Marrocos

Acabadinha de chegar de Marrocos, entrei há pouco num avião para a Irlanda. Ainda estou a tentar digerir as cores, os cheiros, os trajes e as aventuras dos últimos dias.

Começamos por perder o voo, culpa da TAP que insiste na história da ponte aérea, quando o aeroporto de Lisboa não se aguenta com tantos requisitos, tem más condições e é caótico para fazer voos de ligação. O avião partiu tarde do Porto, chegou ainda mais tarde a Lisboa e a faltarem 15 minutos para o segundo voo desatamos a correr. Atravessamos o aeroporto, ouvimos um senhor dizer “estão-se a cansar e vão perder o avião na mesma”. Mal ele imaginava do certo que estava. Assim foi, perdemos. Mas, felizmente para os nossos planos, houve outro voo com direção a Marraquexe no mesmo dia e ainda almoçamos por conta da TAP.

Chegadinhos a Marraquexe, tínhamos o taxista do hotel à espera. Falava árabe e francês. Eu compreendo o francês de conversação, mas sai-me muito pouco da boca para fora. Lá nos desenrascamos. Entramos no texi e eis senão quando, de um momento para o outro, o taxi pára para entrar uma senhora. Entra e falam em árabe. Era alguém conhecido do taxista que decidiu não deixar fazer o caminho a pé. Assim sem um “não see importam”.

Na rua para o centro da Medina, onde dormiríamos, começamos a sentir a cidade: a quantidade de motorizadas, a liberdade das mulheres e os atrelados super-lutados. Muitas cores, muita luz. Sorríamos muito, era um impacto daqueles que procurávamos.

Depois do taxi entrar na Medina, o carro parou. Teríamos de avançar o restante a pé. Foi aí que se aproximou um novo interveniente que nos levaria ao Riad. Pode parecer estranha a quantidade de pessoas que nos abordam, como se nos conhecessem desde sempre, dirigindo-se a nós pelo nome. É uma questão de sobrevivência, vivem do Turismo e aprendem muita coisa para serem bons dessa forma.

Sobre os Riads falarvos-ei mais tarde, assim como quanto à forma como tratam as mulheres e os seus trajes. Por agora devo só dizer-vos que no primeiro dia vaguemos pelos Souks, compramos frutos secos e adoramos cada detalhe.

Os três dias que se seguiram foram essencialmente passados em autocarro, a caminho do deserto, passando por locais que a nossa existência não seria capaz de imaginar. Comunidades perdidas por zonas entre o nada, património da humanidade que não sabíamos existir. Montamos camelos que nos levaram ao meio do deserto, onde dormimos e vimos estrelas.

Ao regressar a Marraquexe descobrimos o nosso novo poiso, desta vez com um toque de relaxamento: piscina no terraço e um bom quarto. Visitamos alguns lugares que nos interessavam e em que a dificuldade era encontrá-lo, entre vielas e vielinhas. Aproveitamos o sol e a piscina e o último dia terminou com uma intoxicação alimentar. Toda a experiência Marroquina completa.

Fica um pequenino vídeo:

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Uma paixão por Moinhos de Vento

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Não sei bem explicar, mas sempre gostei de moinhos de vento, embora não tenha visto nenhum até há 3 anos atrás. Acho que o engenho em si tem uns pozinhos de magia, de vento mói-se farinha, um por um, energeticamente eficiente, sustentável. A calma de um moinho visto de dentro, junto de uma pedra grande que roda sobre outra, não denuncia a magestrude da ventoinha que tem fora. É a plenitude de um trabalho bem feito, resultado de uma engenharia sem igual. É (quase) mágico.

Há três anos atrás, terminava a minha tese e estava exausta. Combinamos um fim de semana num lugar que eu só descobriria no dia da chegada. Até que alguém me trocou as voltas e marcou a apresentação da minha tese fora das datas definidas para tal, no dia seguinte ao regresso do fim de semana de férias. O passeio passou a ser de um só dia, mas daqueles dias que valem por semanas. Fomos até à Lourinhã, pusemos um moinho a funcionar e lanchamos dentro dele, com pão feito da farinha que ele moeu.

