Santorini

Às 7h já estávamos no Porto de Piraeus prontos para entrar no ferry. O barco era enorme, como víramos no dia anterior, e tinha lá escrito “Santorini”. A fila já se formava e tinha uns longos metros, mas muito rapidamente embarcamos. Primeiro os camiões de mercadorias e os veículos, de quem os levava, depois as pessoas que, de escada rolante, se deslocavam para diferentes lugares do barco. Nós, com os bilhetes mais económicos, podíamos ficar ao ar livre, na zona do restaurante, ou nos sofás e mesas que se estendiam pelo primeiro andar do barco. Encontramos um bom sofá para dormir, perto havia casas de banho e restaurante e até perto do final da viagem, quando fomos apanhar sol, ficamos confortavelmente por ali.

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Às 15h atracamos em Santorini e, depois de dois autocarros e uma caminhada, entramos no hotel, demos um mergulho e regressamos à cidade principal Fira. A Free Walking Tour começou às 17h30 e nós conseguimos chegar a tempo!

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O percurso começou junto da igreja ortodoxa e, por um caminho com vista para o mar, caminhamos uns quilómetros até Imerovigli. Entretanto ouvimos histórias sobre os deuses, sobre a atividade vulcânica, sobre arquitectura (antes do antigo terramoto, as casas eram construídas em pedra preta de origem vulcânica como uma das únicas na fotografia), sobre os preços das casas naquele local. Ouvimos até que a ilha, no inverno, tem 22 mil habitantes e 2 milhões no verão. E, de ressalvar que, tudo o que nos deixava alerta em Atenas não existia ali: nem os graffitti, nem os lugares deixados ao abandono ou o lixo que estava por toda a cidade. Em Santorini há uma Grécia diferente e paisagens maravilhosas que fizeram daquelas duas horas, um tempo tão bem passado!

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Dali, apanhamos um autocarro para Oia onde veríamos o pôr do sol. Tinha medo de me desapontar com tanta expectativa. Não me desapontei. O pôr do sol é sempre bonito e as cores do de Santorini são diferentes do pôr-do-sol português – na imagem mostro-vos a imagem mais real que fui capaz de captar. Esqueçam as fotografias da internet, não têm nada a ver com a realidade. Principalmente quando o sol ficar completamente vermelho que, mesmo com muito esforço, a minha lente não conseguiu captar.

Depois disso, encontramos um tasco – acho que não teríamos dinheiro para pagar qualquer outro restaurante ali, jantamos e regressamos ao hotel. Ainda houve tempo para um mergulho, tal e qual após o pequeno almoço do dia seguinte.

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Ao pequeno almoço também percebemos que a excursão ao vulcão não tinha sido confirmada. A rececionista do hotel ajudou-nos e reclamou com a agência, que na realidade voltou a enrolar-se: reconheceram a falha combinamos que nos apanhariam às 16h no hotel. Estranhamos que nos fossem buscar. Mas relaxamos. Até que por email disseram que afinal não, afinal teria de ser às 14h e que não nos iam buscar. Devia ser perto da uma da tarde. Saímos da piscina e zarpamos para o autocarro.

O autocarro passou de imediato, precisávamos de almoçar e, no caminho para o funicular que descia a encosta para o antigo Porto (por 6 euros), encontramos um restaurante com uma vista invejável, pedimos o que fosse mais rápido. Serviram-nos Mousaka. Às 13h50 chegamos, finalmente, ao funicular que partiu já depois das 14h. Estávamos preparados para já não encontrar o barco no porto e para pedir o reembolso custe o que custasse. Mas, disse ao Pedro, que nada estava perdido, para continuar em contacto com a agência onde compramos a excursão, que percebemos mais tarde, não ser a detentora dos barcos. Quando chegamos ao porto às 14h10, o barco acabava de chegar da outra viagem e fomos a tempo de embarcar.

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O barco e a caminhada por cima do vulcão custaram 22,50 euros por pessoa e foram extremamente bem gastos. A certa altura pudemos sair do barco e mergulhar no mar azul, um azul como não vira antes, que gradualmente ficava verde e depois acastanhado, quanto mais próximos estávamos da caldeira do vulcão. A água era quente e o vermelho do ferro ficava-nos no corpo. A ideia de estar por cima de um vulcão, de sentir que está ativo e de visualizar muitos dos conceitos que os meus professores de geologia (tanto no secundário como na faculdade encontrei verdadeiros aficcionados e apaixonados pela disciplina) adoravam contar, foi fabuloso. Depois seguimos para a ilha onde vimos diferentes rochas, aprendemos sobre a posição do vulcão em relação às ilhas e gostamos de contribuir (com o pagamento de uma taxa para entrada no vulcão) para que haja um controlo sismológico, garantindo o acesso e a segurança à ilha.

