Dias frios

735136_10208649012811240_2308473164190522721_n.jpg

Sair de casa e não ter muita luz, as mãos sentem um fresquinho e guardam-se nos bolsos. Gosto tanto desta sensação! É o prenúncio de um dia como eu gosto.

Gosto da roupa de inverno. Os casacos quentes e longos, as malhas, as meias-calças opacas, as saias de tecidos grossos, os cachecóis. Adoro as gavetas das luvas, dos gorros e dos lenços. Ficam bonitas e fofinhas. Gosto de ver os vidros molhados, as mantas no sofá. Quase que até já gosto de guarda-chuvas, desde que transparentes!

Eu sei que são poucos os que compreendem o fascínio. Não há muitos que durmam mal com o calor. Eu durmo e é um dos meus maiores tormentos. Trabalho menos. Não sou grande fã de t-shirts e menos ainda de tops com alças, só uso sandálias se tiver as unhas arranjadas. Além do calor em si, é a logística do verão que me incómoda. Ora se sai de casa encasacado e se anda com o dito na mão para que não aconteça uma metamorfose para larva, tal é o pegajoso da pele; ora decidimos deixá-lo em casa e acaba-se o dia a bater o dente.

É por este flagelo que temo o aquecimento global. Não é o degelo dos glaciares nem a alteração da agricultura que mexe comigo. O que não gosto é do verão em maio a outubro. Podia ser sempre fevereiro! Sempre, aninho inteiro. Ai, ai, seria a minha praia.

Anúncios

Mais Óscares

Amiguinhos, faltam 19 dias para os Óscares e eu só assisti a 3 filmezitos. Decidir voltar ao exercício físico, ver os nomeados para os Óscares e encaixar todas as outras coisas é complicado. O blog, pobrezinho, tem ficado para aqui ao abandono, mais ou menos como o mundo em dia de Carnaval. Saí de casa às 8 e não havia carros nem pessoas. Foi tão estranho que olhei para o relógio de forma a garantir que não tinha acordado uma hora mais cedo.

Falando do que interessa, fui ver o The Post e gostei. Ora, não é assim muito surpreendente… nem a fofinha da Meryl, nem a fotografia ou a banda sonora. A história é boa, mas não é nova. A Meryl faz um papel para a idade dela e fá-lo bem feito, mas só isso. Ela já tem lugar cativo nas nomeações e é por isso que lá está. Vá, deixando a má língua de parte, a emoção que se sente a meio do filme agarra até ao final e o final românticó-fofinho deixa-nos encantados.

No que toca a pragmatismo, não há inovação e encaixa no que se diz por aí: os nomeados para o Óscar estão quase todos nesta categoria: bonzinho. Mais: qual é a cena dos cinemas NOS pararem o filme a meio? Como assim? Temos todos bexiga de formiga que não aguentamos duas horas sentados e sossegados? Já não me lembrava deste estigma da coisa, prefiro a UCI. E a ideia de adicionarem M&Ms às pipocas? Omigóóód! É criminoooso!

Fica o trailer:

 

O temporizador e a lavandaria

Morar num T1 é giro, fácil de arrumar e mais provável de não ser necessário um berro para comunicar de uma ponta da casa para a outra. Mas, há um grande mas. A tralha que inevitavelmente se acumula entre cozinha, escritório e lavandaria co-habita com o lugar onde se pára para um bocadinho de lazer.

Agora já não é nada assim. Já não tenho o estendal escarrapachado em plena sala, que também é cozinha e escritório. Agora, está cada coisa no seu lugar e o caos da roupa fica na lavandaria. Enfia-se tudo para lá e pronto, assunto resolvido.

Por outro lado, é péssimo para comunicar (às vezes nem com bons berros a coisa vai lá) e para limpar, uffff, a tarefa é bem árdua! Mas não pensemos nisso. Até porque há outras facilidades. Há espaço para caixotes que separam a roupa e facilitam as lavagens. Espaço para detergentes, roupas lavadas e dobradas e mesmo para as outras, sem dobrar. O estendal arruma-se junto ao teto e voilá, o espaço multiplica-se. Adoro a lavandaria.

Nos últimos dias tenho-a adorado ainda mais. Decidi experimentar a o temporizador da máquina de lavar roupa. Como não temos tarifa bi-diária no plano de eletricidade, achava um bocado inútil. Mas não é. Pondo a máquina a lavar de forma a terminar na altura em que chego a casa, não há preguiça, cansaço ou maleita que me possa desculpar. Não há “ooohhh, já não há tempo para lavar”, nem “estou tão cansada”. A roupa está lavada e não pode ficar noite adentro encolhida e molhada. E sabem que mais? É mesmo eficiente! Obriga-me a apanhar a roupa do estendal. Depois, como não vai ficar para ali ao monte, a dobrá-la. E estou, FINALMENTE, credo, quase sem roupa por lavar. Haja milagre, milagrezinho!

Já disse que adoro a lavandaria? E que o temporizador da máquina é a melhor invenção do século?

Óscares 2018 a fervilhar

Coisas boas de estar em Portugal? Ir muito mais vezes ao cinema! E nada melhor do que os Óscares a caminho para motivar as idas ao cinema. 

Há uma semana aproveitamos a promoção da yorn das terças e fomos ver o filme sobre o Churchill, Darkest Hour, A Hora mais Negra. Não me admira a nomeação do Gary Oldman para melhor ator, um papelão! Já para melhor filme… ah, não, não, nada disso. A certa altura estava a ver as horas, a dizer para mim mesma que no dia a seguir teria de acordar cedo e que estava para ali, àquelas horas e longe da minha cama.  O filme rondava muito a personagem, pouco a história e é muito mais ou menos para ser nomeado como melhor filme.

