O parto complicado do Crédito à Habitação

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Pensamos em comprar uma casa muito antes de pensarmos quando voltaríamos a Portugal (podem ler aqui e aqui). Um ano antes da coisa acontecer, fui abordando a situação com o banco para perceber como é que se procederia se comprássemos a casa trabalhando fora do país.

Foi-nos explicado tudo direitinho, quais os documentos que precisávamos, fizemos simulações preliminares e a informação era favorável, exceto de um ou outro ponto burocrático sob o qual não valia a pena pensar antes de ter o negócio a ser concretizado.

Sabia que éramos clientes interessantes do ponto de vista bancário. Não pedíamos a totalidade do valor dos imóveis que pensávamos comprar, não pedíamos valores absurdos, tínhamos salários anuais interessantes, ambos qualificados em áreas tecnológicas e, acima de tudo, tínhamos 25 anos. O risco de clientes como nós, no ponto de vista bancário, é mínimo. O próprio banco reconhecia isto e a relação que se começava a construir era interessante.

Corria tudo muito bem até ao dia em que, ao ver o negócio tornar-se cada vez mais uma realidade, fui falar com a gestora bancária com quem mantinha contacto, e ela estava de férias. Então, fui atendida por uma colega que se inteirou do caso e pormenorizou as burocracias. Obrigavam-nos a traduzir o contrato de trabalho num tradutor oficial e reconhecido pelo consulado. A coisa ficar-nos-ia por mais de 1000 euros. Sabíamos que outros bancos (e mesmo outros balcões) facilitavam o processo. Foi aí que exigi que resolvessem a situação internamente. E assim foi, como contei AQUI.

O processo começou cinco dias depois de ter assinado o contrato de promessa compra e venda. No entanto, era agosto e a informação do gestor da Alemanha chegou cá seis semanas depois, em vez de duas. Quando chegou, uma vez mais, a primeira gestora de contas estava de férias e o processo foi entregue noutras mãos. Caiu nas mãos erradas. Passei-me com a falta de profissionalismo da senhora desde o primeiro momento, mas fui uma pessoa civilizada e crescida: mantive-me serena e acreditei que era só choque entre a minha personalidade e outros pontos de vista.

No final das contas eu estava certa. Mesmo depois de lhe explicar que poderíamos adiar o prazo do contrato de promessa, ela garantiu-nos que tudo seria tratado dentro do prazo. Marcou-se a escritura e uma semana antes recebi os documentos a assinar. Quando os abri, percebi que o caldo estava entornado. O spread que a senhora queria que eu assinasse era 2% superior ao das simulações. Atenção que não era o spread que pagaríamos a curto prazo, ainda assim eram as condições com que eu tinha de levar daqui a uns anos porque, teoricamente, era a única hipótese.

Falei com a senhora, mantive o meu tom calmo e paciente e ela tentou fazer-me de burra. Tudo menos isso, meus amigos. Se eu não sei, eu assumo, mas depois de estar informada, procurar saber e até pedir aconselhamento em paralelo, não me façam passar por burra. Estava tão passada, tão passada, que a coisa escalou. Isto chegou a ouvidos de pessoas várias e quando dei por mim, tinha o telefone do gerente, chefe da senhora que tratava do caso, e carta branca para lhe ligar mesmo à hora de jantar.

Foi o que aconteceu. E, pronto, o senhor que reconhecia todas as asneiras feitas, que reconhecia o quão bom negócio isto era para o banco, mexeu cordelinhos e mudou tudo.

No final não ficou tão bem como podia, estamos a pagar mais juros do que pagaríamos se tivéssemos mais um mês ou dois. Mas era isto ou pôr em risco perder o negócio e o interesse por parte do vendedor. Desse lado estava muito mais dinheiro em risco e, por isso, decidimos prosseguir desta forma. Foi uma questão de medir os riscos e perceber quais as consequências mais favoráveis.

Foi uma semana sem fim e uma (muito) má experiência com a falta de profissionalismo, com a confusão do que é pessoal e do que não é.  Sou um bocado intransigente com isso. Mais piora quando acham que sou uma miúda e me tratam com paternalismos, acham que não compreendo. Bem, enquanto considerar que a falta de informação ou a falta de desenrasque não sejam coisas que me faltem, não vou sossegar enquanto tiver argumentos racionais.

