Doces, pizzas e ruas de Viana

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Voltando ao relato de como gostei de Viana, como é bonita e de como a comida vale a pena e é, por si só, uma experiência, fiquem com o relato do segundo dia.

No Domingo tomamos o pequeno-almoço, que estava incluído com a noite, e saímos diretos ao Zé Natário: queríamos bolas de Berlim. Mas ao domingo só saem de tarde, infelizmente. Então, fomos passear.

Entramos na Sé que tinha painéis a cobrir as paredes e o teto, imitando a reabilitação. Fiquei desiludida. Percebo a ideia e sei o custo de um restauro destes, mas a beleza da arquitetura não é a mesma de painéis.

Depois observamos as ruas. Que bonitas, que típicas, que bem enquadradas. Não tinha esta noção, mas Viana é capaz de ser a capital de distrito que melhor conserva a tradição, desde a construção dos edifícios, à vivência das tradições. Gostei tanto das ruas que tenho vontade de lá voltar.

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Depois almoçamos na Dolce Viana, reconhecemos o bom das pizzas serem feitas em forno a lenha e seguimos para a praia, do outro lado do rio. Apanhamos um ferry e, ao voltarmos, demos por nós sem dinheiro e sem caixas multibanco. Eu nunca imaginaria que ainda existiam sítios perto da costa com poucas caixas multibanco. O resultado foi pormo-nos ao caminho. A ponte para o outro lado ainda ficava longe. Mas ainda chegamos a tempo de voltar ao Zé Natário.

Comprei duas bolas e três pequenos doces para provar. No comboio deu-se a degustação com o impressionante resultado de eu gostar mais das Bolas compradas em Viana do que das da AIPAL compradas a meio da noite e quentinhas. A massa em si não era melhor, mas o creme menos doce e mais saboroso, juntamente com o toque de canela fizeram-nas ganhar o prémio de melhores bolas de Berlim já provadas.

Quanto aos restantes doces, comecei por provar um manjerico de Viana que só pecou pela baunilha ser pré-fabricada. O doce de ovos e amêndoa que o recheava era de bradar aos céus de tal forma que me emocionou. Eu emociono-me com comida, doces em particular. Não sei como é que acontece, mas geralmente dá-se quando quero muito comer alguma coisa, quando provo algo novo que me agrada ou quando sonho com determinado doce e finalmente o cozinho. Dou uma dentada e entre um arrepio e outro fecho os olhos, o mundo para e fico ali, a namorar a comida. Descrito desta forma só pode ser patológico, mas enfim. Os manjericos eram maravilhosos.

Os restantes pastéis, um Sidónio e o outro não sei, eram bons, mas não me entusiasmaram tanto como os anteriores.

De qualquer das formas, sim, o Zé Natário e a Dolce Viana são paragens obrigatórias para quem aprecia comida. Só não se emocionem como eu que isso é parvo.

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Ir até Viana e comer à Português

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Tenho como plano voltar a explorar Portugal. Conheço tantos lugares neste país encantador, mas há sempre mais e mais lugares que descubro e lamento ainda não ter lá ido. Era mais ou menos o caso de Viana do Castelo. Tinha uma breve memória de uma praça e recordava-me de fotografias que tirei há uns 15 anos dentro da Sé. Disse ao Pedro para decidir onde iríamos e aprovei de imediato Viana do Castelo. 

Ainda não conhecia a linha de comboio até lá e isso aumentava-me o entusiasmo. Marcamos uma noite junto ao rio e à Estação de Comboios, mas não marcamos mais nada. No sábado de manhã fizemos uma aula de Cross-Training ao ar livre, depois de almoço apanhamos um comboio para o Porto, compramos viagens para Viana e antes das 18h já lá estávamos.

Ligamos ao dono do apartamento onde alugáramos um quarto, que apareceu uns minutos mais tarde de bicicleta. Era um homenzinho caricato que vivia do turismo, alugava bicicletas e reabilitara um apartamento para turismo. A reabilitação era fraca, materiais baratos, mas tinha gosto e graça. Era, independentemente de tudo, o lugar perfeito para chegar a todo o lado a pé. Quanto a dormir, durmo em qualquer lugar.

