Carros e Computadores

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O momento atual é o seguinte: estou atolhada em trabalho, preciso de dormir pelo menos 7 horas por noite, tenho uma casa em obras sem fim, um computador a dar as últimas e deparo-me com Uber em Espinho. Um grande caos, portanto.

Quanto ao carro, gostava de ter a opção de não comprar carro nunca, de poder usar transportes públicos, ou, à falta deles, serviços de carsharing. Dou por mim a perceber que tenho um apartamento valorizado por ter um lugar de garagem para dois carros e, por mim, não teria nenhum.

Enquanto esta não é a mentalidade global das pessoas na minha área de residência, vou usando o serviço de carsharing particular – há que ser criativo! Pode ser que quando comprar, convença meia dúzia de pessoas a alinharem no Bookingdrive.

De qualquer forma, adoro que a Uber cubra o conselho de Espinho!

Quanto à casa e ao computador… a primeira vai indo a passo de caracol. Ok, em passo de caracol relativamente à velocidade dos meus dias. Em dois meses já está muuuita coisa em ordem. Quanto ao computador, aparentemente o meu e o do Pedro têm o fim à vista. Enquanto eu não consigo editar um videozinho para publicar cá, o Pedro já não consegue ligar o dele.

Vou continuar, na quinta e volto a dar sinais de vida na quarta, prometo.

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A saída do lugar fundo

Nunca escrevo e publico textos sobre os momentos menos bons quando passo por eles. Por um motivo: privacidade. Estou muito confortável com o registo deste blog que mostra muita coisa de que gosto, mas não revela nada de importante e que as pessoas próximas ainda não saibam (ou não tenham de saber) .

Hoje, dei por mim a pensar em mim há um ano e meio. Já faz sentido falar sobre este momento porque já passou. Estava na Áustria, sem trabalho. O Pedro estava há mais de uma semana em Chicago e a primavera que havia raiado, fechou-se com a partida dele.

Se acabei o texto anterior a dizer que adoro trabalhar e é dessa forma que sou mais eficiente, imaginem o que são cinco meses demasiado passivos, com demasiado tempo, com todas as séries vistas, todos os projetos pendentes. Imaginem-me ainda sem ter o Pedro a chegar a casa para ouvir todas as descobertas do meu dia. Se me dizem que há sempre filmes para ler e filmes para ver, eu garanto-vos que nada disso tem graça se não for feito no tempo livre.

Em Maio de 2016 eu aceitei que precisava de virar o foco, que os planos da forma que os tinha feito não funcionavam. Não me bastava dizerem-me que tinha um perfil interessante, experiências diferentes, uma personalidade engraçada, precisava de concretizar isso em algo para poder acreditar.

E concretizei. Baixei as expectativas, engoli um ou dois sapos, aturei muita parvoíce, mas sobrevivi. Percebi que sobrevivo melhor a fazer algo chato e de que não gosto muito do que a não fazer nada, com o sentimento de inutilidade a apoderar-se de mim. Aos bocadinhos saí do fundo daquele lugar em que me encontrei quando o Pedro estava em Chicago.

E fui trepando, trepando até sentir que tudo fazia sentido novamente.

Quando a ideia de regressar começava a surgir com frequência, eu só sabia uma coisa: não queria ir parar ao mesmo lugar fundo. Não podia voltar a descer. Depois, no dia em que mandei todos os receios para um lugar longínquo e decidi caminhar para o regresso, defini uns 5 ou 6 planos de destino. Percebo agora que foram planos de expectativas baixas, dando corpo às aprendizagens que me tiraram do lugar fundo.

Os planos correram bem e só me deixaram subir e subir até a um patamar perfeito, se a perfeição existir. Percebi que uma das minhas maiores valências só funciona na minha própria língua. E, ainda que tenha muita vontade de experimentar viver em cidades como Berlim e Viena, não é lá que sou mais feliz.

É importante ser muito bom na escola?

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Desde o momento em que as aulas deixaram de ser o suficiente para o estudo, deixei de ser uma excelente aluna. Passei a ser uma aluna razoável que ia tapando buracos e safando-se bem o suficiente. Depois, só estudava matemática porque é giro e desafiante. Odiei filosofia, por muito que goste de pensar sobre as coisas e tenha um sentido bastante crítico. As aulas de físico-química valeram-me de zero e as de biologias quando batiam no marranço, chocavam com a minha paciência. Safei-me lindamente em Educação Física porque não estava sentada e, dado o meu pouco jeito inato para todo o desporto de equipa, o trabalho trazia-me evolução, a ginástica, corrida e natação eram a minha praia e pronto, os três anos voaram.