No final das contas, o banco conseguiu que eu não mudasse (por enquanto) de balcão, que não apresentasse uma reclamação por todas as vias possíveis e imagináveis. Mas, ainda assim, vamos perder um pouco mais de dinheiro do que perderíamos se tudo fosse bem feito. Mas não perdemos um bom imóvel, a preço justo, nem a entrada que demos por ele.

Esta história é um resumo do que eu considero ser uma sociedade civilizada: comprar as guerras que mais fazem sentido, valorizar e ter consideração o esforço humano posto na correção de erros e, acima de tudo, resolver o que quer que seja sem perder um tom calmo e ponderado. É difícil, mas é possível. 

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Decidir voltar: burocracias da vida

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Innsbruck, Janeiro de 2016 – Da minha varanda

Escrevi, há dois dias, sobre a decisão de deixar uma paisagem como estas pela manhã, ao pequeno almoço, enquanto o dia acorda, um frio que eu adoro, um ar mais puro do que (quase) todos os outros que já respirei, por um outro lugar que aparentemente pode não ser tão mágico, mas é, seguramente, (ainda) mais feliz. Hoje quero dizer-vos que não é tudo tão cor de rosa e que uma decisão destas nunca pode ser só emocional. 

A par de todas as considerações que fazem mais sentido para um equilíbrio comum e feliz como casal, há as outras que não podem deixar de ser listadas e que quando não pensadas parecem um bicho de sete cabeças. Há um montão de coisas compradas que precisam de ser vendidas ou enviadas, há burocracias a tratar e há, acima de tudo, que pensar do que é que se vai viver quando deixamos um trabalho.

Terminar Contratos existentes
Há dois anos alugamos um apartamento com vista para os Alpes e, além dos encargos mensais, demos uma caução equivalente a três rendas. Se o contrato não fosse cumprido ou algo se estragasse por mau uso, era daquela fortuna que pagaríamos.

Um ano depois o contrato poderia ser rescindindo, desde que com três meses de antecedência. E qual não foi o nosso espanto quando, ao avisar a senhoria que planeávamos sair, ela dizer-nos que iria entrar em contacto connosco porque quereria voltar a viver em Innsbruck. Há coincidências maravilhosas!

Aparte do apartamento, o contrato da eletricidade teria de ser terminado e o da internet exigia aviso antecipado. Nada de deixar tudo para trás e depois haver contas perdidas por pagar!

Voltar para onde?
Voltar para casa dos pais, ainda que se tenha sempre uma porta aberta, é uma opção difícil, a partir do momento em que se sai. Claro que tem imensas vantagens, incluindo tornar-me altamente mais preguiçosa. Mas não é o curso natural das coisas.

Alugar é outro assunto que pode fazer sentido, mas que para nós, depois de termos muitas experiências tresloucadas e de termos vontade de assentar, não era opção.

Restava-nos comprar e espero, daqui a pouco tempo, poder partilhar tudo sobre esse assunto.

Viver de quê?
Podíamos sempre pedir o rendimento social de inserção e pedir laranjas aos vizinhos, deitar-nos com o sol e usarmos velas para ir à casa de banho durante a noite. Seria, efetivamente, uma vivência mais sustentável. Mas também não haveria dinheiro para livros, para cinema e muito menos para Sushi e vinho. Acho que estas são as principais razões pelas quais não nos pareceu bem vir sem um plano de onde e como trabalhar.

Então, o Pedro, pobre escravo, ficou na Áustria a sustentar-nos enquanto eu vim à procura do que quer que aparecesse. Os dados lançados anteriormente não estavam a trazer vitórias. E, por isso, vim com tudo. Tinha imensas ideias na cabeça, incluindo negócios meus, imaginem só. Não foram precisos e ando com a cabeça a explodir de ideias porque não as consegui pôr em prática. Tudo porque os dados funcionaram, finalmente e para todos os lados: foi só escolher o que mais gostava. Ter opções e escolher a que mais nos faz felizes é uma honra, até um luxo. E pronto, assim o pobre escravo já pôde planear voltar que não viveria sem livros ou vinho.