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Estava calor e ainda caminhamos até à praia do Norte. Estava uma nortada que não se sentia no centro da cidade. Não me atrevi a tirar a roupa, mas molhei os pés e fotografei muito. Tinha saudades de fotografar.

Ao pôr do sol estávamos de regresso ao centro. Tentamos ir a uma Pizzeria, a Dolce Viana, que nos fora aconselhada por um local. Mas estava cheia e tinha lista de espera. Decidimos deixar para o almoço de domingo e fomos a um outro restaurante que nos chamara a atenção.

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Pedimos Rojões à Minhota e Arroz de Pato. Eram meias-doses que davam para três refeições de quem como o que comemos no dia-a-dia. Bom, mas nada de mais. O arroz de pato tinha passas e isso não me agradou. Pedimos cogumelos frescos salteados e estavam frios, ou pior: mal aquecidos. Mas havia um queijo e um paté muito bons. Ainda assim, o que mais gostamos foi do vinho e das sobremesas. O vinho que pedíramos estava esgotado, mas aceitamos a sugestão do senhor que nos atendera. Provamos um vinho premiado deste ano chamado “.com”. A mousse de chocolate era bem feita, caseira, e o leite creme também, queimadinho na hora. Não foi nada caro. Ainda fomos um bocadinho até junto do rio e no dia seguinte descansamos até tarde.

Quanto a domingo, conto noutro dia.

Fazer do fim de semana Férias

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Começou na sexta com um jantar cheio de primos. Foi tão bom, tão bom que a certa altura o senhor do restaurante já nos odiava – pessoas felizes fazem muito barulho e comem bem. Disse-nos, inclusive, para dividirmos comida porque, enfim, nunca vira as travessas de carneiro que comemos quando nos juntamos. Não sobrou nada.

No sábado, fui fazer um treino-experiência. Em setembro tenho de voltar ao exercício regular e preciso de perceber que tipo de treino quero fazer. O treino foi tão bom, tão bom que no domingo soltava “uis” de cada vez que me levantava e baixava.

Depois enfiamos meia dúzia de coisas na mochila, compramos um bilhete e fomos até Viana do Castelo. Estou tão bem impressionada com Viana que vou dedicar uma ou duas publicações ao assunto. Vi uma cidade ainda mais bonita do que o que me recordava, apanhei sol, comi muito, provei doces maravilhosos e dormi tantas horas que até lhes perdi a conta.

Soou e soube tanto a férias, assim, simples, em apenas dois dias!

Algumas fotografias do fim de semana AQUI.

 

Santorini

Às 7h já estávamos no Porto de Piraeus prontos para entrar no ferry. O barco era enorme, como víramos no dia anterior, e tinha lá escrito “Santorini”. A fila já se formava e tinha uns longos metros, mas muito rapidamente embarcamos. Primeiro os camiões de mercadorias e os veículos, de quem os levava, depois as pessoas que, de escada rolante, se deslocavam para diferentes lugares do barco. Nós, com os bilhetes mais económicos, podíamos ficar ao ar livre, na zona do restaurante, ou nos sofás e mesas que se estendiam pelo primeiro andar do barco. Encontramos um bom sofá para dormir, perto havia casas de banho e restaurante e até perto do final da viagem, quando fomos apanhar sol, ficamos confortavelmente por ali.

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Às 15h atracamos em Santorini e, depois de dois autocarros e uma caminhada, entramos no hotel, demos um mergulho e regressamos à cidade principal Fira. A Free Walking Tour começou às 17h30 e nós conseguimos chegar a tempo!

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O percurso começou junto da igreja ortodoxa e, por um caminho com vista para o mar, caminhamos uns quilómetros até Imerovigli. Entretanto ouvimos histórias sobre os deuses, sobre a atividade vulcânica, sobre arquitectura (antes do antigo terramoto, as casas eram construídas em pedra preta de origem vulcânica como uma das únicas na fotografia), sobre os preços das casas naquele local. Ouvimos até que a ilha, no inverno, tem 22 mil habitantes e 2 milhões no verão. E, de ressalvar que, tudo o que nos deixava alerta em Atenas não existia ali: nem os graffitti, nem os lugares deixados ao abandono ou o lixo que estava por toda a cidade. Em Santorini há uma Grécia diferente e paisagens maravilhosas que fizeram daquelas duas horas, um tempo tão bem passado!