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A ida a Santorini ficara ganha naquele momento. Quando regrassamos ao porto bebi um café com gelado e gelo – devia ser do calor, mas soube-me tão bem como marisco! Daí, seguimos para uma praia que, além da temperatura boa da água, não me encantou. Voltamos para o hotel e no caminho vimos o pôr do sol. Não sei se não será mais bonito em entre Fira e a Red Beach do que em Oia. Jantamos peixe, numa fish tavern, em Kartherados, mas nada de espetacular para nós que estamos habituados a peixe fresco. No hotel, conversamos um bocadinho junto à piscina, onde passamos a manhã do dia seguinte também. Voltamos ao ferry e, mais uma vez, a viagem fez-se muito bem até que a caixa multibanco decidiu não nos dar o dinheiro que levantávamos. Mas isso é história para um próximo post.

Santorini – porquê, onde, como e quanto? 

DSC_0331.JPGAo contrário de qualquer viagem que possa ter, anteriormente, descrito aqui no blog, um dos objetivos da última viagem foi descansar. Não combina comigo pagar férias, principalmente no estrangeiro, que se baseiem na ideia hotel-praia-piscina. Morando tão perto da praia e sendo este tipo de férias tão caras e com tão pouco de novo, parece-me que estou a desperdiçar dinheiro. Mesmo assim, quis muito ir a Santorini.

Porquê?

A ilha de Thyra, conhecida por Santorini, não é só um lugar com praias bonitas e pores-do-sol famosos. É uma ilha vulcânica, está junto de um vulcão ativo, tem uma arquitectura particular, vive exclusivamente de e para o turismo, tem videiras rasteiras que dão origem a vinhos raros, pela pouca área da ilha, pelo solo vulcânico e por ter apenas 45 a 50 dias de chuva por ano, já foi destruída num tremor de terra e, a qualquer momento, poderá sofrer outro. Por tudo isto, pela beleza natural e pela possibilidade de experiências únicas, queria muito lá ir.

Onde dormimos?

Juntando tudo isto à ideia do descanso, encontramos um hotel com piscina e louvamos a ideia porque há alturas do dia em que só se consegue sobreviver dentro de água. O hotel era muito familiar, como grande parte dos pequenos hotéis neste lugar. Era azul e branco e cada quarto tinha acesso pelo exterior, com uma pequena varanda e vista para o nascer do sol. O branco, fresco, e o azul, como o mar e a bandeira, são as cores predominantes da ilha. A suite era grande, confortável e o lugar muito seguro. A piscina tinha sempre acesso livre e acabamos por dar mergulhos de manhã, à tarde e depois do pôr do sol. O hotel chama-se Stravos Villas e fica a 10 minutos a pé de uma paragem de autocarro. Mas há centenas de boas opções.

Quanto tempo é necessário?

Dois dias lá pareceram-nos mais do que suficientes para conhecer a ilha e descansar. No fundo, além do turismo não há mais nada e o interior da ilha é desértico. Percebemos a pasmaceira que era e não compreendemos muito bem qual é o encanto de passar semanas inteiras lá. MAS, há sempre um mas, é uma questão de gostos, de opiniões e de formas de viajar.

Como chegar e como circular?

Há um aeroporto na ilha e não há forma mais fácil de chegar lá do que de avião. Quando compramos as viagens, os voos estavam caros, mas possivelmente com antecedência ou noutras alturas do ano seja diferente. Por isso, e como íamos de Atenas, optamos pelos barcos ou ferries. A Blue Stars foi a companhia mais barata que econtramos e há passagens desde 20 euros. A viagem dura meio dia, mas faz-se de forma muito confortável.

Dentro da ilha a maioria dos visitantes aluga motas (de duas ou quatro rodas) ou carros. Mas os transportes públicos são bons e pontuais. Alugar não é uma solução nada cara e é, sem dúvida, a mais prática. Mas, sabem, andar a pé é tão bom e os meus músculos estavam tanto a precisar de exercício que decidimos ficar-nos pelos transportes e caminhar muito.