Se eu já gostava de moinhos de vento, nesse dia só os achei mais admiráveis. Desde aí já passei por uns quantos. Os últimos foram os da fotografia, perto de Penacova, embora estejam quase todos destruídos. Uma pena, triste mesmo, mas pouco valorizados atualmente. Isto de sermos muitos e consumistas não permite que os processos tradicionais continuem eficientes.

Há mais alguém com uma paixão por moinhos de vento?

Uma tarde em Hallstatt

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Pensamos em visitar Hallstatt várias vezes. Ou a desculpa era o frio, ou o calor e o amontoar de turistas por essas alturas. Ou então queríamos esperar por amigos que queriam visitar connosco este lugar. A verdade é que precisei de decidir regressar a Portugal para lá ir. Valeu a demora!

Saímos cedo de casa, de bilhetes de comboio na mão. Trocamos umas quantas vezes de comboio e a cada troca, a paisagem tornava-se mais bonita: verde, água e com casas tão perfeitas que aposto, foram estrategicamente lá colocadas.

Quando chegamos ao destino, sem planos em mãos, sem decisões para o dia, percebemos que o comboio parava na margem do lago oposta à cidade onde queríamos ir. Felizmente os ferries estão coordenados com os comboios e não esperamos nada. As viagens de ida e volta custaram 5 euros por pessoa e dali a nada, demos por nós em pleno lago, com uma vista igual à das belas fotografias. Não nos desiludimos nem por um bocadinho.

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O tempo estava maravilhoso para passear: fresco e solarengo. A luz era muito intensa para fotografar e o sol, depois do almoço, já não era favorável às melhores fotografias. Ainda assim foi bom; paramos vezes sem conta porque podíamos e nos apetecia ajustar um bocadinho melhor o modo manual da máquina fotográfica.

Fizemos um piquenique junto ao lago, enquanto partilhamos uvas com sisnes. Pagamos couro e cabelo por um café (não estivéssemos nós na Áustria) e prosseguimos o passeio.

DSC_0196Era uma zona de sal e de azeite. Havia vários sais que experimentamos e os sabonetes, à base de azeite, eram também uma atração. Compramos uns alces decorativos e eu decidi que queria alugar um barco. 

No verão aquele lugar deve ser impossível. Esperamos cerca de meia hora para termos um barco livre, embora estivesse tudo muito calmo. No verão imagino que o caos se deve instalar. Foram 30 minutos de uma calma e beleza incomparáveis. O barco era elétrico e muito estável. Conseguimos trocar de condutor a meio da viagem, conseguimos, uma vez mais, fotografar muito. Até encontramos um castelo das histórias de encantar por lá!

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Por entre o passeio passamos por um cemitério. Eu gosto de cemitérios porque contam histórias sobre a forma como cada lugar encara a morte, traduz traços culturais e são sem dúvida lugares interessantes. Em alemão, a palavra cemitério traduz-se lugar da paz. Acho uma expressão tão bonita e muito menos pesado do que a conotação que damos ao nome em português.

Na fotografia, os senhores estão trajados tradicionalmente. Além de demonstrar que o traje tradicional é um traje formal, que se veste em festas, ainda conseguimos ver que o senhor caçava. É ou não maravilhoso e leve?

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No final do dia regressamos a casa, também de comboio. Perdemos uma das ligações e acabamos a jantar num turco, no meio de nenhures, sem bateria nos telemóveis. Vimos os resultados das eleições legislativas pela televisão e umas horas depois chegamos a casa. 

Os passeio de um dia são imensamente grandes e valem cada segundo. 

5 dias de Passeios por Lugares Bonitos

 

Se 2016 foi marcado por um recorde tempo em que eu e o Pedro passamos tempo juntos, 2017 será marcado por passarmos metade do ano à distância. Quando se muda de país, não se conhece ninguém e se acaba a trabalhar na mesma empresa que um namorado, o tempo em comum é realmente muito. E quando no ano seguinte tudo muda de figura, é bem interessante perceber a capacidade de adaptação.