Como é que me safei bem com tão pouco estudo? As minhas notas de português resultavam exclusivamente do que apanhava nas aulas e pumba, sempre na média de 14 às duas. Inglês, que também não me é inato, foi sendo trabalhado e melhorado, ainda que a professora andasse a corda, qual soldadinho de chumbo a dar as últimas. O trabalho era feito no Instituto de Inglês e muitos anos depois, trabalho orgulhosamente em inglês quase tão bem como em português. A matemática foi a razão para estudar ciências exatas no secundário. Físico-química e biologia foram a consequência.

Vejo um sério desleixo durante o secundário. Bem, talvez desleixo seja forte. Era mais uma incapacidade para estar sossegada, a falta de hábito de estudo regular e a minha vontade de fazer coisas giras para além da escola. Guardo as horas passadas nas escadas de casa de uma amiga com muito carinho. Guardo as gargalhadas, o momento em que tinha cinco furos nas orelhas e não compreendo o porquê de ter desleixado e mantido só dois deles. Tenho taaaantas memórias indescritíveis que nem foram nada de extraordinário, nenhuma extravagância, não originaram fotografias brutais, mas fizeram-me feliz. Havia tanto tempo para ir ao cinema, haveria lá eu de estudar mais?

Como é que me safei tão bem depois disto tudo? Safei-me porque sou responsável e sempre o fui. O essencial é feito e é prioritário. Safei-me porque há limites para tudo e porque na faculdade aprendi toda a física e química que não me ensinaram no secundário e porque, ao meu quarto ano de faculdade, percebi que já não chegava fazer o mínimo e decidi que não ficaria mais anos na faculdade do que os essenciais. No fundo, porque sou responsável e auto-consciente.

Como é que foi depois da faculdade? A faculdade trouxe-me duas coisas: um sentido extremamente crítico para com o meu trabalho e a certeza de que não iria fazer investigação. De resto só me trouxe dúvidas. Isso juntamente com todo o devaneio que vai nesta cabeça, fez-me descobrir que SIM, há muitos mais caminhos do que aqueles que me contaram e que SIM, é possível encontrar um trabalho que encaixe tão bem, tão bem, que não se acredita que é possível.

Cheguei aqui porque durante a faculdade ela era a menor ocupação dos meus dias. Aprendi a ler melhor as pessoas, a saber quando me ouvem e a saber como me comportar com idades e públicos tão distintos. Aprendi, durante as horas em que não estudei, o valor de coisas que não são coisas. E percebi o quanto adoro trabalhar remoderadamente ou não. Ando num ritmo de 55 horas de trabalho semanais… e adoro!

3 Coisas giras para a Casa Nova

Neste percurso giro que é decorar e recuperar uma casa, tem sido beeeem divertido ver e ouvir as reações aos meus devaneios/ideas fixas, chamem-lhe o que quiserem. É qualquer coisa que varia entre o “esquisitinha”, “muito exigente”, ares estranhos perante candeeiros que são arames, perante armários azuis e mais um sem fim de tratamentos que eu adoro. 

Entre as coisas mandadas fazer, as compradas, as emprestadas e as dadas, comprei no IKEA,  três coisas, que destaco hoje.

  1. Um candeeiro puramente escandinavo, que cai sob a secretária e fica bem no meio do escritório. Custou 17 euros e tem de nome BRUNSTA.
  2. Os copos de água. São do IKEA também, mas acho-os tão bonitos que passam facilmente por peças de autor. 1,50 euros cada IVRIG.
  3. O móvel para a entrada. Adoro, adoro, adoro! É azul, meeeesmo azul. Queria qualquer coisa que animasse a entrada e não fosse demasiado largo, mas tivesse muita arrumação (acho as consolas um desperdício de espaco,). Encontrei-o na app do IKEA quando ainda não estava em loja, nem em catálogo. Mandei ao Pedro, disse-lhe que adorava, mas que achava ser um devaneio. Ele, surpreendentemente, não exerceu o seu poder de veto e apoiou. Eu comprei e estou rendida. A cor, a qualidade, a elegância. Ainda vai ter direito a puxadores bem fancy, assim que eu tiver ter tempo (lá para 2020). Armário mais lindo de sua dona! É da gama Nordli e custou 149€.