É mais difícil procurar o que fazer à distância, mas há (sempre) soluções para nos sustentarem e ocuparem o tempo.

A melhor altura do ano para mudar
Fiscalmente a melhor altura para mudar de país é na mudança do ano. A minha declaração de IRS no próximo avizinha-se um pesadelo: declarar rendimentos de dois países implica que a mesma não seja automática e implica dois formulários. Além desta grande chatice, podem sempre pedir que a prenda de Natal seja o transporte de TODA A TRALHA que se acumula numa casa.

Outras burocracias
Se não houver aplicações financeiras que compensem manter a conta bancária, fechem-na. É um balúrdio o que se paga de manutenção num banco e basta fazê-lo num só país, ao menor número de bancos possíveis.

Deêm baixa do registo de residente na Câmara Municipal. Nada de grave se não o fizerem, mas para que a correspondência não vá parar a casa de outras pessoas e para que no futuro, quando houver cruzamento de dados a nível europeu, não haja confusões.

Outra coisa que se pode, na teoria, fazer, é pedir o reembolso dos descontos feitos para fins de pensões (a não ser que tenham trabalhado anos suficientes para terem direito a reforma no futuro). No entanto, não há informação sobre isto na internet e eu ainda não tentei fazer este resgate.

Finalmente: a tralha
O melhor conselho que posso dar é: se um dia se meterem numa coisa destas de emigrar só por uns tempos, não comprem nada. A sério, N-A-D-A! Nem aspiradores, nem roupa de cama, nada.

Pronto, estou a exagerar. Mas para perceberem o drama que é encaixotar tanta tralha e mandá-la atravessar uma série de países, nós levamos 100 e poucos quilos e vamos trazer pelo menos 250. Os pratos vão ficar, o aspirador, as bolas da árvore de Natal, as panelas, o estendal e a tábua de engomar também. Mas os livros foram indo e ficando, compramos vinhos que queríamos trazer, precisamos de roupas para o muito-frio e o muito-quente, adquirimos uma série de calçado de inverno e mesmo assim deu-se um flagelo. Nota importante: comprei seis panos da louça que estão rompidos. Mas recusei-me a adquirir mais para não ter pena de os deixar. E mesmo assim já chegou tanta tralha a Portugal e a casa continua cheia. Vão por mim, virem-se para o minimalismo e não comprem nada.

Decidir Voltar: reviravolta emocional

Tal como partir foi fácil: decidir, suster a respiração e saltar; foi fácil voltar. Houve questões antes da decisão, depois do salto houve dúvidas (e que dúvidas), mas nunca se pára a meio do caminho e a vida acaba por se resolver sozinha. No fim das contas bate tudo tão certo que parece não poder ter sido de outra forma.

Com a sorte de sermos emigrantes por opção, o caminho foi sempre feito com este fim em vista. Até a compra da casa, que acabou por acontecer em simultâneo (embora não fosse o previsto), estava a ser pensada desde o início.

No fundo, restava-nos descobrir a duração. E essa não foi muita nem pouca, foi a que fez sentido. Foi a que nos permitiu conhecer tão bem Innsbruck ao ponto de termos tanto para a amar como para odiar. Não foi uma decisão de desespero. Foi muito serena e isto é tão bom de se sentir!

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Como é que se decide mudar de país?

Antes de mais sente-se. E neste caso era preciso sentir por dois. A certa altura a decisão ficou nas minhas mãos: se eu quisesse ficar ficaríamos, se eu quisesse voltar voltaríamos. Nunca ficaríamos durante muitos anos, mas por mais alguns era uma opção (embora houvesse um alguém que não queria ver isto, cof cof).

Experimentei decidir ficar por mais uns tempos: não sabia se já tinha experimentado tudo o que queria. A vida empatou-se. Em redor de Innsbruck, embora haja trabalho, há pouco para não fluentes na língua (no dialeto em particular). Gostava de mudar de trabalho e não era muito viável. As amizades não eram profundas e a certa altura, quando nada se desenhava como queria, eu, que não sou de empatar a vida, decidi. Viríamos.