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Dali, apanhamos um autocarro para Oia onde veríamos o pôr do sol. Tinha medo de me desapontar com tanta expectativa. Não me desapontei. O pôr do sol é sempre bonito e as cores do de Santorini são diferentes do pôr-do-sol português – na imagem mostro-vos a imagem mais real que fui capaz de captar. Esqueçam as fotografias da internet, não têm nada a ver com a realidade. Principalmente quando o sol ficar completamente vermelho que, mesmo com muito esforço, a minha lente não conseguiu captar.

Depois disso, encontramos um tasco – acho que não teríamos dinheiro para pagar qualquer outro restaurante ali, jantamos e regressamos ao hotel. Ainda houve tempo para um mergulho, tal e qual após o pequeno almoço do dia seguinte.

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Ao pequeno almoço também percebemos que a excursão ao vulcão não tinha sido confirmada. A rececionista do hotel ajudou-nos e reclamou com a agência, que na realidade voltou a enrolar-se: reconheceram a falha combinamos que nos apanhariam às 16h no hotel. Estranhamos que nos fossem buscar. Mas relaxamos. Até que por email disseram que afinal não, afinal teria de ser às 14h e que não nos iam buscar. Devia ser perto da uma da tarde. Saímos da piscina e zarpamos para o autocarro.

O autocarro passou de imediato, precisávamos de almoçar e, no caminho para o funicular que descia a encosta para o antigo Porto (por 6 euros), encontramos um restaurante com uma vista invejável, pedimos o que fosse mais rápido. Serviram-nos Mousaka. Às 13h50 chegamos, finalmente, ao funicular que partiu já depois das 14h. Estávamos preparados para já não encontrar o barco no porto e para pedir o reembolso custe o que custasse. Mas, disse ao Pedro, que nada estava perdido, para continuar em contacto com a agência onde compramos a excursão, que percebemos mais tarde, não ser a detentora dos barcos. Quando chegamos ao porto às 14h10, o barco acabava de chegar da outra viagem e fomos a tempo de embarcar.

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O barco e a caminhada por cima do vulcão custaram 22,50 euros por pessoa e foram extremamente bem gastos. A certa altura pudemos sair do barco e mergulhar no mar azul, um azul como não vira antes, que gradualmente ficava verde e depois acastanhado, quanto mais próximos estávamos da caldeira do vulcão. A água era quente e o vermelho do ferro ficava-nos no corpo. A ideia de estar por cima de um vulcão, de sentir que está ativo e de visualizar muitos dos conceitos que os meus professores de geologia (tanto no secundário como na faculdade encontrei verdadeiros aficcionados e apaixonados pela disciplina) adoravam contar, foi fabuloso. Depois seguimos para a ilha onde vimos diferentes rochas, aprendemos sobre a posição do vulcão em relação às ilhas e gostamos de contribuir (com o pagamento de uma taxa para entrada no vulcão) para que haja um controlo sismológico, garantindo o acesso e a segurança à ilha.

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A ida a Santorini ficara ganha naquele momento. Quando regrassamos ao porto bebi um café com gelado e gelo – devia ser do calor, mas soube-me tão bem como marisco! Daí, seguimos para uma praia que, além da temperatura boa da água, não me encantou. Voltamos para o hotel e no caminho vimos o pôr do sol. Não sei se não será mais bonito em entre Fira e a Red Beach do que em Oia. Jantamos peixe, numa fish tavern, em Kartherados, mas nada de espetacular para nós que estamos habituados a peixe fresco. No hotel, conversamos um bocadinho junto à piscina, onde passamos a manhã do dia seguinte também. Voltamos ao ferry e, mais uma vez, a viagem fez-se muito bem até que a caixa multibanco decidiu não nos dar o dinheiro que levantávamos. Mas isso é história para um próximo post.