Na  próxima semana conto o que visitamos e como correu tudo!

Atenas – o segundo dia

Os posts sobre viagens podem ser encontrados AQUI.

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No segundo dia em Atenas, as temperaturas estavam ainda mais elevadas, qualquer coisa como 45ºC às cinco da tarde. A Acrópole fechou porque havia quem desmaiasse, imaginem só. Mas nós, fortíssimos e com litros infinitos de água, conseguimos cumprir todos os planos.

A ideia de querer sair cedo do hotel, mas ter um bom pequeno almoço à disposição e precisar de descanso, tornam a tarefa difícil de cumprir. Diria mesmo impossível. Quando saímos para conhecer o que faltava em Atenas, já passava das 10h30.

 

 

Começamos pela Ágora, na Grécia Antiga era a baixa da cidade onde se localizavam os mercados, os templos e os serviços mais importantes, como, por exemplo, o tribunal. Dentro de um recinto enorme, de onde se via a Acrópole, conseguimos ver apenas três edifícios de pé: o templo de Hefesto, ainda conservado, mas cujas decorações foram roubadas; uma stoa – corredor coberto e com muitas colunas, formando uma praça; e um templo Bizantino. Tudo o resto eram ruínas, com muita pena nossa. A reconstrução daquela zona traria muito mais riqueza cultural e educativa à cidade.

 

 

Se vos parece pouco consistente a existência de um templo Bizantino, por entre edifícios associados à Grécia clássica, eu também não imaginava que assim seria. Mas acho que só tornou tudo mais interessante. Os edifícios não existiram e, de um momento para outro, foram destruídos e soterrados. O que acontecia é que ao serem conquistados, eram parcialmente destruídos e por cima, ou no lugar dos mesmos, construíam-se outros. Durante alguns séculos, a cidade foi constantemente destruída e reedificada e atualmente, os arqueólogos estão a descobrir, a aprender e a desterrar pedacinhos de história. Depois reconstroem o que é possível e permite-nos ver o quanto não estamos assim tão avançados no que toca a instrumentos e técnicas básicas.

Depois disto demos por nós à descoberta. Encantei-me pela bijuteria grega – desde as imitações às verdadeiras jóias. Há aspetos em que eu não gosto da ideia de estética deles, nas casas, nas igrejas, acho tudo muito desorganizado. Mas depois há as jóias e eu trazia algumas ourivesarias inteiras. Não fosse o custo da coisa e juro que voltaria adornadíssima.

 

 

Conseguimos entrar de soslaio numa igreja ortodoxa. Geralmente elas não estão abertas ao público e, quando estão, não é fácil circular livremente. Ali, entramos sem turistas e conseguimos ficar por cinco ou dez minutos a contemplá-la. Era bonita, mas não tão encantadora, grandiosa e ampla como as nossas. Era escura, pobre em materiais mas rica em pinturas, que revestiam todas as paredes e madeiras. Havia cadeiras em vez de bancos corridos e candeeiros que se aproximam mais das tradições islâmicas do que das da Igreja católica apostólica.

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Ficavam a faltar os edifícios neoclássicos, construídos no século XIX e que imitam toda a arquitetura da Grécia clássica. As formas, as cores e todos os detalhes são encantadores e podem ser vistos nos atuais edifícios da Biblioteca Nacional, da Universidade e da Escola das Artes.

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Dali paramos num restaurante qualquer, pouco turístico e com ar condicionado. Gosto que sirvam água mal entramos. Na maioria das vezes oferecida, gosto muito dos molhos suaves deles e do kebab grego – a carne é tão melhor do que a dos kebabs que os turcos nos têm habituado! Em pouco tempo tínhamos um tabuleiro de entradas à escolha; eram pratos à base de queijo, legumes e iogurte. Pegamos em dois: um queijo fresco e suave e uma salada de repolho com tzaziki. De seguida o Pedro pediu uma salada de repolho e cenoura, que misturou com os pratos que tínhamos anteriormente e adorou. Diz que era o melhor que poderia ter comido com tanto calor. Eu, por outro lado, pedi um kebab, servido em forma de wrap com tzaziki e tomate. Juntando a tudo isto um pão que fica ali algures entre o nosso molete e o pão árabe, pagamos uns 15 euros e fomos extremamente bem servidos. O restaurante chama-se Neoclassico.