Como é que a vida se resolve sozinha?

Não é bem sozinha, sozinha. Mas as peças encaixam-se e, a certa altura, olhando para trás, parece que não podia ter sido de outra forma.

Em primeiro lugar consegui que a cirurgia fosse marcada numa altura favorável para o meu trabalho, numa fase em que podia continuar mais tarde ou passar a pasta. Nessa fase tinha tudo em aberto. Uns dados lançados em Portugal e portas abertas na Áustria. Parei dois meses para a preparação, a cirurgia e para a recuperação. No entretanto, a decisão final foi tomada e, depois das férias na Grécia, dei um saltinho à Áustria para me despedir.

Nesse momento tudo deixou de ser tão bonitinho e perfeitinho. Caiu-me a ficha. Não dava para voltar atrás e em frente era tudo muito cinzento. Lembro-me que no dia em que disse que não voltava para o emprego anterior, passei a tarde a limpar a varanda, como se gostasse de lides domésticas!

Bem, mas depois, a caminho do aeroporto tudo se endireitou (podem ler aqui e aqui), e o caminho que decidimos os dois traduziu-se em trabalho para os dois. Coincidentemente ao mesmo tempo que a senhoria quis voltar a ocupar a casa da Áustria. Assim, simples e ao mesmo tempo. A resolver-se (quase) sozinho.

Quanto às considerações racionais, essas fica para outro dia.

O que Sabemos Sobre o Nosso |Dinheiro|?

Como eu dizia há uns tempos atrás, há coisas que não nos ensinam na escola e que põe em causa toda a nossa sociedade e a realidade que conhecemos. Hoje volto à guerra contra a desinformação. Contra a dificuldade que enfrento em compreender todos estes conceitos de gestão e economico-financeiros. Conto-vos também quais são as minhas soluções de gestão financeira.

IVA, IRS, spread, Euribor, certificados de aforro, certificados de tesouro, PPR, depósitos a prazo, contas poupança, ações, créditos para 350 coisas, trabalhadores independentes, empresas unipessoais, recibos verdes, descontos, segurança social, finanças. Todos estes são termos básicos que vamos ouvindo falar, mas ainda assim a percentagem da população que os domina é muito reduzida. Esta falta de literacia financeira foi uma das culpadas da situação económica atual do nosso país e se não treinamos as gerações futuras, não sairemos deste buraco em que trabalhamos à borla, em que guardar dinheiro é pouco compensado e pedir crédito é barato.

Tinha eu uns 10 anos quando fui com os meus pais ao banco atualizar a minha caderneta da conta poupança. Fiquei surpreendida para a vida quando vi que os juros da minha mísera conta rendiam 40 euros de meio em meio ano [nos dias de hoje precisava de ter uns 50mil euros, com sorte, para ganhar tanto com juros]. Tão surpreendida, tão surpreendia fiquei que exclamei “ainda dizem que Continuar a ler

(Ainda) Conquistas de ano velho #4

No post anterior falava da sábia decisão de não comprar uma televisão. Falava também de que mesmo assim não houve falta de programas televisivos. E se no meu top 8 encontramos maioritariamente programas em inglês – coisa que só me faz bem, já que trabalho quase exclusivamente em inglês -, no restante top incluo mais séries portuguesas.

No último ano, a RTP investiu em séries e pretende comercializá-las futuramente. Podem dizer-me que a qualidade fica muito aquém de tudo o que podemos ver nas AXN, Fox ou Netflix desta vida, mas não deixa de ser entretenimento e é em português, com melhor qualidade do que a maioria do que vemos atualmente nas televisões. E mais, da mesma forma que a produção das novelas melhorou imenso nos últimos 20 anos, são necessários estes primeiros passos para, um dia, os orçamentos e as técnicas de produção das séries em português sejam boas. Um dia.

E mais, eu gosto muito de ouvir português, da própria da língua portuguesa, da história de Portugal e desta personalidade feminina, como dizia alguém, emotiva, que sentimos na nossa cultura. E por isso sigo online todas estas novidades. Essas e outras em inglês. Divirtam-se!