Santorini – porquê, onde, como e quanto? 

DSC_0331.JPGAo contrário de qualquer viagem que possa ter, anteriormente, descrito aqui no blog, um dos objetivos da última viagem foi descansar. Não combina comigo pagar férias, principalmente no estrangeiro, que se baseiem na ideia hotel-praia-piscina. Morando tão perto da praia e sendo este tipo de férias tão caras e com tão pouco de novo, parece-me que estou a desperdiçar dinheiro. Mesmo assim, quis muito ir a Santorini.

Porquê?

A ilha de Thyra, conhecida por Santorini, não é só um lugar com praias bonitas e pores-do-sol famosos. É uma ilha vulcânica, está junto de um vulcão ativo, tem uma arquitectura particular, vive exclusivamente de e para o turismo, tem videiras rasteiras que dão origem a vinhos raros, pela pouca área da ilha, pelo solo vulcânico e por ter apenas 45 a 50 dias de chuva por ano, já foi destruída num tremor de terra e, a qualquer momento, poderá sofrer outro. Por tudo isto, pela beleza natural e pela possibilidade de experiências únicas, queria muito lá ir.

Onde dormimos?

Juntando tudo isto à ideia do descanso, encontramos um hotel com piscina e louvamos a ideia porque há alturas do dia em que só se consegue sobreviver dentro de água. O hotel era muito familiar, como grande parte dos pequenos hotéis neste lugar. Era azul e branco e cada quarto tinha acesso pelo exterior, com uma pequena varanda e vista para o nascer do sol. O branco, fresco, e o azul, como o mar e a bandeira, são as cores predominantes da ilha. A suite era grande, confortável e o lugar muito seguro. A piscina tinha sempre acesso livre e acabamos por dar mergulhos de manhã, à tarde e depois do pôr do sol. O hotel chama-se Stravos Villas e fica a 10 minutos a pé de uma paragem de autocarro. Mas há centenas de boas opções.

Quanto tempo é necessário?

Dois dias lá pareceram-nos mais do que suficientes para conhecer a ilha e descansar. No fundo, além do turismo não há mais nada e o interior da ilha é desértico. Percebemos a pasmaceira que era e não compreendemos muito bem qual é o encanto de passar semanas inteiras lá. MAS, há sempre um mas, é uma questão de gostos, de opiniões e de formas de viajar.

Como chegar e como circular?

Há um aeroporto na ilha e não há forma mais fácil de chegar lá do que de avião. Quando compramos as viagens, os voos estavam caros, mas possivelmente com antecedência ou noutras alturas do ano seja diferente. Por isso, e como íamos de Atenas, optamos pelos barcos ou ferries. A Blue Stars foi a companhia mais barata que econtramos e há passagens desde 20 euros. A viagem dura meio dia, mas faz-se de forma muito confortável.

Dentro da ilha a maioria dos visitantes aluga motas (de duas ou quatro rodas) ou carros. Mas os transportes públicos são bons e pontuais. Alugar não é uma solução nada cara e é, sem dúvida, a mais prática. Mas, sabem, andar a pé é tão bom e os meus músculos estavam tanto a precisar de exercício que decidimos ficar-nos pelos transportes e caminhar muito.

Na  próxima semana conto o que visitamos e como correu tudo!

Atenas – o segundo dia

Os posts sobre viagens podem ser encontrados AQUI.

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No segundo dia em Atenas, as temperaturas estavam ainda mais elevadas, qualquer coisa como 45ºC às cinco da tarde. A Acrópole fechou porque havia quem desmaiasse, imaginem só. Mas nós, fortíssimos e com litros infinitos de água, conseguimos cumprir todos os planos.

A ideia de querer sair cedo do hotel, mas ter um bom pequeno almoço à disposição e precisar de descanso, tornam a tarefa difícil de cumprir. Diria mesmo impossível. Quando saímos para conhecer o que faltava em Atenas, já passava das 10h30.