Ao fim da tarde, ainda com 40ºC caminhamos por mais de duas horas ao som de um guia. E que guia! Fiquei com vontade de o trazer comigo dentro de uma caixinha. Essa caixinha serviria para as pausas em que precisasse de mudar de foco. Mandava-o falar e ele começava com toooodo o seu conhecimento sobre a história da Grécia e do mundo. Falou-nos sobre os vários pilares da cultura Grega: Geometria, Desporto, Sabedoria, Filosofia, Arquitetura e Política. Tinha um bocadinho o síndrome geral dos gregos: dantes é que era, agora estão todos contra nós, mas à parte disso, recomendo vivamente esta visita.

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Como se o dia esticasse, depois da Visita Guiada, seguimos para a praia. Há uma linha de elétrico que percorre toda a costa. Saímos numa praia qualquer e qual não foi a nossa surpresa, quando vimos a praia cheia. Começamos por molhar os pés. A água estava tão boa que eu comecei a ameaçar que não sairia dali sem ir à água. O Pedro, pessoa mais decente do que eu, tentava que não me enfiasse na água de roupa interior. No fundo, o problema é que se eu fosse ele também não resistiria. E pronto, assim foi. Sem toalhas ou roupas para banho, mergulhamos e foi bem bom e divertido. Saímos da praia ainda com imensa gente lá, encharcados mas felizes da vidinha. Fomos ao hotel tomar um banho e, com o cansaço, não fosse a fome que teríamos durante a noite e nem jantar teríamos ido.

Histórias de Viagem: deuses, livrarias e capitães

Enquanto escrevo este texto estou em alto mar, algures entre Santorini e a Grécia continental. A viagem ainda não terminou mas há duas coisas que tenho a certeza recordar-me para sempre e quero partilhá-las convosco.

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A primeira (e menos fascinante) é um ensinamento que nos tem sido transmitido em diferentes pontos desta viagem: as histórias dos deuses gregos não são histórias de encantar, são mitos. São histórias, sim, mas que justificam uma realidade antes do conhecimento como o temos agora, numa busca por respostas. Todas essas histórias têm um fundo de verdade, embora seja uma verdade à luz do conhecimento de há 3000 anos.

É possível sentir esta perspetiva de forma muito intensa nos monumentos construídos em plena civilização grega, como a Acrópole ou as ruínas dos diversos templos e teatros. Há uma grandiosidade no conhecimento das técnicas de construção, na sua matemática, na mesma proporção repetida vezes sem conta e na forma como quiseram deixar a marca dos seus deuses e da edificação que os contempla.

A segunda história está relacionada com livros e tem muita fantasia a encanto. Tínhamos acabado de ver o pôr-do-sol em Oia e procurávamos um lugar para jantar. Mas, como havia milhares de pessoas a sair de Oia, milhares sem exagero, quando demos de caras com uma livraria tão bonita, com um gato a descansar do calor e um terraço para onde todos podiam ir, na condição de tirarem os sapatos, quis fugir para lá até à multidão passar. Em vez disso, entramos na livraria. Vendiam-se primeiras edições e outros livros antiquíssimos. A cada passo que dávamos, a livraria era mais bonita. Num repente, como se tudo isto não bastasse por si só, descobrimos a sua bela história. É uma história simples e de gente que não complica a vida. Uma daquelas histórias que a rotina não nos deixa acreditar que existem. Daquelas histórias de viagens que mudam vidas.

Foi numa viagem à ilha que não tinha uma livraria, que as asas da criatividade de dois amigos e de mais alguns que se foram juntando, permitiram que voassem bem alto. A livraria está aberta há treze anos e eles ficaram por lá, moram na ilha, alojam gatos e cães e compram edições de livros invejáveis por pura diversão, porque gostam de as ter, mesmo que não sejam vendidos posteriormente. Pois, e se vos dissesse que há livros raríssimos a serem vendidos? Se vos contasse que vimos um livro de três mil euros a ser vendido, acreditavam?

Foi o capitão de um barco que o comprou e que, no pagamento, perguntou por um outro livro, que também acabou a comprar. Um por três mil, outro por quinhentos euros. Em dinheiro. O homem estava genuinamente feliz e acreditava que naqueles livros aprenderia muito sobre mares e história das regiões que banham.

Não é absolutamente fascinante? Só queríamos fugir da multidão, foi fácil fazê-lo numa livraria e desvendou-se a livraria com a melhor história que já ouvi, onde um capitão gastou três mil e quinhentos euros em livros!  