Na tentativa de minimizar os 6 meses em países diferentes, tentamos que o Pedro viesse cá em Outubro e ficasse por umas semanas. Não foi possível. Por isso, com 3 dias de férias e um fim de semana, voei eu para a Suíça, passei pelo T1 mais bonito de Innsbruck, visitei um dos lugares mais bonitos da Europa e regressei pela Alemanha.

Parece muita coisa para tão pouco tempo? Ah, não é. Tenho uma paixão por viagens de comboio e as paisagens alpinas são ótimas companheiras. Longos lagos, paisagens tão verdes como as do vídeo (não há qualquer filtro nas imagens) e uma tranquilidade que não há por cá.

Os percursos de comboio inspiram-me muito e permitem-me 5 das minhas coisas favoritas:
1. Aproveitar a paisagem,
2. Dormir,
3. Ter tempo para estar sozinha,
4. Conhecer pessoas interessantes,
5. Adiantar trabalho ou mesmo escreve no blog.

A verdade é que o primeiro dia, meio em viagem, voou. Quando dei por mim, estava em casa, o sol raiava como já não acontecia há uns valentes meses por lá. Depois, o sol pôs-se nas montanhas vistas pela janela grande da sala e eu já não pensava em regressar à vidinha de cá.

Ainda fomos ao Auis (estávamos há uma eternidade para lá ir) comer bifes, burritos e um belo Tiramissu. Depois, fomos a Hallstatt e não poderia haver lugar mais idílico, nem melhor sol. Tenho fotografias belíssimas para partilhar (ainda este mês, espero eu).

Regressei com a certeza que Innsbruck é uma cidade incomparavelmente bonita e que ainda há muitos lugares na Áustria por onde quero passar.

Doces, pizzas e ruas de Viana

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Voltando ao relato de como gostei de Viana, como é bonita e de como a comida vale a pena e é, por si só, uma experiência, fiquem com o relato do segundo dia.

No Domingo tomamos o pequeno-almoço, que estava incluído com a noite, e saímos diretos ao Zé Natário: queríamos bolas de Berlim. Mas ao domingo só saem de tarde, infelizmente. Então, fomos passear.

Entramos na Sé que tinha painéis a cobrir as paredes e o teto, imitando a reabilitação. Fiquei desiludida. Percebo a ideia e sei o custo de um restauro destes, mas a beleza da arquitetura não é a mesma de painéis.

Depois observamos as ruas. Que bonitas, que típicas, que bem enquadradas. Não tinha esta noção, mas Viana é capaz de ser a capital de distrito que melhor conserva a tradição, desde a construção dos edifícios, à vivência das tradições. Gostei tanto das ruas que tenho vontade de lá voltar.

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Depois almoçamos na Dolce Viana, reconhecemos o bom das pizzas serem feitas em forno a lenha e seguimos para a praia, do outro lado do rio. Apanhamos um ferry e, ao voltarmos, demos por nós sem dinheiro e sem caixas multibanco. Eu nunca imaginaria que ainda existiam sítios perto da costa com poucas caixas multibanco. O resultado foi pormo-nos ao caminho. A ponte para o outro lado ainda ficava longe. Mas ainda chegamos a tempo de voltar ao Zé Natário.

Comprei duas bolas e três pequenos doces para provar. No comboio deu-se a degustação com o impressionante resultado de eu gostar mais das Bolas compradas em Viana do que das da AIPAL compradas a meio da noite e quentinhas. A massa em si não era melhor, mas o creme menos doce e mais saboroso, juntamente com o toque de canela fizeram-nas ganhar o prémio de melhores bolas de Berlim já provadas.

Quanto aos restantes doces, comecei por provar um manjerico de Viana que só pecou pela baunilha ser pré-fabricada. O doce de ovos e amêndoa que o recheava era de bradar aos céus de tal forma que me emocionou. Eu emociono-me com comida, doces em particular. Não sei como é que acontece, mas geralmente dá-se quando quero muito comer alguma coisa, quando provo algo novo que me agrada ou quando sonho com determinado doce e finalmente o cozinho. Dou uma dentada e entre um arrepio e outro fecho os olhos, o mundo para e fico ali, a namorar a comida. Descrito desta forma só pode ser patológico, mas enfim. Os manjericos eram maravilhosos.