Imagens: IMDB e RTP

#9 Suits e White Collar

São duas séries nada profundas, não muito educativas, mas mostram mundos interessantes: o negócio do direito nos Estados Unidos e o negócio da valiosíssima arte e o seu tráfico. São duas séries que nos fazem ver o lado bonito do mal, os atores são escolhidos a dedo e os diálogos prontos para tocar emoções. De qualquer das formas, não são séries indispensáveis.

#10 Grace & Frankie

Quando comecei a ver esta série estava a precisar de qualquer coisa soft que me fizesse companhia, mas não me obrigasse a olhar para o computador muitas vezes. A história é soft, divertida, tal como o inglês. Duas mulheres divorciadas que não trabalham… Uma muito hippie e dada a exoterismos e outra muito tia. Um bom passatempo, mas não uma série extraordinária… ali ao nível das comédias românticas.

#11 Dentro

É uma série portuguesa, a melhor que a RTP lançou no último ano. A história é diferente e, para variar, não termina tudo bem. Fala sobre uma prisão de mulheres… e se muitas mulheres juntas nunca dá bom resultado, agora imaginem mulheres com passados tão peculiares.  Levanta algumas questões interessantes e a maioria dos personagens é bem construída.

#12 Mulheres Assim

Está quase ao nível da série anterior. Vai falando sobre diferentes mulheres que se relacionam entre si em primeiro ou segundo grau. Está provado que nos podemos ligar a qualquer pessoa do mundo por sete níveis de ligação (acho que são sete), e nesta série restringimo-nos a Lisboa. Em 20 episódios conhecemos essas mulheres, cheias de peculiares histórias. O argumento é piorzinho que a série anterior, mas tem a sua graça e suspense.

#13 Miúdo Graúdo

É amorosa. Uma criança que lê “A Máquina do Tempo”, constrói-a e faz viajar o seu eu do futuro até ao seu presente. Nem sempre é bom concretizar sonhos tao inimagináveis, nem sempre queremos conhecer o nosso eu do futuro. Foi o que aconteceu com o Miguel. Esta série ainda está a decorrer e estou curiosa por saber como acabará. É pena entrar um bocadinho no campo da novela, caso contrário seria a melhor do ano na RTP.

#14 Black Mirror

A ideia é boa. A ideia é muuuiiito boa. A ideia é fazer com que percebamos o quanto o uso extremo de tecnologia pode tornar as nossas vidas mais difíceis e absurdas. Mas tem um problema muito grande: as situações são demasiado absurdas e um bocadinho mal exploradas. Imaginem que poderiam ter um robot com o aspeto de um ente querido que morreu. Esse robot baseiar-se-ia na informação que encontra nas redes sociais e constrói um carácter. Pois… mas a verdade é que não somos tão unidimensionais e o que as nossas redes sociais mostram de nós é muito pouco do que nos faz sermos nós próprios. Este é um exemplo, um dos melhores episódios. É uma série da moda, mas eu não acho que faça assim tanto sentido. A série mostra-nos seres tecnológicos e como se tivéssemos perdido a alma, a profundidade e o riso. Mehhhh… não gosto.

#15 Making a Murderer

O documentário que estava na boca do mundo no incio de 2016. Era sobre um homem preso injustamente por negligencia policial. Foi realizado a partir de gravações reais. O documentário apresenta o caso em 10 episódios. Primeiro: eu não me entretenho com o lado negro do mundo real. Também por isso, raramente vejo ou leio um jornal de fio a pavio. Gosto de ficção. Segundo: 10 episódios? DEEEEZ? Santa paciência. Desisti a meio do primeiro episódio.

#16 Bloodline

Que bem que isto começou! Uma família com cinco filhos. Um que era a ovelha negra e construiu uma personalidade inconsequente e revoltada. Havia suspense, exploração das varias dimensões dos personagens, técnicas de filmagem que nos faziam sentir no Hawai. Mas depois a história virou novela. Anda, mas não anda. Anda para trás, para a frente, para trás, para a frente. Detesto quando as séries se tornam demasiado comerciais. Deteeesto.