A livraria chama-se Atlantis Books e tem loja online (mas não tão fantástica)!

Atenas – os seus contrastes e o primeiro dia

Há um claro contraste em Atenas: a Grécia antiga e a Grécia contemporânea apresentam um sentido estético, arquitetónico e de conservação tão distintos como nunca senti nas cidades que visitei antes. Bastou o primeiro dia em Atenas para sentirmos tudo isto.

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Decidimos circular de metro na cidade por vários motivos: poupar-me (na verdade ainda estou em recuperação de uma cirurgia), aproveitar o fresquinho que faz no metro, comparado com o calor terrível desta época do ano e acelerar as deslocações. Um bilhete para 5 dias no centro da cidade custa apenas 9 euros por pessoa, enquanto que uma viagem única custa quase 2 euros.

Esse custo baixo permitiu-nos dormir um pouco fora do centro da cidade e ainda assim deslocarmo-nos entre os monumentos e o hotel em menos de 10 minutos.

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Começamos por ver as ruínas do Templo de Zeus junto ao estádio olímpico. É pena haver poucos templos restaurados (ou em restauro), ainda que haja muitas escavações a decorrer. Seria necessário um investimento enorme e o que existe é, nitidamente, muito limitado. Ainda assim, ver um espaço enorme com uma dúzia de colunas imponentes e imaginar um templo de uma centena de pilares, deixou-nos de boca aberta. Fomos capazes de voltar ao livro de história do sétimo ano e transportar as suas imagens para a realidade, para a vida que ali existiu e, aos bocadinhos, compreender melhor as motivações e os anseios das pessoas daqueles tempos.

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Depois entramos no mítico estádio olímpico, o Estádio Panatinaico. É preciso entrar, parar e imaginá-lo cheio. Aos bocadinho e com a ajuda do áudio-guia é possível sentir-se um bocadinho da emoção que deverá ter aquele estádio cheio de assistência, a pista cheia de atletas e a emoção dos atletas na saída do (incrivelmente fresco) túnel que se esconde entre o estádio. A pista tem exatamente um estádio de comprimento, 185 metros, e também aprendi que “gimno” significa “nu”, pelos atletas fazerem as provas com muito pouca roupa.

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Por esta altura do dia já relaxaramos quanto à segurança da cidade. Fomos percebendo que são mesmo assim, um quê de loucura, um muito de não se preocuparem com nada, nem sequer se os carros batem uns nos outros ligeiramente. Tudo faz parte.

À parte disto, o sol estava no seu pico e o calor já nos destruía. Decidimos entrar num sítio qualquer com o único requisito de ser mais fresco que o exterior. A maioria das esplanadas à sombra eram mais frescas do que o interior dos estabelecimentos, mas muito quentes para nós. Quando encontramos um restaurante com ar condicionado, o qual tinha ainda muitíssimo bom aspeto e preços mais baixo do que esperávamos, percebemos que até seria um bom lugar para petiscar.

 

O restaurante chamava-se The Great e de petisco passou a almoço. Depois de uns croquetes com Tzatziki (um molho de iogurte grego, pepino, alho e ervas), seguiu uma Mousaka e um prato de Souvlaki. Era tudo muito bom, mas a Mousaka encantou-me de tal forma que tenho a certeza que vou reproduzir o prato. Fomos muitíssimo bem servidos e pagamos menos de 25 euros por toda a refeição. Mais tarde voltamos para provar o vinho e para repetir os croquetes. Foi um bom serão, mas com o restaurante cheio o serviço não foi o mesmo.

Mesmo depois da refeição, o calor não tinha meio de diminuir. Fomos até ao hotel dormir, quais espanhóis, e de lá seguimos de metro até ao porto, levantar os bilhetes do ferry que nos levaria a Santorini.

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Quanto mais próximos do porto estávamos, maior era o sentimento de choque cultural. É verdade que no centro já se veêm os graffitti, o desordenamento de território, os carros a auto-atropelarem-se, mas tudo isto é crescente. Não se vê nas pessoas que estão na rua ou nas que usam transportes públicos, mas nas casas, nos negócios fechados, nas fachadas dos edifícios vê-se a própria da crise, da realidade diferente da portuguesa. Assim mesmo, até na cidade mais rica da Grécia continental, a própria da capital.

