#enlouqueciecompreicasa

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Há no instagram um hashtag que conta os passinhos que a casa foi dando nos últimos 4 meses. Podem espreitar aqui: https://www.instagram.com/explore/tags/enlouqueciecompreicasa/

 

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Viver num Apartamento

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Como dizia no outro dia, adoro a casa, não alterava nenhum dos projetos – NENHUM – e os móveis que compramos, os baratos e os caros, os novos e os em segunda mão parecem todos feitos para este lugar. Mas, há sempre um mas, às vezes dou por mim a pensar que não me imagino a morar num apartamento a vida inteira. Um dos motivos é não poder dar um berro de uma ponta da casa para a outra. A sério, faz-me falta. Cresci a gritar por pessoas que não via, “oh mããããããããããããe! oh paaaaaaaaaaaiii!” e do outro lado vinha um “siiiiiiiiiiiiiiim” com os mesmos decibéis. No apartamento já dei por mim a dizer a alguém “baixo, por favor”, olhei para mim própria e reprovei a atitude. Não sou pessoa de apartamento, sabem? Bem, entretanto descobri que há um doente pelo belo do FCP aqui mesmo por cima. Sim, eu até simpatizo com futebol e com o clube em particular, mas não tolero a irracionalidade da doença pelo mesmo. Que as pessoas vivam a coisa, fiquem felizes, que bom, muito bem. Mas quando isso roça o insulto, quando os nervos se apoderam delas, só me parece ridículo. Então pronto, levar com este tipo de situações do vizinho de cima incomoda-me! E incomoda-me também que o vizinho de baixo venha reclamar da substituição da janela a um sábado de manhã porque “os filhos se deitaram às 7h”.

Bem, além desta sensação de falta de independência e invasão por todos os lados – e eu sou bastante dada à independência para que conste, há mais uma coisa. Aquilo de sair de casa, mas ainda não ter saído mexe-me com os nervos. Quando “vou só ali ao carro buscar o telemóvel que me esqueci”, implica chamar um elevador, perceber que ele vai demorar mais de cinco segundos, decidir descer cinco andares pelas escadas, levar com os olhares reprovadores dos vizinhos porque ninguém mora no quinto andar e usa as escadas, chegar ao fundo, resolver o assunto e ter de fazer o percurso inverso, faz-me parecer que moro algures na Islândia. Parece parvo? Talvez seja, mas é perca de tempo, sensação de algo errado, sei lá.

Depois penso em pôr o apartamento à venda a um preço que me renda dinheiro e me permita dar o salto para a bela da casa. Mas depois penso em tudo o resto, no escalar de trabalhos, na localização e em todas as outras pseudo-vantagens de apartamentos. Lembro-me que a minha vida precisa de um pouco de sossego e vou trabalhar. Bem… o trabalho é sempre um bom escape à minha inquietude.

Já me mudei!

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Há coisa de um mês que durmo (quase) sempre na casa nova. Tem sido muito animado. Houve uma carrada de festas e ainda não tínhamos comprado cadeiras para todos os rabos que se queriam sentar por cá. A árvore de Natal só foi terminada no dia de Natal, houve uma manhã sem janela e as obras e mudanças têm sido muito lentas. Isto de pedir a um que venha, a outro que venha, procurando custo/qualidade perde no tempo. Estamos felizes com a maioria do trabalho que tem sido feito, mas a cada mudança percebemos outras trezentas coisas que queremos fazer. Ao mesmo tempo temos os projetos todos já pensamos e é de uma gestão muito difícil. Porquê? Antes de mais porque reconhecemos ter tudo o que precisamos para morar cá. Faltam as melhorias e os pequenos e grandes luxos. Falta terminarmos o investimento na melhoria da eficiência energética. Mas nada que seja um ponto de sobrevivência. E por isso, não se justifica ficarmos na penúria. As poupanças foram à vida com a compra da casa, mas há que retomá-las. É um dos objetivos para 2018: fazer as 300 viagens e as 300 compras em lista de espera sem comprometer as poupanças!