 

 

Começamos pela Ágora, na Grécia Antiga era a baixa da cidade onde se localizavam os mercados, os templos e os serviços mais importantes, como, por exemplo, o tribunal. Dentro de um recinto enorme, de onde se via a Acrópole, conseguimos ver apenas três edifícios de pé: o templo de Hefesto, ainda conservado, mas cujas decorações foram roubadas; uma stoa – corredor coberto e com muitas colunas, formando uma praça; e um templo Bizantino. Tudo o resto eram ruínas, com muita pena nossa. A reconstrução daquela zona traria muito mais riqueza cultural e educativa à cidade.

 

 

Se vos parece pouco consistente a existência de um templo Bizantino, por entre edifícios associados à Grécia clássica, eu também não imaginava que assim seria. Mas acho que só tornou tudo mais interessante. Os edifícios não existiram e, de um momento para outro, foram destruídos e soterrados. O que acontecia é que ao serem conquistados, eram parcialmente destruídos e por cima, ou no lugar dos mesmos, construíam-se outros. Durante alguns séculos, a cidade foi constantemente destruída e reedificada e atualmente, os arqueólogos estão a descobrir, a aprender e a desterrar pedacinhos de história. Depois reconstroem o que é possível e permite-nos ver o quanto não estamos assim tão avançados no que toca a instrumentos e técnicas básicas.

Depois disto demos por nós à descoberta. Encantei-me pela bijuteria grega – desde as imitações às verdadeiras jóias. Há aspetos em que eu não gosto da ideia de estética deles, nas casas, nas igrejas, acho tudo muito desorganizado. Mas depois há as jóias e eu trazia algumas ourivesarias inteiras. Não fosse o custo da coisa e juro que voltaria adornadíssima.

 

 

Conseguimos entrar de soslaio numa igreja ortodoxa. Geralmente elas não estão abertas ao público e, quando estão, não é fácil circular livremente. Ali, entramos sem turistas e conseguimos ficar por cinco ou dez minutos a contemplá-la. Era bonita, mas não tão encantadora, grandiosa e ampla como as nossas. Era escura, pobre em materiais mas rica em pinturas, que revestiam todas as paredes e madeiras. Havia cadeiras em vez de bancos corridos e candeeiros que se aproximam mais das tradições islâmicas do que das da Igreja católica apostólica.

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Ficavam a faltar os edifícios neoclássicos, construídos no século XIX e que imitam toda a arquitetura da Grécia clássica. As formas, as cores e todos os detalhes são encantadores e podem ser vistos nos atuais edifícios da Biblioteca Nacional, da Universidade e da Escola das Artes.

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Dali paramos num restaurante qualquer, pouco turístico e com ar condicionado. Gosto que sirvam água mal entramos. Na maioria das vezes oferecida, gosto muito dos molhos suaves deles e do kebab grego – a carne é tão melhor do que a dos kebabs que os turcos nos têm habituado! Em pouco tempo tínhamos um tabuleiro de entradas à escolha; eram pratos à base de queijo, legumes e iogurte. Pegamos em dois: um queijo fresco e suave e uma salada de repolho com tzaziki. De seguida o Pedro pediu uma salada de repolho e cenoura, que misturou com os pratos que tínhamos anteriormente e adorou. Diz que era o melhor que poderia ter comido com tanto calor. Eu, por outro lado, pedi um kebab, servido em forma de wrap com tzaziki e tomate. Juntando a tudo isto um pão que fica ali algures entre o nosso molete e o pão árabe, pagamos uns 15 euros e fomos extremamente bem servidos. O restaurante chama-se Neoclassico.

Ao fim da tarde, ainda com 40ºC caminhamos por mais de duas horas ao som de um guia. E que guia! Fiquei com vontade de o trazer comigo dentro de uma caixinha. Essa caixinha serviria para as pausas em que precisasse de mudar de foco. Mandava-o falar e ele começava com toooodo o seu conhecimento sobre a história da Grécia e do mundo. Falou-nos sobre os vários pilares da cultura Grega: Geometria, Desporto, Sabedoria, Filosofia, Arquitetura e Política. Tinha um bocadinho o síndrome geral dos gregos: dantes é que era, agora estão todos contra nós, mas à parte disso, recomendo vivamente esta visita.