#17 Terapia

A primeira série que a RTP lançou em 2016. A ideia era interessante mas os diálogos eram básicos e não desenvolviam, não iam profundamente. Isso junto com a ideia de tudo acontecer numa só sala, não ajudou a dar qualquer energia à coisa. De qualquer forma era mais uma daquelas séries que entretinha, ao contrário de Bloodline ou Making a Murderer que só me irritavam.

#18 Sense8 e Orange is the New Black

NÃO. NÃO ME DIGAM QUE ISTO É BOM. Ambas as séries perderam-me no primeiro episódio. A primeira ainda foi continuada, a segunda ficou por ali… com tanta oferta decidi que chegava. Vendem-se pelo sexo explícito e isso faz com que sejam muito faladas, muito polémicas e… muito mais. Comercial, apenas comercial e capaz de conquistar todo o extremista da comunidade LGBT.

E era isto. Divirtam-se e (não) saquem muito!

Conquistas de ano velho #4

A decisão de não comprar uma televisão foi sem dúvida uma conquista do ano anterior. Em primeiro lugar porque aqui paga-se antena independentemente do tipo e do número de canais. E uma poupança é um bom motivo para qualquer coisa. Em segundo porque o próprio do televisor é caro e geralmente grande, aumentando o transtorno na hora em que tivermos de mudar de casa. Em terceiro porque não é pela ausência de um televisor que não assistimos a programas televisivos. A internet é a nova televisão e desde notícias, a podcasts, canais do youtube, séries e, às vezes, filmes, tudo se encontra legalmente online. Decidi assim realçar quais os programas de entretenimento que animaram o meu 2016. Há os bons e os maus, em português e em inglês. As tentativas em alemão não contam porque não passaram de tentativas. Talvez no próximo ano!

#1 NARCOS1narcos

Uma série sobre narcotraficantes que começa por descrever como cresceu este mundo na Colômbia, como se espalhou para os Estados Unidos, como morreu Pablo Escobar e seguirá numa terceira temporada, com o português Pêpê Rapazote e com os quartéis de narcotraficantes que se mantiveram mesmo após a morte do fundador do Quartel de Medellín. Se não viram, vejam! É uma série ótima como entretenimento, assim como aprendizagem. Há críticas da família Escobar, afirmando que os factos não são todos fidedignos. É natural, trata-se de uma série de televisão. Ainda assim ótima realização, ótimos diálogos, divertida, e uma ótima perspetiva de como foi possível o negócio da cocaína ter crescido tão rapidamente. E de como um homem nunca é só mau ou bom. Há sempre dois lados da mesma moeda.

#2 HOUSE OF CARDS
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Esta série mexe-me com os nervos e torna-se compulsiva. É uma série cujos episódios de cada temporada são publicados todos no mesmo dia. Se pudesse vi-a toda no mesmo dia, também. Para minha sanidade mental não posso e acabou por render umas duas ou três semanas. Adoro o Kevin Spacey, que ator! Adoro a forma como jogam com os nossos sentimentos, como nos põe a torcer pelos maus, como desafiam as prioridades da vida, como a ambição pode atingir um extremo e mover montanhas. A Netflix lançou esta última temporada em todo o lado ao mesmo tempo, exceto na Alemanha e na Áustria. Vimo-la com um proxy que foi bloqueado antes de vermos o último episódio. Coisas do demo! Adorei e quero MUITO ver a próxima temporada.

#3 BEM-VINDOS A BEIRAIS
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É a primeira série portuguesa que aparece neste top. Podem dizer que não se compara com as séries anteriores em termos de realização e argumento. Mas isso não interessa para nada porque foi a minha melhor companhia durante a tese e durante os primeiros tempos cá. Vi TODOS os episódio (são mais de 600), ou pelo menos ouvi. É tipo os amigos… às vezes sabemos que não são as melhores pessoas do mundo e nem por isso deixamos de os adorar. E Beirais tem um espírito muito português, é emocional, é fado, é êxodo e valorização rural. É uma historia miudinha e simples, e não é uma novela que anda frente e trás sem fim aparente. Aliás, só não fica em primeiro lugar porque os efeitos que as duas primeiras impuseram em mim são muito intensos.