Os restantes pastéis, um Sidónio e o outro não sei, eram bons, mas não me entusiasmaram tanto como os anteriores.

De qualquer das formas, sim, o Zé Natário e a Dolce Viana são paragens obrigatórias para quem aprecia comida. Só não se emocionem como eu que isso é parvo.

Ir até Viana e comer à Português

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Tenho como plano voltar a explorar Portugal. Conheço tantos lugares neste país encantador, mas há sempre mais e mais lugares que descubro e lamento ainda não ter lá ido. Era mais ou menos o caso de Viana do Castelo. Tinha uma breve memória de uma praça e recordava-me de fotografias que tirei há uns 15 anos dentro da Sé. Disse ao Pedro para decidir onde iríamos e aprovei de imediato Viana do Castelo. 

Ainda não conhecia a linha de comboio até lá e isso aumentava-me o entusiasmo. Marcamos uma noite junto ao rio e à Estação de Comboios, mas não marcamos mais nada. No sábado de manhã fizemos uma aula de Cross-Training ao ar livre, depois de almoço apanhamos um comboio para o Porto, compramos viagens para Viana e antes das 18h já lá estávamos.

Ligamos ao dono do apartamento onde alugáramos um quarto, que apareceu uns minutos mais tarde de bicicleta. Era um homenzinho caricato que vivia do turismo, alugava bicicletas e reabilitara um apartamento para turismo. A reabilitação era fraca, materiais baratos, mas tinha gosto e graça. Era, independentemente de tudo, o lugar perfeito para chegar a todo o lado a pé. Quanto a dormir, durmo em qualquer lugar.

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Estava calor e ainda caminhamos até à praia do Norte. Estava uma nortada que não se sentia no centro da cidade. Não me atrevi a tirar a roupa, mas molhei os pés e fotografei muito. Tinha saudades de fotografar.

Ao pôr do sol estávamos de regresso ao centro. Tentamos ir a uma Pizzeria, a Dolce Viana, que nos fora aconselhada por um local. Mas estava cheia e tinha lista de espera. Decidimos deixar para o almoço de domingo e fomos a um outro restaurante que nos chamara a atenção.

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Pedimos Rojões à Minhota e Arroz de Pato. Eram meias-doses que davam para três refeições de quem como o que comemos no dia-a-dia. Bom, mas nada de mais. O arroz de pato tinha passas e isso não me agradou. Pedimos cogumelos frescos salteados e estavam frios, ou pior: mal aquecidos. Mas havia um queijo e um paté muito bons. Ainda assim, o que mais gostamos foi do vinho e das sobremesas. O vinho que pedíramos estava esgotado, mas aceitamos a sugestão do senhor que nos atendera. Provamos um vinho premiado deste ano chamado “.com”. A mousse de chocolate era bem feita, caseira, e o leite creme também, queimadinho na hora. Não foi nada caro. Ainda fomos um bocadinho até junto do rio e no dia seguinte descansamos até tarde.

Quanto a domingo, conto noutro dia.

Fazer do fim de semana Férias

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Começou na sexta com um jantar cheio de primos. Foi tão bom, tão bom que a certa altura o senhor do restaurante já nos odiava – pessoas felizes fazem muito barulho e comem bem. Disse-nos, inclusive, para dividirmos comida porque, enfim, nunca vira as travessas de carneiro que comemos quando nos juntamos. Não sobrou nada.

No sábado, fui fazer um treino-experiência. Em setembro tenho de voltar ao exercício regular e preciso de perceber que tipo de treino quero fazer. O treino foi tão bom, tão bom que no domingo soltava “uis” de cada vez que me levantava e baixava.

Depois enfiamos meia dúzia de coisas na mochila, compramos um bilhete e fomos até Viana do Castelo. Estou tão bem impressionada com Viana que vou dedicar uma ou duas publicações ao assunto. Vi uma cidade ainda mais bonita do que o que me recordava, apanhei sol, comi muito, provei doces maravilhosos e dormi tantas horas que até lhes perdi a conta.

Soou e soube tanto a férias, assim, simples, em apenas dois dias!

Algumas fotografias do fim de semana AQUI.