem acucar, as meias de leite estao muito proximas desse feito também, nao compro chocolate de leite, nao compro chocolate comum para leite, faco mousse só com o acucar do chocolate e estou a adaptar o bolo de chocolate. Há um frasco de Nutella há mais de seis meses lá em casa e nem a meio está. Os cereais de pequeno almoco foram irradicados, as bolachas também se reduziram drasticamente, mas nao estou a conseguir despedir-me de umas bolachinhas da Männer que há-de acontecer.

Além de tudo isto, ando virada para explorar formas de comer legumes. Eu odeio legumes, caso nao seja, ainda, conhecimento geral. Mas reconheco a importancia infinita deles. Há nutrientes que encontramos exclusivamente lá, satisfazem sem serem hipercalóricos e nao tem acucar, nem mesmo frutose. Nem me falem de leguminosas… o feijao, a lentilha ou a ervilha podiam sofrem um qualquer desastre natural e desaparecer. Entao pronto, fazemos dois litros de sopa uma vez por semana em que se incluem sempre leguminosas, verduras, bolbos e cenouras, raramente com batata. Introduzi a beringela nas nossas refeicoes que se enche de legumes misturados com coisas boas: carne, queijo, pao natas ou MUITOS cogumelos. Como salteados de legumes com muitas especiarias e natas e tudo! Que orgulho! Juntamente, ainda reduzimos o sal e investimos em especiarias novas e, sempre que possível, frescas. A manteiga de amendoim também foi introduzida e sempre que passo pela Alemanha, vou ao Lidl comprar quilos de frutos secos ao preco da chuva. Conheci o Müsli que adoro em iogurtes e ainda nao gosto de papas de aveia, mas tenho de experimentar mais receitas. As sementes nao se comem tantas como gostava, mas já se usam mais e mais em tudo: iogurtes, massas, salteados ou mesmo sem nada.

Resumidamente, olhando em perspetiva isto foi uma mudanca e peras e estou bem orgulhosa da conquista. A minha alimentacao no próximo ano vai sofrer alteracoes ainda mais drásticas, mas isso sao historias para depois. De qualquer forma, que as boas práticas se mantenham!