A idade e o discernimento

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Numa semana algures em setembro, chegava a Campanhã e via o ar furioso da maioria dos passageiros ao encarar o caos do dia do comboio do caloiro.

Para quem desconhece, é o dia em que os caloiros do Porto vão todos a uma outra cidade académica. A CP tinha tudo muito bem estruturado para que fosse possível uma circulação normal, mas ainda assim, eram oito da manhã e aquela malta cantava que se fartava e ocupava muito espaço. Compreendo o desagrado, mas só conseguia achar aquilo giro. Se é giro de se viver, é mais giro e muito confortável ver de fora, depois de ter passado por tudo.

Por outro lado, ter noção do discernimento e inteligência que os anos trazem, é o melhor de tudo. Ressalve-se, cantar e ocupar espaço às 8 da manhã como caloiro continua a parecer-me muito bem, mas ouvir malta mais velha, de cerveja na mão, bem de manhazinha, a dizer:

– Até estou bem, bebi pouco durante a noite,

já só me parece ridículo. Isso sim, faz-me ver o quanto aquelas pessoas, pelo menos depois da faculdade, irão perceber que álcool durante a noite toda só faz sentido se for de qualidade. Coisa que nunca acontece porque a carteira não permite, convenhamos. Depois da faculdade, ou nos apercebemos que álcool não é para nós, ou preferimo-lo de forma mais moderada, mais social. Quero acreditar que já ninguém faz a parvoíce de beber com o único propósito de se embebedar. Lembro-me de metade da residência onde morei em Erasmus comprar um litro de vodka por 3 euros e bebê-la antes de sair para dançar. A quantidade de neurónios afogados na percentagem de alcoól que lhes corria no sangue, não permitia anteceder a ressaca que se seguia e faziam isto por meses a fio. Acredito que essa malta virou toda gente normal e alcoolicamente consciente. Se não virou, são alcoólicos puros e caminham fortemente para um cancro qualquer.

Por isso, maltinha, o meu conselho é que continuem a queimar neurónios com poucas horas de sono. Os dias são maiores, dá para estudar, cantar e fazer mais um monte de coisas fabulosas (para o currículo e para a vida). Já com a falta de critérios no que toca a álcool não é fixe, nem saudável. Vão por mim e racionalizem a coisa. 8h da manhã com cerveja é só degradante. 

Pintar azulejo – parte 1

Entre as várias coisas chatas que uma casa usada e com alguns anos tem, estão os materiais usados na construção. Ora estão ultrapassados e fazem-nos descrer do sentido estético de quem os escolheu, ora não são de todo ao gosto dos novos moradores.

Na nossa casa, há uma série de problemas a esse nível. Os azulejos das casas de banho não são uma escolha muito feliz e na casa de banho mais pequena, a coisa tende a piorar drasticamente. É um dos assuntos a resolver no futuro, mas não foi o primeiro passo no que toca a reforma de paredes. Por outro lado, comecei pela lavandaria. Também ela com azulejos, situa-se numa pequena marquise com vista para o mar. O azulejo rosado, com muitos cantinhos partidos, muitos pormenores que saltam à vista, foi o meu primeiro alvo.

Comecei a pesquisar as opções que tinha. Há soluções para pintar azulejos para vários preços e objetivos. Se se tratar de uma casa de banho ou de uma cozinha, em que a humidade é uma constante, é necessário um acabamento que o permita. Já no caso da lavandaria pude optar pela solução mais em conta e pintar mais ou menos como se de uma parede em cimento se tratasse.

Lixar, melhorar o aspeto de rachadelas e buracos desnecessários, aplicar um primário que cubra tudo, inclundo as juntas, e adira bem ao azulejo, e terminar com um acabamento lavável, com as camadas que forem necessárias.

O trabalho está quase prontinho e embora todos os defeitos que um trabalho de amadores possa ter, o que mais me incomoda agora é a má pintura do teto, impossível de notar antes, o mau acabamento do isolamento da janela e a cor beje-sujo-velha do parapeito da janela.

Mas como até tenho uma certa paixão pelos defeitos da parede, não faz mal. É uma espécie de nostalgia por todas as horas passadas a transformar aquele espaço. Os “defeitos” são histórias quando feitos por nós e a decoração não vai deixar que nada se note.