Já o Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, nesse não tinha horas. Foi na sexta feira. Saí do trabalho, nem fui a casa e evitei cair no erro de me auto recriminar, pensando no caos que estava instalado, na roupa que, sacana, não sai sozinha do estendal e no pó que nasce por geração espontânea. Não, nada, disso, nada de trabalhar mais em casa do que me divertir, principalmente, fora dela. Sem auto-juízos de valor, fomos ao cinema e valeu por uns quantos filmes de tão bom que foi.

Se a premissa do filme dá ares da coisa ser assim muito para o americana. É o tipo de histórias que só acontece por lá e está presente o tipo de mentalidade que aqui não se alimenta. A premissa faz-me lembrar aquele tipo de documentários ao estilo Making a Murderer, para os quais eu não tenho paciência. Mas a verdade é que o Pedro queria ver e a nomeação tornava-o atrativo.

Resultado? O filme é do caraças! A história base é o menor dos destaques. Há esse drama como base, sim, mas o jogo de emoções, que fazem gargalhar durante um drama, faz o filme. É daqueles filmes que incomoda e de onde se sai sem uma descrição na ponta da língua. Merece o Óscar, caneco! A Frances McDormand merece o Óscar!

Ai, ai! Não dá para tirar uns dias de férias só para limpar os filmezitos todos, não? 

Onde anda a cabeça?

O carpinteiro já cá veio terminar o trabalho e os 5 bolbos que plantei estão a dar trevos de quatro folhas. Ah, sensação boa de etapa terminada.

Falta só pôr as roupas que por aí andam em ordem e está tudo bonitinho, limpinho e no seu lugar. Os planos para a noite são simples: cozinhar, roupas e um pouco de trabalho. Ao chegar à cozinha há água a espreitar de um canto. Não podia ser coisa boa. Arrastei o frigorífico, vi a inundação que para ali ia. Limpei. Percebi a fome que tinha e decidi encomendar uma pizza. Pus a roupa mais urgente na máquina de secar e continuei a limpar. Percebi que havia água até à outra ponta da cozinha. Deixo cair uma moldura que se parte. Desespero. Abro a porta para a pizza e enfardo-a a mil à hora. Tomo um banho, faço com que o varão da cortina caia, caio eu ao tentar colocá-lo e desisto. Lavo os dentes, sento-me ao computador e percebo as horas. Decido dormir com tudo como está, assim mesmo.

Há roupas em cima da mesa, mantas por dobrar, águas por limpar e lixos por levar. Mas não faz mal, preciso de começar a semana sem sono e acordar sozinha.

Bem,  a verdade é que sairei tarde para o trabalho, deixarei o carro em Gaia e sigo de metro. Ao final do dia, vou fazer a rotina normal de regresso. Metro e comboio. Ficarei sem bateria no telemóvel e irei aperceber-me que deixei o carro em Gaia, acabarei por decidir apanhar um táxi para não me atrasar no destino.

É um estado de meio abananada, enfim. Há dias em que a minha cabeça não acorda em cima dos meus ombros. Deve andar por aí nos ombros de alguém sem trabalho. É literalmente um desses dias. A minha esperança é que se tenha cansado do passeio e esteja de regresso.

Viver num Apartamento

3c3fe1305f8f79ae964bc179b6c857c9

Como dizia no outro dia, adoro a casa, não alterava nenhum dos projetos – NENHUM – e os móveis que compramos, os baratos e os caros, os novos e os em segunda mão parecem todos feitos para este lugar. Mas, há sempre um mas, às vezes dou por mim a pensar que não me imagino a morar num apartamento a vida inteira. Um dos motivos é não poder dar um berro de uma ponta da casa para a outra. A sério, faz-me falta. Cresci a gritar por pessoas que não via, “oh mããããããããããããe! oh paaaaaaaaaaaiii!” e do outro lado vinha um “siiiiiiiiiiiiiiim” com os mesmos decibéis. No apartamento já dei por mim a dizer a alguém “baixo, por favor”, olhei para mim própria e reprovei a atitude. Não sou pessoa de apartamento, sabem? Bem, entretanto descobri que há um doente pelo belo do FCP aqui mesmo por cima. Sim, eu até simpatizo com futebol e com o clube em particular, mas não tolero a irracionalidade da doença pelo mesmo. Que as pessoas vivam a coisa, fiquem felizes, que bom, muito bem. Mas quando isso roça o insulto, quando os nervos se apoderam delas, só me parece ridículo. Então pronto, levar com este tipo de situações do vizinho de cima incomoda-me! E incomoda-me também que o vizinho de baixo venha reclamar da substituição da janela a um sábado de manhã porque “os filhos se deitaram às 7h”.

Bem, além desta sensação de falta de independência e invasão por todos os lados – e eu sou bastante dada à independência para que conste, há mais uma coisa. Aquilo de sair de casa, mas ainda não ter saído mexe-me com os nervos. Quando “vou só ali ao carro buscar o telemóvel que me esqueci”, implica chamar um elevador, perceber que ele vai demorar mais de cinco segundos, decidir descer cinco andares pelas escadas, levar com os olhares reprovadores dos vizinhos porque ninguém mora no quinto andar e usa as escadas, chegar ao fundo, resolver o assunto e ter de fazer o percurso inverso, faz-me parecer que moro algures na Islândia. Parece parvo? Talvez seja, mas é perca de tempo, sensação de algo errado, sei lá.

Depois penso em pôr o apartamento à venda a um preço que me renda dinheiro e me permita dar o salto para a bela da casa. Mas depois penso em tudo o resto, no escalar de trabalhos, na localização e em todas as outras pseudo-vantagens de apartamentos. Lembro-me que a minha vida precisa de um pouco de sossego e vou trabalhar. Bem… o trabalho é sempre um bom escape à minha inquietude.