Televisão

CapturarDisse a um miúdo de 16 anos que não vejo televisão há 2 anos. Não é totalmente verdade porque vejo séries no computador e porque me esforço veemente por ver televisão. A surpresa dele era pressuposto garantido. Mas deixou-me a pensar. Porque raio é que ainda me esforço por ver televisão?

Encontrei dois motivos: estar atualizada quanto ao que se fala sobre um tema e relaxar. A televisão já não é a maior realidade no que toca a media, mas continua a incluir muita cultura geral. Fazendo uma distinção entre o que vale a pena dar uma espreitadela e o que não é mais do que lixo e poluição para o cérebro, é giro e até pode ser útil. Por outro lado, é um descansar de cérebro. Parar, beber um chá e ver televisão. Talvez melhor do que ler um livro neste ponto, porque o livro tem a componente de atenção necessária e da releitura das mesmas páginas dezenas de vezes quando adormeço a lê-las.

Agora que comprei uma televisão grande para a casa nova, antes de ir dormir sento-me sempre no sofá na tentativa de ver qualquer coisinha. Lá ando a vasculhar pelos canais todos e pela box, invariavelmente percebo que são muito poucos os programas que preenchem requisitos mínimos, seleciono um, ou Youtube quando nada me agrada, e fico ali a ver. A coisa acaba sempre da mesma forma: comigo a dormir. Há uma variante, comigo e com o Pedro a dormir, mesmo que o Pedro só cá esteja há uns dias.

Com isto concluo que tenho um sério problema no que toca a televisão. Vejo-lhe algum valor, mas não tenho tempo nem energia para disfrutar dela.

Já disse que quero que a minha televisão dure, pelo menos, 56 anos?

A felicidade encontra-se

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No outro dia, no café com uma amiga querida, falávamos sobre voltar a Portugal. A questão era se preferia viver na Áustria ou em Portugal e onde era mais feliz. Se país por país me é indiferente e se a distância não me traz grande mossa, há uma coisa que não é indiferente e eu só percebi depois do regresso. Chama-se língua. Sou fluente em inglês, desenrasco-me no alemão, mas a minha personalidade em português é diferente. Em português sou melhor a ouvir, sou melhor a falar, muito melhor a comunicar e a adaptar-me a situações novas e pessoas diferentes.

Percebi, então, que é em Portugal que sou mais feliz, não pelo mar, não pela proximidade, não pela loucura em que a minha vida se torna, apenas porque sou melhor a trabalhar e a ajudar em português. Essa é a realização que não se consegue por Skype e que o tempo não melhora o suficiente.

Há um conjunto de fatores que me fizeram perceber isto e nenhum deles foi o motivo para o regresso. Primeiro, os astros alinharam-se de forma a ir parar a um dos lugares mais bonitos que já vi, conseguindo um apartamento com todos os requisitos pedidos, mas onde as pessoas são avessas a estrangeiros. Avessas a ensinar, avessas a serem pacientes, avessas a integrar. Foi muito difícil encontrar trabalhos para o meu nível de escolaridade que não exigissem o alemão, mais difícil ainda trabalhos em que as pessoas permitissem relações pessoais transparentes, com avaliações e correções sempre que necessário. Eles acreditam no politicamente correto, eu acredito na tolerância, mas no melhoramento contínuo. Ali não era bem visto que eu falasse com um colega que estivesse a agir de forma errada, teria de sorrir e acenar, “Sorrir e acenar, pessoal”. Se também sou a favor de em Roma sermos romanos, há uma linha que cruza os meus valores e a forma como eu acredito no funcionamento de uma equipa. Consequência de tudo isto: demorei uns meses a começar a trabalhar e, no entretanto, compreendi que a minha felicidade depende do meu grau de cansaço ao final do dia e é, geralmente, proporcional.