Por esta altura, a viagem já tinha valido tanto que nem acreditávamos que mal começara. Os planos nada rígidos estavam a permitir que absorvêssemos a cidade e as pessoas. Fomos com os sítios por onde queríamos passar em mente e o resto foi-se resolvendo. O calor melhorara e do porto, seguimos de metro até junto da Acrópole.

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O museu da Acrópole é o lugar onde todos os japoneses vão. Se não estão familiarizados com o conceito japonês-típico-em-viagem, eu explico. Estes seres deslocam-se em excursões pelo mundo, carregam consigo tecnologia de ponta e, como são viagens de uma vida, percorrem o máximo de lugares possível em pouco tempo. A Acrópole, pela sua história, é, portanto, o ponto mais apetecido. Tínhamos, inclusive, lido que a melhor altura para lá ir seria às 8h da manhã. O cansaço e o fuso horário não o permitiram e o final da tarde revelou-se o melhor horário: pouco calor e nenhuma fila para entrar ou comprar bilhetes – há um bilhete para todos os museus ao ar livre e um ou dois fechados por 30 euros. A partir deste local exploramos mais histórias sobre a Grécia que conto no próximo post.

Depois da Acrópole ainda nos sentamos a desfrutar de iogurte grego com mel ou fruta, compramos o pequeno almoço do dia seguinte (sairíamos antes do do hotel abrir), fomos até ao hotel tomar banho (a viscosidade apoderara-se de nós, viva o calor!) e saímos para aproveitar a vida da cidade à noite, até bem tarde, como se fosse dia.

Zurique

Já há algum tempo que queria pôr os pezinhos na Suíça e conhecer Zurique. Dizem que embora sendo a cidade mais importante do país em termos financeiros, não é Milão ou Munique, muito cosmopolita, pelo contrário, o seu centro histórico e os pontos de interesse turísticos não se despacham num diazito. Tem 50 museus e uma colecção muito interessante de obras de arte. Tem mais de 1000 fontes de água potável. Tem um rio que torna qualquer cidade mais adorável. Por tudo isto queria muito pôr-lhe os olhos em cima e foi desta que se proporcionou!

O problema é que não sendo prioritária ou muito diferente das cidades que visitei nos últimos tempos, foi ficando para depois. Ainda tentamos planear cinco dias de comboio pela Suíça mas concluímos que o custo nos ficaria por qualquer coisa como uma semana no Japão. A Suíça tem imenso para conhecer. Tem a paisagem alpina que não se iguala a nada mais, tem lagos, rotas de comboio de cortar a respiração… logo para mim que viajava a vida inteira em cima de carris. Mas também tem um nível de vida absurdamente caro. Paguei 2 euros para usar uma casa de banho na estação de comboios de Zurique (de ressalvar que estava imaculada, era quente, espaçosa e apanhava wifi), 5 euros por meio litro de água no Starbucks (que ajudava meninos em África) e 7 por uma salsicha numa rolote (incluía pão e molhos). Imaginem isto incluindo o valor das dormidas e de comida durante 5 dias para duas pessoas. Conclusão, à falta de melhor, foram 5 horas de passeio por uma cidade suíça que me deixaram muito feliz!

Aproveitei que a TAP tem tarifas low cost bem competitivas nesta altura do ano e que, além disso, voa diretamente do Porto para Zurique (em vez de ir de avioneta para Lisboa, fui de avioneta durante 2 horas para Zurique) e regressei de Portugal via Zurique. Se não me fica muito longe de casa? Mais ou menos. Se pensarmos bem, bem fica mais longe do que de Lisboa ao Porto, mas não é assim tanto. Se eu sempre defendi que Porto-Lisboa é uma viagem óptima para se fazer de comboio (contrariando o comodismo de 90% dos portugueses que preferem ir no stress do carro e do trânsito, com tanto tempo inutilizado, só porque ganham meia hora e porque caminham menos), morando neste cantinho junto aos Alpes, a minha noção de espaço é ainda mais relativa. Espinho é perto. Munique é perto e Zurique também. Há comboios e autocarros diretos. Há conexões em conta e 2, 3 ou mesmo 4 horas dentro de um comboio são úteis. Escrevo para o blog, anoto outras ideias que me andam a saltitar, organizo a agenda, ponho a leitura em dia e se mais tempo tivesse, mais arranjaria para fazer dentro de um comboio.

