A maravilhosa resolução do Header

Quanto ao Header deste blog, eu sei, está com uma qualidade lastimável. Vou ver se resolvo isso no fim de semana. Obrigada!

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Dar espaço à Educação Informal

No outro dia ouvi o nosso primeiro-ministro falar sobre educação e foi qualquer coisa como “estamos muito atrás da média europeia e, por isso, precisamos de instituir escolaridade obrigatória a partir dos 3 anos”. Claramente que não o disse por estas palavras, mas a ideia é começar a enclausurar crianças aos 3 anos, obrigando-as a cumprir metas curriculares quando só têm idade para brincar.

A par disto, no comboio, ouvi o seguinte: “Vi na Staples um livro de onde a professora da minha filha tira as fichas. Vou comprar porque assim ela repete as fichas e até dá para acompanharmos. Não é? Repete tudo e assim sabe melhor as coisas.”

A dita criança está no primeiro ano e a sua querida mãe quer que ela faça tudo duas vezes. Como se a aprendizagem, nesta idade (ou em qualquer outra) se desse só sentada a fazer trabalhos de casa, como se ela tivesse de ter uma caligrafia perfeita aos seis anos, uma caligrafia igual a todos os outros que repetem as coisas infinitamente.

É nestas idades que a criatividade é maior, que as potencialidades de aprendizagem estão aumentadas e restringir o input de informação a uma educação formal parece-me só errado.

É uma questão de experiência própria. Passei o primeiro ciclo com poucos trabalhos de casa, ao almoço cumprimentava os cães e os gatos antes de comer e depois das 15h, quando a escola acabava, o tempo até aos meus pais me irem buscar, perto do jantar, não era muito e era gasto entre triciclos, frutas, cães e gatos.

Tive dificuldades de aprendizagem por isso? Não. Tenho menos oportunidades profissionais por isso? Também não. E acima de tudo sempre fui feliz, mesmo quando mais tarde, eu própria, aprendi que às vezes tenho de ser um bocadinho formatada para me encaixar no mundo atual. E criatividade é coisa que até me sobra.

As autárquicas

Estive a ler os programas dos partidos em que poderei votar no domingo e não posso deixar de adorar a riqueza sociológica do tema, mais do que a própria da política. Se hoje em dia eu acho que raramente se faz política no verdadeiro sentido do tema, nas autárquicas a coisa é ainda mais animada. Geralmente não é animada no bom sentido porque as pessoas ficam possuídas com a força política que desce sobre elas, mesmo que não tenham antes pensado sobre o estado das coisas. Saber se há ou não assembleias de freguesia ou municipais, ler notícias, frequentar espaços e assistir a espetáculos culturais não necessariamente faz parte do dia a dia. Mas é preciso mais alguém para ocupar o espaço múltiplo da folha de apoiantes ao partido e o vizinho pediu por favor, lá se digitaliza a fotografia tipo passe que anda na carteira e envia-se por correio eletrónico para a rapariga que está a tratar disso. Se não houver nada na carteira, digitaliza-se o bilhete de identidade prestes a caducar e resolve-se o assunto. O que mais me faz confusão é quando as pessoas criam rivalidades entre elas só porque uma é do pseudo-partido-político A e a outra do B. Mas o que eu mais adoro é ver as correntes que cada um quer seguir. Consegui ver em três cartazes o seguinte: o partido que já desistiu de tentar ser eleito e só apresentou candidatura para ver se as pessoas não se esquecem da existência e haja maior probabilidade de eleger deputados nas eleições legislativas; o partido que parou no tempo, não adquiriu pessoas jovens, esforça-se por ter um programa viável, praticável e adpatado à realidade da localidade, mas esquece-se da importância da correção ortográfica, da coerência e da coesão textuais e perde-me pelo caminho; e finalmente o partido que quer fazer bonito, que usa imagens com elevada qualidade, mesmo que tiradas do google, que escreve coisas bonitas e que soam bem em qualquer canto do país mas que ou não são da competência de uma junta de freguesia, ou não se enquadram com as necessidades reais.

Todo este relato exponencia quando escalamos para os candidatos à câmara municipal que andam quase à batatada, nem sabendo bem pelo quê. A irreverência gera polémica, mesmo que tenha o seu lado bom. E tudo isto me faz muita comichão, presos com ou sem cão. Não interessa se o plano é coerente, não interessa os meios como cada um pretende atingir o plano. Não interessa se as ideias se enquadram com o local. Só interessa a porrada, a polémica, o dizer mal no café da esquina. Tudo isto com o tanto de encantador por não ser o que deve, mas ser a verdadeira essência das pessoas; e com outro tanto de ridículo porque é a vida real.