Depois, no final de 2016, aprendido tudo o que a empresa onde estava me deixava aprender, comecei a precisar de mais. Batemos no mesmo problema da frustração e estagnação, difícil de ultrapassar com a escassez de trabalho para pessoas com o meu perfil. Defini como objetivo para este ano estudar algo novo ou encontrar um novo desafio profissional.

A cirurgia fez-me parar o trabalho anterior, a paragem forçou-me a decidir voltar e a reviravolta deu-se. Percebi o quão melhor podia ser na minha língua, todas as fichas apostadas funcionaram. As entrevistas em português e com portugueses corriam na perfeição e eu andava embalada com aquilo.

[Este texto parou de ser escrito neste ponto porque me encontrava num voo em noite de tempestade. Parei porque enjoei. Parei e não retomei porque se seguiram duas horas sem fim. Tive tanto medo!]

A verdade é que voltei e a realização em português faz-me acreditar que é aqui que sou mais feliz. É aqui e em português que a encontro. No final das contas, que é a felicidade que não uma sensação de conforto?

Dicas úteis sobre casas novas

Embora não seja a primeira vez que mudo de casa, às vezes é como se fosse porque o funcionamento das burocracias diverge de país para país. Se na Áustria a existência de eletricidade e de água nunca foi uma questão, aqui, a coisa tem outra dimensão.

Quando fiz a escritura, a casa tinha eletricidade, embora não estivesse em meu nome. Resultou no antigo dono pagá-la por mais umas semanas. Por outro lado, não tinha água nem internet. Como é que tudo se resolveu?

Eletricidade

Se a casa já foi habitada previamente, dá jeito ter os dados do antigo cliente. No caso de não ter, é necessário ligar para dois canais diferentes da EDP – comercial e distribuição. O primeiro para ter acesso ao código que identifca o contador e a residência, o segundo para contratualizar. Para fazê-lo é necessário ter o contrato de arrendamento ou a escritura.

Com duas chamadas e dois emails – um para o envioa do documentos, outro a confirmar contratos – a coisa resolveu-se. Depois foi só marcar uma hora, chatear alguém para indicar a porta e voilá. Ready to go, com débito direto e fatura eletrónica.

Água

Desta não me safei sem tirar o rabo da cadeira. Tive mesmo de ir à Câmara Municipal, dizer que queria água, mostrar, mais uma vez, a escritura e contratualizar o serviço. Pedi, delicadamente, ao senhor para que o pedido do débito direto fosse feito por email e ele aceitou. Por outro lado, os técnicos da água já não precisaram que ninguém fosse abrir a porta e disseram “se mora alguém no prédio, nós entramos”.

Internet

Tudinho por telefone, tal como a eletricidade – valha-nos as empresas privadas. Decidido o operador, foi ligar e negociar qualquer coisinha. O serviço já era melhor do que os demais, mas ainda se conseguiu uma pequena redução. Depois chateei, uma vez mais, para que indicassem a porta ao técnico e, em 10 minutos, o assunto resolveu-se.

Todos estes processos estão cada vez mais simples e isso é bom. Débitos diretos para todos os serviços, prevenindo o meu esquecimento. Falta, apenas, seguir as faturas e verificar se está tudo bem feito.

A nossa casa na Áustria

Entre as voltas de 180° e os saltos de cabeça, reconheço que o planeamento consciente aliado a alguma sorte tornou tudo mais maravilhoso. A nossa casa na Áustria é um exemplo disso. Tínhamos um orçamento para a renda, queríamos um T1 para não sermos obrigados a vermo-nos um ao outro 24 horas por dia e preferíamos que fosse mobilado e com sofá-cama. Os requisitos foram tooodos cumpridos e eu não trocava aquele lugar por nenhum outro onde entrei por lá. Gravei um pequeno vídeo da casa para memória futura, realçando algumas das coisas mais gostava. Divirtam-se!