#4 MALUCO BELEZA4-malucobeleza

Não é um programa de televisão. Não é um programa de rádio. É um programa publicado apenas na internet. A autoria é de Rui Unas, primeiro jornalista, depois um pouco comediante e atualmente até ator. Este homem tem uma carteira de contactos tão abrangente que se pode dar ao luxo de fazer o seu próprio programa, que já é rentável e apenas na internet. Trata-se de entrevistas publicadas em segmentos ou lançadas em direto, com muito pouca edição. Na generalidade das vezes é possível conhecer um lado diferente de cada figura pública ou personagem pela qual é conhecida. Tenho conhecido umas quantas pessoas interessantes. Apenas peca porque necessita de alguma inovação. Isso e pela Maria que faz a introdução dos diretos e tem muito pouco talento para tal.

Episódio aqui: http://www.malucobeleza.tv/

#5 THE AMERICANS
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É uma história de espiões. Espiões russos infiltrados como uma comum família americana. É a melhor história de espiões porque estes espiões são pessoas, não super heróis. Há luta, há violência. Mas há também o lado humano, o lado que dói, custa e se adapta aos lugares novos. Os disfarces são geniais,  as historias mexem também. Uma família americana, que, na realidade, é russa.

#6 STRANGER THINGS
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Não é nada de novo. A história não é nova, as piadas e as personagens também não. Stranger Things é uma mistura de sucessos que funciona. Por mim funciona porque ADORO o miúdo com espaço nos dentes. Adoro a ideia de amizade sem tecnologia, sem facebooks que mascaram as nossas relações e, grande parte das vezes, devia ser proibido. Se gostam de clássicos dos anos 80, sejam bem-vindos a esta série.

#7 FARGO
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Fargo. Oh Fargo! Mixed feelings acerca de Fargo. Se por um lado a série é brutal, extremamente aleatória e inspirada no filma Fargo, por sua vez inspirado numa louca história que só se poderia ter passado nos Estados Unidos, Fargo serve-se de humor negro. E o humor negro não me faz rir e não me diverte. De maneira que se adorei tudo na série, mas o uso deste tipo de piadas, faz-me não ter vontade de a repetir. Por outro lado, se gostam de séries que vos dão a volta aos neurónios e se acham fraca a indivíduos que sofreram bullying em criança, que ficam amigos de outros indivíduos intelectualmente perturbado e com distúrbios morais, numa sala de espera dum hospital, os quais matam inimigos e supõe que salvar após matar a esposa é matar o polícia… esta série é para vocês [posso ter exagerado um bocadinho, mas é mais ou menos isto].

#8 THE TUDORS
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 Começou bem. Terminou demasiado comercial. Ainda assim, uma série de época que vale bem aproveitar para conhecer esta dinastia inglesa e a história da famosa Ana Bolena e da origem da expressão “Bloody Mary”.

Imagens: IMDB
[Mais séries no próximo post: Suits, White Colar, Frank&Grace, Dentro, Mulheres Assim, Sense 8, Orange in the New Black, Making a Murderer, Bloodline e Terapia]

Resoluções de ano novo #1

Ter ideias ao saltos é transformar a Queijadinha em modo natalício… Entretanto já lhe fiz um pompom branco e parece menos o Merlin!

Nunca sei muito bem se quando vou a Portugal vou de férias, ou se esses dias são só uma extensão do lugar onde moro. A verdade é que vou lá ao dentista, saber dos amigos, porque os amigos ainda são os de lá, é lá que vou à missa, é lá que estou nas festas e que corto o cabelo. É complicado que essa extensão da minha vida esteja à distância de um autocarro e de um avião, que tenhamos de variar pressões e temperaturas, deixando quinze graus e aterrando em menos quinze. Mas é também um luxo ter Portugal como uma extensão do lugar onde moro ao invés de ser o meu país Natal pelo qual morro de saudades. É mais do que uma extensão, é uma forma de me fazer sair da rotina chata do trabalho-casa-trabalho-ginasio-casa-trabalho- preguiça. É bom porque esta rotina mata a criatividade e a vontade pela inovação. Se há coisa que me soube bem nesta última viagem do ano foi sentir-me novamente criativa, procurar pôr mais ideias em prática