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Como se o dia esticasse, depois da Visita Guiada, seguimos para a praia. Há uma linha de elétrico que percorre toda a costa. Saímos numa praia qualquer e qual não foi a nossa surpresa, quando vimos a praia cheia. Começamos por molhar os pés. A água estava tão boa que eu comecei a ameaçar que não sairia dali sem ir à água. O Pedro, pessoa mais decente do que eu, tentava que não me enfiasse na água de roupa interior. No fundo, o problema é que se eu fosse ele também não resistiria. E pronto, assim foi. Sem toalhas ou roupas para banho, mergulhamos e foi bem bom e divertido. Saímos da praia ainda com imensa gente lá, encharcados mas felizes da vidinha. Fomos ao hotel tomar um banho e, com o cansaço, não fosse a fome que teríamos durante a noite e nem jantar teríamos ido.

Histórias de Viagem: deuses, livrarias e capitães

Enquanto escrevo este texto estou em alto mar, algures entre Santorini e a Grécia continental. A viagem ainda não terminou mas há duas coisas que tenho a certeza recordar-me para sempre e quero partilhá-las convosco.

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A primeira (e menos fascinante) é um ensinamento que nos tem sido transmitido em diferentes pontos desta viagem: as histórias dos deuses gregos não são histórias de encantar, são mitos. São histórias, sim, mas que justificam uma realidade antes do conhecimento como o temos agora, numa busca por respostas. Todas essas histórias têm um fundo de verdade, embora seja uma verdade à luz do conhecimento de há 3000 anos.

É possível sentir esta perspetiva de forma muito intensa nos monumentos construídos em plena civilização grega, como a Acrópole ou as ruínas dos diversos templos e teatros. Há uma grandiosidade no conhecimento das técnicas de construção, na sua matemática, na mesma proporção repetida vezes sem conta e na forma como quiseram deixar a marca dos seus deuses e da edificação que os contempla.

A segunda história está relacionada com livros e tem muita fantasia a encanto. Tínhamos acabado de ver o pôr-do-sol em Oia e procurávamos um lugar para jantar. Mas, como havia milhares de pessoas a sair de Oia, milhares sem exagero, quando demos de caras com uma livraria tão bonita, com um gato a descansar do calor e um terraço para onde todos podiam ir, na condição de tirarem os sapatos, quis fugir para lá até à multidão passar. Em vez disso, entramos na livraria. Vendiam-se primeiras edições e outros livros antiquíssimos. A cada passo que dávamos, a livraria era mais bonita. Num repente, como se tudo isto não bastasse por si só, descobrimos a sua bela história. É uma história simples e de gente que não complica a vida. Uma daquelas histórias que a rotina não nos deixa acreditar que existem. Daquelas histórias de viagens que mudam vidas.

Foi numa viagem à ilha que não tinha uma livraria, que as asas da criatividade de dois amigos e de mais alguns que se foram juntando, permitiram que voassem bem alto. A livraria está aberta há treze anos e eles ficaram por lá, moram na ilha, alojam gatos e cães e compram edições de livros invejáveis por pura diversão, porque gostam de as ter, mesmo que não sejam vendidos posteriormente. Pois, e se vos dissesse que há livros raríssimos a serem vendidos? Se vos contasse que vimos um livro de três mil euros a ser vendido, acreditavam?

Foi o capitão de um barco que o comprou e que, no pagamento, perguntou por um outro livro, que também acabou a comprar. Um por três mil, outro por quinhentos euros. Em dinheiro. O homem estava genuinamente feliz e acreditava que naqueles livros aprenderia muito sobre mares e história das regiões que banham.

Não é absolutamente fascinante? Só queríamos fugir da multidão, foi fácil fazê-lo numa livraria e desvendou-se a livraria com a melhor história que já ouvi, onde um capitão gastou três mil e quinhentos euros em livros!  

A livraria chama-se Atlantis Books e tem loja online (mas não tão fantástica)!