Vou e levo só a câmara

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Estou com saudades da minha mochila. E da minha máquina fotográfica também. [Santa Catarina, Porto, 2016]

Estou prestes a pegar na máquina fotográfica e sair de casa. Vou para o aeroporto, vou comprar uma viagem, não levo mais nada comigo além da máquina fotográfica e da roupa maltrapilha que trago vestida. Vou porque nos sentimos seres superiores corrompidos igualmente pelo capitalismo e pela péssima comunicação social com que somos bombardeados. Vivemos enganados e achamos que lá, no oriente é tudo ao contrário do que na realidade é.

Cheguei do café assim. Estive durante uma hora arrepiada de um forma que não sei descrever muito bem. Acontece-me quando o tema me toca no coração e me faz perceber o sentido de toda a minha existência (às vezes também acontece com comida, vá). E o sentido da minha existência passa, sem sombra de dúvida, por histórias de pessoas, por histórias marcantes, vencedoras. Essa existência passa por ajudar a compreender o outro lado, o lado que não nos mostram, que nos ocultam e, na maioria das vezes, corrompem.

Os vencedores não são sempre os que vencem um jogo, não são sempre os melhores de todos. Os vencedores são os felizes, mesmo depois de tudo o que erradamente faz parte das suas vidas, tão erradamente que não somos capazes de imaginar, de visualizar ou de sentir. Seríamos certamente pessoas mais felizes se soubéssemos que no Médio Oriente alguém sem hijab é como que um ser superior, uma estrela de Rock ou o Presidente de um país qualquer. Gostam de tocar, de falar e chamam a vizinhança ver quem, de tanta importância, passa.

Sabem o que é que tudo isto significa? O mundo não é justo, mas não faz mal.     

Há plantas!

Tenho para mim que uma casa só adquire o estatuto de lar quando inclui plantas. Essa casa pode não ter móveis, eletrodomésticos, pode até não ter mais do que o chão para sentar, mas com flores e verdes torna-se logo um bocadinho mais pessoal, mais meu, mais aconchegante.

A minha casa nova está cheia de produtos de limpeza e lá pelo meio, há também, verdes e flores!

Casa comprada!

Está comprada. E eu estou tão feliz. É assim como que um projeto concluído, melhor do que o fim de uma tese. Se o fim da tese é um alívio, um deixem-me fugir que nunca mais me apanham por estas andanças (ainda que a opinião mude mais tarde), isto é um fim com sabor a começo.

Os últimos tempos têm sido sempre assim, com a adrenalina no topo, com muitas coisas a começar. Com muitos projetos bons, desafiantes e grandes em mãos, com muitas coisas que combinam comigo e que me fazem crescer. Esqueçam a altura porque a verdade é que tenho crescido a um ritmo de muitos centímetros por semana.

Tem sido tudo um grande desafio. Com o Pedro à distância, tudo é resolvido comigo, tudo passa por mim. E se não é a situação ideal para mim, também não o é para ele que queria estar por cá, ajudar e viver mais de perto tudo isto. Mas não consigo deixar que as coisas esperem, não consigo e não faz sentido dessa forma. Então, hoje, depois da escritura, descrevi tudo o que me lembrei. Desde a quem estava, onde estava, ao tempo que demorou e ao que foi falado. A descrição foi tão pormenorizada que não há como que a ideia seja só virtual, tornou-se quase palpável e isso é bom.

Depois fui deixar um bonito ramo de flores, que me foi gentilmente oferecido, ao apartamento para que não ficasse tão vazio. E, sabem, está cada vez menos vazio. Pelo menos na minha imaginação.

Meios e fins

Daqui a pouco vou assinar papéis, muitos papéis. Daqui a pouco esses papéis serão lidos e é o tipo de situação em que os fins justificam os meios. Quero muito comprar a casa, mas os papéis que falam de hipotecas e crédito à habitação dão cabo de mim. Fico ansiosa ao lê-los, sinto-me pura e profundamente roubada, enganada, aldrabada. Não há nada de bom ali escrito, não há nada bom em escrever que se paga um determinado valor quando no final das contas esse valor é muito mais elevado. Ler isso e assinar, concordando com o que está lá escrito, quando não concordo, quando não combina comigo aborrece-me. Começo a ficar com calor, a hiperventilar.

Ao ponto de ontem me ter recusado a reler os documentos. Confiei em quem os leu, em quem os reviu e não reli. A única forma de concluir o processo é assinar e eu assinei, contra todos os meus instintos.

Daqui a pouco vão ler e ou começo a assobiar para o ar, sorrindo e acenando, como se nada se passasse comigo, ou hiperventilo. Juro que não compreendo como é que, em certa altura, toda a gente pedia créditos de forma leviana. Não compreendo.