Mas voltando, finalmente, a Zurique, vim sem nada previsto. Quando aterrei nem sequer sabia quais eram as melhores soluções para chegar ao centro. Depois de aterrar Googlei qualquer coisa e percebi que o comboio era a solução mais em conta para sair do aeroporto e que queria muito visitar pelo menos um museu. Olhei para o mapa e percebi mais ou menos a distribuição da cidade. Levantei dinheiro, encantei-me com a beleza do dinheiro (fico sempre encantada quando vejo dinheiro que não conheço, são pequenas obras de arte), e pus-me a caminho. Naturalmente que perdi um comboio por parvoíce e que quando quis guardar a mala no cacifo, os sistemas eram do século XV e só aceitavam moedas e valor certo. Troquei o tal do dinheiro, o cacifo não reconhecia as moedas de 2 francos, tirei a mala de um cacifo e enfiei-o noutro, perdi uma moeda de 1 franco durante 5 minutos, mas voltou a aparecer de forma tão milagrosa como desapareceu, fechei o cacifo e pus-me a caminho. Tinha de seguir em frente pela entrada principal da estação e as coisas apareceriam. Assim foi.

Não tinha máquina fotográfica e fui fotografando com o telefone. A luz não ajudava a cidade a ser bonita, estava completamente nublado, mas isso não lhe tirou o encanto. Não sei bem descrever-lhe o encanto. Na realidade é daquelas coisas que se sentem e pronto. Mas a organização e civismo à moda Suiça ajudaram, os eléctricos antigos, tudo muito bem conservado e o rio. Dei com ele mais rápido do que imaginara. E fiz o restante percurso até ao museu junto a ele. Cada nova torre que se desvendava pela caminhada enternecia mais a paisagem. Foi uma hora depois da partida a pé que cheguei ao museu, ao Kunsthaus, a casa das artes. Vi pintura e escultura de várias alturas, estilos e grandes mestres. Vi um cheirinho da exposição de fotografia que me fez babar. O restante está em obras e foi uma pena. Também por isso o preço foi mais baixo. Mas devo dizer-vos que o cheirinho que lá estava promete demasiado para não achar que foi uma pena. Quando saí do museu estava a chover. Uma chatice, dado que tinha a mochila do computador às costas e não convinha que se encharcasse demasiado. Ainda tentei entrar nas bonitas igreja de torres altas, mas estavam fechadas (quando ainda faltava uma hora para o horário de encerramento) ou pagava pelo menos 5 francos para ver. Fiz o percurso inverso por ruas novas para mim, mas velhas e estreitas como são. A chuva não parou e aguardei o tempo em falta no Starbucks em frente à estação. Regressei a casa de comboio e no dia seguinte fui trabalhar. Cansada e com horas em dívida à almofada, imaginem o que foi arrastar-me dela. Ai. Deixo-vos fotografias (tiradas com o telemóvel):

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Os meus presentes de Natal

É um facto: gosto mais de dar presentes do que de os receber. O gosto de escolher, de pensar, de desencantar os melhores preços é, como dizia no post anterior, o que de bom há neste Natal consumista. Gosto de ver reações, gosto quando acerto em cheio até nos tamanhos! Também gosto de os receber. Quem não gosta? Mas não preciso de grandes coisas, de grandes quantidades. Podem não acreditar, mas não me faz a menor diferença ter mais ou menos coisas. Maiores ou mais pequenas. Até porque geralmente tenho uma ou duas especiais que me enchem todas as medidas. E as pequeninas chegam para extravasar de felicidade.

Este Natal recebi, por exemplo, um chinelos e umas luvas. Se vos parecem coisas chatas e que toda a gente tem aos montes em casa, eu cá fiquei mesmo feliz. Dois dias antes  tinha estado dedicada a limpar e lavar tudo o que havia lá em casa. Também aconteceu com os chinelos que lavaram e secaram na máquina. Dos quatro pares que lá pus, dois saíram inutilizáveis. Resultado, cá em casa estava sem chinelos e já planeava levar uns quaisquer que tivesse em Portugal. Não esquecendo que perdi as minhas luvas mais quentes no final do inverno passado, os chinelos e as luvas foram dois presentes em cheio!

Depois recebi muitas outras coisas fofinhas que se enquadram na perfeição no meio dia a dia. Novos sabores, novas bijutarias, novas roupas, jogos e uma objetiva nova. Foi um dos presentes especiais deste Natal porque queria muito. Deixo-vos fotografias tiradas com a Nikon D3300 50mm.

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